crónicas da xávega (299)

crónicas da xávega (299)


lavradores do mar
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abrem nas ondas regos
ao mar vão semear redes
sem saberem da colheita
 
chamam terra à areia
onde retornam espuma dorida
 
não lhes fales das serras
do silêncio do chilrear das aves
nunca o entenderão
 
são lavradores do mar
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(torreira; 2016)

crónicas da xávega (298)


ti henrique gamelas

ti henrique

trago no rosto
as memórias que o mar rasgou
fundas de haver história
linhas escritas com tinta de vento
e palavras de raiva
trago no rosto
a minha alma cansada de viver
estes olhos comidos pelo tempo
de tantas lágrimas sofridas
de tantas vidas vividas
trago no rosto
uma máscara que não podem
arrancar
trago no rosto
o mar
(torreira)

mestre zé rito_torreira


0 ahcravo_DSC_4343 moliceiro ze rito
nasceu em 1956, filho de pescadores e caçadores que se tornaram moliceiros, zé rito “nasceu no moliço”, fez-se construtor naval e é pescador.
 
de família originária da murtosa é na torreira que vive e se torna o primeiro construtor naval da terra.
 
homem da ria e dos moliceiros sempre participou nas regatas de moliceiros, bateiras e chinchorros. tirando alguns azares ficou sempre nas primeiras posições em todas as regatas, muitas delas no primeiro lugar.
 
o mais a conversa gravada o diz.