agora sim está tudo calmo
pensou
e saiu do cemitério
(moliceiros; regata da ria; 2016; torreira)
não não é traduzir
é descrever
uma subrealidadetransformar imagens
sensações
em discurso verbaldar nome ao inominável
não ao divino
mas ao inferno visionadoa guerra entre as mãos
que escrevem
e as que torturam matamfugir para outros
cenários metaforizar
dizer sem dizerestá no subtexto dizes
doem-te as palavras
vês o que não explicitasmorto mutilado torturado
que metáforas
há outra forma de escrevernão saber como
mas saber que não dizer
é não ser
“Vemos ouvimos e lemos
Não podemos ignorar”
Sophia de Mello Breyner
crianças mulheres idosos
casas hospitais escolas
oliveiras centenárias
tudo terroristas perigosos
mate-se destrua-se
arranque-se
génios os líderes
heróis os soldados
assassinos todos
escolhido o talhão que os receberá
prometida a terra os comerá
(skimming; tamargueira; buarcos; 2011)
a exposição fotográfica SAL=SOL continua aberta ao público, de quarta-feira a domingo, no Núcleo Museológico do Sal da Figueira da Foz (Ecomuseu do Sal) nos Armazéns de Lavos (40° 6’42.5627”N, 8°49’59.7034”W)
está ainda disponível para aquisição o livro/catálogo com todas as fotografias expostas e uma introdução explicativa dos procedimentos documentados, da autoria da coordenadora do museu, Gilda Saraiva
(nota: a foto desta publicação não faz parte da exposição, mas o marnoto nela constante sim)
(mexer; salina do corredor do sol; morraceira; figueira da foz; 2019)