25 de abril de 2017


um cravo para ti

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mais do que a palavra
somos o gesto

mais do que o pensar
somos o fazer

mais do que únicos
somos solidários

não somos diferentes
somos assim

temos a liberdade de o ser
por isso lutámos

temos a liberdade de te dizer
é teu o que conquistámos
mesmo que o não sintas
porque não viveste o antes

mais do que a mão que fere
somos a mão que dá

nessa mão um cravo
um cravo para ti
hoje que é 25 de abril
e tu sem o sentires
és a razão de termos feito

de continuarmos a ser
mais do que a palavra
o gesto

dentro dele o teu cravo

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(coimbra; 25 de abril de 2017)

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digo de mim


 

passa por mim o baixo mondego

passa por mim o baixo mondego

 

 

como somos breves

como é ilusório este corpo onde

pendurado o pensar

 

sento-me e vejo que tudo passa

num infinitésimo de tempo

passado presente e futuro estão

 

caio e levanto-me ainda

sorvo o instante como se o último

e grito como se nascesse

 

digo de mim

 

(da janela do comboio, algures entre coimbra e a figueira da foz

a carta


 

seguro

 

 

e escreveu-lhes uma carta

 

num tempo em que alguns se queixam de já não se escreverem cartas de amor, o tó-zé, pelo seguro, resolveu escrever uma carta, não de amor, mas de “esclarecimento”.

 

é jovem, provavelmente não pensa e … coisa mais grave, escreve o que não deveria sequer deixar que da boca lhe saísse.

 

dizer à troika o que se passa em portugal…. é ingénuo? pensa-nos tolos? faz deles parvos? ou …. nem sei.

 

mais, será que o jovem não sabe que as técnicas estão ao serviço de uma política? nunca lhe falaram nisso ou, mais uma vez, é uma farsa levada à cena neste palco de pobreza muita e variegada que se chama portugal?

 

não satisfeito com o envio da missiva em causa ao destinatário, entreteve-se a tirar cópias que enviou a quem de direito (ou de direita, conforme os casos).

 

de facto dá para pensar, como muitos portugueses, que seguro é o seguro de coelho.

 

A produtividade e o exterminador


o exterminador insaciável

em nome da produtividade tudo nos leva o exterminador, que homem só não é, mas todo um governo de trogloditas (sabe-me tão bem esta palavra aqui), com infiltrações internacionais.

foram-se feriados, vão-se dias de férias, aumenta-se o horário de trabalho, reduzem-se remunerações … e não há judiciária que chegue para tanto roubo.

mas, falemos de produtividade, não teoricamente mas em termos práticos, através da minha experiência profissional e pessoal.

na década de 90 fui consultor de uma das maiores multinacionais alemãs de confecção têxtil, para a instalação de duas unidades de produção. Criaram-se cerca de 1.500 postos de trabalho, com recurso a todos os fundos comunitários possíveis.

os trabalhadores, na sua maioria mulheres, foram recrutados entre jovens sem qualquer experiência industrial, saídos do ensino ou dos campos de cultivo da economia familiar. Durante 2 anos foi-lhes ministrada formação e iniciaram, logo que possível, a produção.

ao fim de dois anos pedi ao encarregado geral, representante da empresa mãe numa das unidades, que fizesse uma avaliação da produtividade média das trabalhadoras, para termos uma ideia concreta do trabalho realizado.

para surpresa dele, e minha, a produtividade ultrapassava os 90% de uma operária alemã, com anos de experiência e vencimento muitas vezes superior.

produtividade baixa em portugal? só por falta de investimento em equipamento moderno e de topo.  a maioria dos empresários portugueses, mais patrões que outra coisa, ainda  baseiam os seus lucros na mão de obra barata e nos ganhos a curto prazo. pois, meus caros, eles sim, é que deviam ser objecto de todos os cortes, que trabalhem!

mudando o ditado: à banca e ao patrão dá sempre o governo a mão.

e porque vem a talhe de foice, um episódio que revela bem o espírito germânico de controlo de produção.

tempos depois vim a saber que as trabalhadoras que engravidavam não tinham o seu contrato renovado. questionei o responsável pela fábrica sobre esta matéria e foi-me dito que tinha que ser, em nome da produção, e para não se criarem maus hábitos; acrescentou, mesmo, que num país do norte de áfrica, numa fábrica que lá tinham montado, dissolviam a pílula na sopa do almoço, o que aqui não era possível.

em poucos anos as duas fábricas encerraram. já tinham sugado o que podiam e partiam para outro país.

vão à merkel