serei sempre o primeiro
a ler-me
jamais o último a sentir

(moliceiros; regata do s. paio; torreira; 2012)
Era uma vez o Barco Moliceiro
Em 2022 foi inscrito no Património Cultural Imaterial Nacional o “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro , ou com “Outras denominações” : Construção e Pintura de Moliceiros; Construção do Barco da Ria de Aveiro.
Não é por acaso que o “Barco Moliceiro” aparece na designação da aprovação, ele é bandeira e ilusão. No descritivo apresentado e aprovado é dada grande relevância ao Barco Moliceiro e suas características, porém no último parágrafo pode ler-se:
“Adaptações construtivas do Barco Moliceiro para a atividade turística: Com o desenvolvimento da atividade turística a partir do início dos anos 2000 registou-se um crescimento do número de embarcações existentes – depois da diminuição de barcos moliceiros verificada partir dos anos 50 (ver Doc1_ResenhaHistorica, pág.45) – tendo levado a alguns ajustes e a adaptações construtivas em prol da segurança dos turistas, por um lado, e para permitir a navegação nos canais urbanos da Ria de Aveiro, por outro. Importa, contudo, referir que todo o processo e método de construção de carpintaria naval do Barco Moliceiro, dinamizado pelos Mestres, se mantém fiel aos padrões originais, havendo apenas algumas alterações a nível de estrutura e tamanho, a saber: • Mastro – o mastro que sustenta a verga, onde prende a vela foi “retirado” para possibilitar a circulação das embarcações que navegam nos canais urbanos da Ria. • Falcas – as falcas, pranchas que se ligam, entre si, por justaposição e que se colocam no bordo do barco, são atualmente fixas para permitir que a embarcação tenha mais altura e por consequente maior segurança para os turistas. No passado eram amovíveis. • Assentos – para uma maior comodidade dos turistas durante os passeios foram introduzidos assentos em volta da embarcação. • Cavername – todas as cavernas são niveladas por forma a que o chão seja mais estável para a circulação de pessoas. • Método de propulsão – Andar à vela, andar à vara e andar à sirga deixaram de ser os métodos de propulsão do Barco Moliceiro mais utilizados na navegação, sobretudo, nos canais urbanos, tendo sido introduzido o motor como alternativa. • Tamanho da embarcação – de forma a servir o propósito para a atividade turística as construções são, por vezes, ligeiramente mais compridas e mais largas, ultrapassado os tradicionais 15m de comprimento de 2,50/2,60m de boca. De forma geral, e pese embora estas alterações, o Barco Moliceiro mantém uma estrutura muito similar à original, quer ao nível construtivo, quer decorativo. “
(https://matrizpci.patrimoniocultural.gov.pt/InventarioNacional/DetalheFicha/818?dirPesq=0)
Espero que tenham lido a totalidade da transcrição porque ela aparece, estranho seria se assim não fosse, como último parágrafo de um documento extenso. Será para não ser lido?
Ou seja, a partir da inscrição no Património Cultural Imaterial Nacional em 2022, os barcos que circulam nos canais de Aveiro, passaram a poder ser designados por “Barcos Moliceiros”, facto que não é, nem será nunca, pacífico para os estudiosos e amantes do Barco Moliceiro.
Com a inscrição no Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2025, dia 09 de Dezembro para ser mais exacto, esta designação passa a ser reconhecida pela UNESCO, e ai de quem diga que não há Moliceiros nos canais de Aveiro.,
A farsa foi levada ao palco do país, e agora da humanidade, com o aplauso dos autarcas da CIRA e, nomeadamente, dos autarcas que reivindicam ser a sua terra a pátria do Moliceiro. Soltem-se foguetes, faça-se notícia e prepare-se o funeral do Barco Moliceiro que a ria conheceu.
(moliceiros; regata do s. paio; torreira; 2017)
no jornal online “Notícias de Aveiro”
NÃO
assim em maiúsculos inusuais
como um grito de revolta
pedrada nas janelas dos dias
NÃO
assim em maiúsculos inusuais
como um grito de revolta
pedrada nas janelas dos dias
NÃO
posso calar tudo o que dentro
de mim ferve e se impõe
contra o silêncio a prepotência
NÃO
o ter armas poder dinheiro NÃO
tem força de lei mas sim
marginais loucos engravatados
NÃO
aceito a conversão de dólares
em crianças assassinadas
o lucro cego pago com sangue
NÃO
chamem-me perigoso terrorista
escrevam o meu nome
a vermelho mas ESCREVAM que
NÃO me verguei nunca
NÃO
ao GENOCÍDIO em GAZA
ao governo de netanyahu
NÃO à GUERRA SIM à PAZ
PALESTINA LIVRE
(regata de bateiras à vela; s. paio; torreira; 2017)