“Ao silêncio e aos poetas que nele canto” de álvaro giesta
“estes dias de espelhos ruídos …” de mar becker
os moliceiros têm vela (588)
não sei quantos mortos são precisos
para encher um barril de petróleo
a morte é inteligentemente distribuída
ao domicílio os mortos servem-se frios
à mesa do lucro e do deificado dólar
os pastores conduzem o rebanho
para o abismo e as ovelhas aplaudem
incontáveis os corpos que cabem
numa vala comum
nas televisões especialistas ensinam
a investir na bolsa em tempo de guerra
a transformar o horror que silenciam
em negócios certos em ganhos seguros
deus ainda não está cotado em bolsa
não sei quantos mortos são precisos
para encher um barril de petróleo
(moliceiros; esperar pela maré; regata do emigrante; cais do bico; murtosa; 2007)

