crónicas da xávega (202)


Portaria nº 172/2017, de 25 de maio

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porque vale a pena bater o pé e ficar firme

(E … finalmente há um governo que entende e publica uma portaria que responde ao proposto.)
Façamos um pouco de história.

2011 – A polícia marítima, a GNR e as autoridades em geral fazem um ataque/vigilância cerrada às capturas das companhas por causa das dimensões do pescado e, em quase todas as praias, há multas, apreensões, destruições de peixe.

(Convém lembrar que a vinda de peixe miúdo nas redes sempre foi uma preocupação para os pescadores era, como me dizia um pescador, “o pão de amanhã”. Assim, e por tradição, se o primeiro lanço da manhã dava muito peixe miúdo, fazia-se a venda e só se fazia novo lanço na maré da tarde. Era tradição e um acto de sabedoria).

Num país em crise onde havia gente com fome e instituições a pedirem apoio alimentar, assistia-se à destruição de peixe fresco de qualidade e que estava, irremediavelmente MORTO. Propuseram os pescadores que fosse entregue a instituições de solidariedade social, propuseram….

2012 – Reúnem-se na Praia de Mira, em Julho, arrais de companhas de todo o país, de Sesimbra a Espinho. Aí dizem de sua justiça e pedem que se aplique a tradição. Dei nota do que lá se passou e de imediato sucedeu, nas publicações https://ahcravo.com/2012/07/17/querem-matar-a-xavega/ https://ahcravo.com/2012/07/30/ponto-de-situacao-sobre-a-xavega/

Em finais de Novembro nasce a Associação Portuguesa de Arte-Xávega (APX) com sede na Praia de Mira e de que é presidente o arrais José Vieira. Pela primeira vez os pescadores da xávega se unem em associação.

2013 -Através da portaria nº 4/2013 é criada a “Comissão de Acompanhamento da Pesca com Arte Xávega”, constituída por técnicos e representantes de autarquias e pescadores, a qual apresenta o seu relatório final em publicação da “Direcção Geral de Recursos Naturais Segurança e Serviços Marítimos” em 4 de junho de 2014.

A primeira recomendação foi:

[a Comissão de Acompanhamento da Pesca com Arte-Xávega] pronunciou-se a favor da adoção de uma medida de exceção que permita a venda do 1º lance, mesmo que constituído por exemplares subdimensionados, partilhando nesta matéria a posição já assumida na Resolução nº 93/2013, da Assembleia da República

Estas muitas outras recomendações foram entregues ao governo de então.

2015 – Responde o governo, em 2015, com a publicação da Portaria nº 17/2015, de 27 de Janeiro, em que se refere somente à autorização de utilização de 4 tractores por cada xávega ….. será preciso dizer mais?

(No verão de 2015, na praia da Torreira, perguntei a um investigador da Universidade de Coimbra que fazia trabalho de campo no âmbito de um estudo sobre a sustentabilidade das pescas, celebrado entre uma entidade da Praia de Mira e a Universidade de Coimbra, se não estava em perigo a continuação da Arte-Xávega – considerando que o arrais Marco Silva pretendia construir, como construiu. um barco novo – a resposta foi: eu não arriscava.

Perguntei ainda porque é que o carapau na nossa costa tinha de ter o tamanho mínimo de 12 cm e no Mediterrâneo 9 cm, qual a justificação científica? Não sabia.

Perguntei se sabia dos desperdícios em peixe subdimensionado, e deitado pela borda fora pelos arrastões. A resposta foi: isso nós sabemos muito bem.

Não perguntei mais nada)

2017 – Portaria nº 15/2015, de 25 de maio!!!!!!!!!!!!

Estão de parabéns os pescadores da Arte-Xávega, está para já afastado o medo da proibição do exercício da arte e, embora a legislação não corresponda totalmente às suas aspirações – haverá alguma que o faça? – responde à primeira das propostas de 2014 da “Comissão de Acompanhamento da Pesca com Arte Xávega”.

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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto)

(torreira; 2010; agostinho trabalhito)

postais da ria (212)


poderia

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ciranda de dois ( ou será de casal?)

poderia escrever
os nomes dos barcos
dos homens das mulheres
dos ganhos das perdas
das artes das artimanhas
da compra da venda
dos contratos doutros tratos

poderia

mas deixo para ti
esse caminho doloroso
que já percorri

também tu
deves aprender
como se vive por aqui

(torreira; cirandar; 2016)

os moliceiros têm vela (262)


há eleições? repara-se o moliceiro!

“notícia é quando um homem morde num cão, e não o contrário”

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o moliceiro da câmara da murtosa com duas velas

haverá alguns dias aparecia na página do facebook do município da murtosa, uma publicação com o seguinte título “BARCO MOLICEIRO DA CÂMARA DA MURTOSA EM MANUTENÇÃO NO ESTALEIRO DA PRAIA DO MONTE BRANCO” -https://www.facebook.com/municipiodamurtosa/posts/1349085255169813:0. amigos houve que partilharam esta publicação como se de algo extraordinário fosse …

e não é que é mesmo! é que não se percebe porque é que aquilo que todos os moliceiros resistentes fazem nesta época do ano, reparação e manutenção – aproximam-se as regatas –, há-de ser notícia? será por ser o moliceiro da câmara municipal? só se for.

no entanto é capaz de ser mesmo notícia relevante, será que não houve reparações desde 2013? se houve, desculpem mas não dei por ela, nem foi objecto de qualquer publicação na mesma página….

(um amigo segreda-me: você fala porque não vive cá…..)

recordo agora que em 2013 fiz no meu blog, e no facebook, uma publicação sobre uma situação análoga, então com publicação em jornal – ainda não havia página no facebook. vejam o que se passava, leiam:
https://ahcravo.com/2013/08/16/murtosa-moliceiro-da-autarquia-alvo-de-manutencao/

coincidências! 2013 e 2017 são anos de eleições autárquicas. não é que na murtosa esteja em causa a mudança de executivo, mas sempre são eleições e eu, neste caso e a bem do moliceiro municipal, começo a pensar que devia de haver eleições todos os anos.

lembro-me de em 2012 não ter havido regata da ria por falta de fundos, de se ter feito uma manifestação, da torreira a aveiro, com alguns moliceiros, de caras tapadas com plástico preto, bandeira preta e um cartaz a dizer “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”.

em 2013 fez-se a regata e o candidato à câmara de aveiro, ribau esteves, até veio à torreira dar a partida. coincidência?

(o amigo insiste: você fala porque não vive cá…..)

quanto a outros parágrafos da publicação, que davam pano para mangas, quero só tocar no que mais me interessa, o apoio aos donos dos moliceiros resistentes. escreve-se, e transcrevo, “ No último ano, os prémios atribuídos pela autarquia ascenderam, na globalidade, a mais de 10.000 euros”. tanto dinheiro! quanto é que dá por barco? chega para garantir os custos de reparação e pintura, sem falar já nos de manutenção? (nunca menos de 1.500 euros, pelo que me dizem) mas o valor desta reparação e pintura do moliceiro municipal deve servir de indicador e ajudar a ver quanto custa.

(algures em pardelhas há um homem que deixa a porta e, no sossego do escritório, começa escrever: este turista que vem de coimbra tirar umas fotos a correr pela praia …)

encontramo-nos na primeira regata, a da ria.

(nota: no que diz respeito ao museu estaleiro do monte branco – é assim que é designado na página da autarquia – já me pronunciei em tempo sobre ele https://ahcravo.com/2015/01/31/cada-cavadela-cada-minhoca/)

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e terminará em quarto lugar

(regata da ria; 2014)