morreu otelo nuno romão saraiva de carvalho


muitos terão tido a ideia, alguns terão dado conteúdo ideológico, outros contribuído com a acção, mas só um tornou possível a concretização, através de um brilhante trabalho de planeamento e logística, otelo.

se o 25 de abril teve um herói e um líder foi otelo nuno romão saraiva de carvalho

https://www.record.pt/fora-de-campo/detalhe/morreu-o-capitao-de-abril-otelo-saraiva-de-carvalho
otelo!
nuno!
romão!
saraiva de carvalho!

era este o poema musicado
que corria pelas ruas
brotava das bocas que o sonho alimentava

no sonho que a memória
não deixa morrer
aos que não esquecem
nunca deixarão de ser

otelo!
nuno!
romão!
saraiva de carvalho!

Mulheres na Resistência (RTP2)


Episódio (1)

https://www.rtp.pt/play/p8770/e539090/mulheres-na-resistencia

Episódio (2)

https://www.rtp.pt/play/p8770/e539820/mulheres-na-resistencia

Episódio (3)

https://www.rtp.pt/play/p8770/e540072/mulheres-na-resistencia

Episódio (4)

https://www.rtp.pt/play/p8770/e540354/mulheres-na-resistencia

abril, a 25

abril, a 25


fotos de datas diversas, publicadas nos dias 24 a 28 de abril de 2021

aqui termina esta série de fotos, num ano em que não participei numa manifestação.

termina com a foto de uma criança, que hoje já andará na escola.

é delas o futuro, a nós resta-nos deixar o testemunho e assumir que é responsabilidade nossa o não ser melhor o seu presente.

vejo por aí muita gente a criticar a juventude e apetece-me comentar: mais uma geração de órfãos

25 de abril de 2020_5

25 de abril de 2020_5


Canto Moço
 
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Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
 
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara
 
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
 
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
 
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
 
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.
Zeca Afonso
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25 de abril 2020_4

25 de abril 2020_4


ABRIL DE ABRIL
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Manuel Alegre
Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
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Liberdade

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Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
 
Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quanto não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
 
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.
Sérgio Godinho
 
para ouvir

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Liberdade
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Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
Miguel Torga

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O Dia da Liberdade

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Este dia é um canteiro
com flores todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de Abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afecto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo tecto.

José Jorge Letria