crónicas da xávega (228)


até um dia

como se um filho
a rede nos braços

a vida ganha-se
não é oferecida
a mim não

a areia sob os pés
cede prende
pesados passos

o sol ainda não
e o arrais
deu ordens de mar
chego

chego e faço minha
esta praia
onde venho ao mar
buscar o pão

até um dia

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(torreira; 2012)

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postais da ria (237)


dos amigos  e não só

cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo

para alguns
amanhã foi ontem
são eles

que fazem os dias
mais tristes

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a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas

(torreira; porto de abrigo; 2013)

 

os moliceiros têm vela (293)


ao tempo

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

quando for com o vento
ficarão palavras e imagens
sonhos ilusões muitas

ilusões muitas

eu quase todo sem ser já
sussurros de água
na boca de um barco morto

os gestos o ter feito
o que me fizeram
deixo ao tempo o juízo

ao tempo
que outro deus
não conheço

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

(torreira; regata da ria; 2014)

mãos de mar (41)


dos capatazes

falam como se
donos fossem do que
lhes não pertence
porque nosso

não têm senão
a ilusão de um poder
efémero delegado

calçam sapatos luva
que nas mãos
melhor lhes ficariam

existem porque são
mandados para mandar

nada me custa
por esse mesmo motivo
mandá-los

sabem bem onde

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mãos de mar, de trabalho, estas

 

ainda não se magoou ninguém (1)


hoje, dia 11 de janeiro, coincidência ou não, mas já havia protecção – móvel, mas havia.

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prever e planear são duas coisas frequentemente estranhas entre nós.

era de prever que aqueles socalcos eram perigosos, logo deveria ter sido planeada e projectada protecção física impedindo quedas, a incluir na obra.

mas não, agora é preciso levantar pedras, implantar apoios para as protecções, voltar a regularizar calçada …. enfim, o povo paga.

para se ter uma ideia do espaço entre a saída do quiosque e a protecção, agora colocada, veja-se a foto seguinte:

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sem comentários.

esperemos agora que a protecção fixa, definitiva, seja colocada.

até agora não se magoou ninguém, nem me parece que, com estas medidas provisórias se venha a magoar.

se foi por publicações no face, se por reclamações em sítios apropriados, nunca o saberemos. o que sabemos é que poucos dias depois da publicação que fiz e divulguei aqui está, coincidência ou não, o que se pretendia: a segurança dos cidadãos.