crónicas da xávega (357)


2005, murtas a labuta continua

antónio murta na bica da ré; torreira; 2005

em 2005 continuava a trabalhar na praia da torreira a companha dos murtas, com o barco olá sam paio.


dos irmãos zé e antónio murta. o antónio era mais o homem de mar e o zé o de terra. creio que é em 2005 que falece o antónio em naufrágio à beira praia.

era, e é, opinião minha, uma companha familiar – da propriedade à própria composição da companha.

para além dos arrais e donos, não posso deixar de me lembrar da marlene, filha do zé, que era a responsável pela “contabilidade” da companha, e do redeiro, ti caetano da mata.

crónicas a xávega (356)


2005 ano um

torreira; 2005

em 2005 aparece na praia da torreira um barco “novo”. o m. fátima de marco silva, regressado do luxemburgo.


o barco pertencera ao arrais bolacha e chamava-se sra da aparecida.


faz-se ao mar com alfredo brandão (pirolito) como arrais de mar e o apoio em terra do experiente antónio trabalhito (barbeiro), entretanto falecido.


de costas, agarrado ao vertente, o estrela – que também já partiu para outro mares, mais distantes.

os moliceiros têm vela (417)


1 de agosto de 2020, regata do emigrante, um olhar

0 acravo_DSC4078

o bruno daniel e o mestre zé rito

 
não foi ao domingo, foi no sábado, também não foi o percurso habitual, mas foi no bico. não estamos num ano comum, esperemos que não se prolongue.
 
uma regata de moliceiros é sempre um espectáculo e esta foi um grande espectáculo.
mas dentro dos moliceiros vão homens, homens que compraram moliceiros, homens que os fizeram.
 
este ano, em que perdemos um moliceiro para os canais de aveiro, ganhámos mais um “moliceiro” , o bruno daniel marçal dias que comprou o moliceiro do mestre zé rito. um jovem. mais um.
 
e é de jovens que quero falar, não os contei, mas em quase todos os moliceiros havia tripulantes jovens a mostrar ao resistente, ti zé rebeço, que os moliceiros continuam, haja vontade e apoio de quem decide – e este ano houve.
 
espero em 2021, voltar a ver a frota de moliceiros reposta – verdade, mestre zé rito?
 
parabéns bruno daniel – esta já é a tua segunda regata – aprendeste, como alguns mais velhos ainda não aprenderam, que não se pode ganhar sempre, que as regatas são uma festa, que há erros mas que não são propositados, que nas festas só pode haver festa, que o importante é participar e fazer da ria aquilo que ela merece: um lago de cisnes.
 
(torreira; 1 de agosto de 2020)

memória_14052011


mãos de pescador

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

torreira; 2006

há quem olhe para os carros, outros para a marca da roupa, outros para os rostos …. outros devoram com os olhos o que não comem
 
todos buscam o mesmo: conhecer
 
eu olho para as mãos e sei que aqui, aqui, encontro tudo.
 
as mãos do pescadores são rudes, gretadas, feridas, mas extremamente limpas.
 
são mãos que o mar lava e areia esfrega.
 
são mãos de trabalho, mãos de homens e mulheres que trazem nelas a história de uma vida, de um amor, de uma guerra, de uma faina,….
 
de uma gana de ganhar a vida no mar

memória_01042011


lurdes catelhana (canhoto)
KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA
todos os dias, de acordo com as instruções do arrais chico giesteira (chico de ovar), a companha faz as viagens de ida e volta: furadouro-torreira.
instalam-se ao sul do molhe sul, onde têm tudo o que é necessário para passar o dia: uma caixa térmica de uma carrinha, que serve de dispensa, um coberto que abriga uma mesa e equipamento de cozinha.
um depósito industrial de gasóleo para abastecer tractores e motores.
da companha fazem parte duas mulheres, que ajudam na escolha do peixe e cozinham para toda a companha. a organização imposta pelo arrais e voluntariamente aceite por todos, é a melhor que até hoje vi.
se há ainda lobos do mar, o chico é certamente um deles.
(companha do pepolim – do furadouro a trabalhar na praia da torreira; 2006)

xávega – memória de 2011


a memória dos dias
2011

0 ahcravo_DSCN_ murta 2007.jpg

(torreira; 2007)

à memória do arrais zé murta
o meu grande amigo agostinho trabalhito (canhoto) enrola as calas ainda a escorrer areia.
sempre o conheci com um sorriso e uma palavra de esperança, mesmo nos momentos mais difíceis, mesmo quando no ano passado a morte lhe levou dois irmãos.
se há rosto que fascina pela riqueza de feições e expressões é o do agostinho. é o meu modelo favorito.