os moliceiros têm vela (305)


quando

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quando amanhã
for ontem

quando tu tiveres
sido
sem nada seres

nada restará de ti
a não ser o nada
que foste

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(torreira; s. paio; 2017)

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postais da ria (247)


não sei

a música dos corpos
a sinfonia

o esforço conjugado
a equipa

recordo a mesa posta
a família

a meta aproxima-se
o desfecho

não sei do vencedor

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(torreira; corrida de chinchorros; 2012)

os moliceiros têm vela (299)


tá-se bem

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no moliceiro “Dos netos” com o meu amigo ti abílio

(que as minhas para contigo
só à vista terão fim)

há muitos anos
talvez não tantos
que o tempo engana

era assim que
terminavam
as cartas de amor

há muitos anos
no tempo dos meus pais
havia cartas e moradas
postais e telegramas

agora
sms’s e-mail’s
e amor

tipo
tá-se bem

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no moliceiro “Dos netos” com o meu amigo ti abílio

(torreira; regata do s. paio; 2016)

os moliceiros têm vela (290)


essencial o homem

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o moliceiro “Dos Netos”

por sobre o espelho
da ria o moliceiro
desliza à força da vara

em dias sem vento
ou de passagem de modelos
de nada serve a vela
fica o mastro a falar dela

essencial o homem
é a força de ser ainda o barco
a bandeira erguida

de uma terra que se busca
num tempo onde ainda não se sabe
se perdida por falta de raízes

numa suposta ria encanada
na cidade
há uns barcos que se fazem
passar por

essencial o homem
desmente-os

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o moliceiro “Dos Netos”

(torreira; regata do s. paio; 2010)