vitor silva em tavares em coimbra, maio de 2014


&etceditora

este registo foi realizado dia 3 de maio, de 2014, na livraria alfarrabista miguel carvalho, em coimbra, com a presença de eduardo de sousa, um dos proprietários da livraria letra livre, que editou o livro “&etc uma editora no subterrâneo” e vitor silva tavares.

o facto de só agora ser publicado é produto de uma visita ao baú e de, apesar de considerar que a qualidade visual do registo não me agradar, pelas condições locais de luz, o discurso oral, o testemunhos, impuseram-se sobre o aspecto meramente formal do vídeo.

espero que, mesmo que tenham de fechar os olhos enquanto o vídeo corre, fruam das palavras, essas que tão caras fotam sempre a vitor silva tavares. penso que ficamos todo mais ricos com este testemunho.

 

Notas:

 

vitor silva tavares e a &etc

 

nasceu no bairro da madragoa, onde viveu até à sua morte, na rua das madres.

começou a colaborar em jornais no final da década de 50 durante o curto período em que passou por angola, tendo continuado as colaborações em lisboa, já no início dos anos 60.

dirigiu durante algum tempo a editora ulisseia, onde publicou nomes como mário cesarinyherberto hélderalexandre o’neill ou luiz pacheco.

em 1967 fundou o &etc, um magazine de letras, artes e espectáculos do jornal do fundão, que teve 26 números.

em 1973, mais precisamente a 17 de janeiro, sai o primeiro número do &etc como revista autónoma, que durou 25 números. primeiro teve uma publicação quinzenal, passando depois a mensal, tendo o último número saído em outubro de 74. tratava-se de uma publicação cultural bastante original, com colaboradores de grande qualidade. entre o corpo de redacção fixo e colaborações avulsas passaram por lá nomes como herberto héldernuno júdicepedro oomantónio ramos rosafiama hasse pais brandãojoão césar monteiro e armando silva carvalho, entre muitos outros.

em 1974 nasce a editora &etc, pequena editora de culto, situada na rua da emenda, dirigida de forma praticamente artesanal por vítor silva tavares. é uma editora com uma linha muito própria. tem no seu catálogo autores portugueses como alberto pimentajoão césar monteiroálvaro lapaherberto hélderadília lopesmanuel de freitas e muitos outros. estrangeiros, tem nomes como paul lafargueantonin artaudrilkesadetrotski ou roger vailland. tem editado sobretudo muitos textos de cariz alternativo, com edições muito pequenas, de poucas centenas de exemplares. tem a particularidade de não fazer reedições, o que significa que uma grande parte do seu catálogo se encontra esgotada. também graficamente é uma editora muito particular, com um formato original, quase quadrado (15,5 por 17,5 cm) e capas criteriosamente escolhidas. a produção é muitíssimo cuidada, com uma grande atenção a todos os pormenores.

morreu a 21 de setembro de 2015, aos 78 anos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vitor_Silva_Tavares

 

miguel carvalho

 

iniciou a sua actividade de livreiro antiquário em 1994 por influência do seu amigo bernardo trindade , filho de um dos mais antigos livreiros do país. no ano seguinte, após terminado a licenciatura em engenharia geológica em lisboa, dedica-se por exclusividade à actividade de livreiro antiquário abrindo a sua primeira livraria em coimbra. de uma forma geral trabalha os livros antigos que dizem respeito à cultura portuguesa, tendo no entanto e por paixão ao tema, enveredado pela literatura portuguesa do séc. xix e xx. publicou, entre outras:  “catálogo da biblioteca do prof. paulo quintela – literatura portuguesa séc. xx” em 2000; “descrição bibliográfica camiliana de uma muito importante e valiosa colecção de bibliografia activa e passiva de camillo castelo branco” em 2003; “catálogo de livros seleccionados para o salão do livro antigo da xvi bienal de antiguidades de lisboa” em 2004rn& catálogos bibliográficos integrados em exposições de livros antigos e pintura…

junho de 2011 – muda de instalações para adro de baixo (coimbra) ocupando 3 pisos de um edifício do século xix, onde reúne mais de 45000 volumes.

outras das suas actividades paralelas dizem respeito à investigação geológica, tendo em 2003 realizado um mestrado em cartografia geológica e é actualmente doutorando de cartografia e paleontologia. é autor de diversos trabalhos publicados na área da malacologia, história da geologia, geologia, cartografia e sedimentologia.

o surrealismo é a ideologia na qual se identifica e trabalha em projectos editoriais e pessoais, tendo iniciado a sua actividade em 1995 como colagista e em desenho. neste sentido tem efectuado nas instalações da livraria eventos culturais sem interesses comerciais exposições e eventos ligados ao surrealismo.

em 2009 cria a marca registada“debout sur l”oeuf – edições surrealistas”. voltada à realização, não só de eventos mas sobretudo de livros-objectos, produziu mais de uma dezena de edições limitadas, desde alguns exemplares até 200. em 2010 criou a primeira revista objecto portuguesa debout sur l”oeuf – nº1″, limitada a das tiragens de execução manual: uma de 30 exemplares com 5 originais e outra de 70, em que colaboraram mais de 30 criadores vivos e ligados ao movimento surrealista.

junho de 2011 – com a mudança de instalações para adro de baixo coimbra) ocupando 3 pisos de um edifício do século xix, cria na casa livreira uma galeria debout sur l”oeuf onde apresenta exposições de pintura, desenhos, esculturas, fotografia, etc …

http://www.livro-antigo.com/historial/

Livraria e editora Letra Livre

 

Uma pequena livraria, criada em Abril de 2007, de livros novos e usados, localizada no centro de Lisboa especializada em literatura e ciências humanas, onde as as edições independentes tem um particular destaque.


Seguindo a tradição dos livreiros-editor

 

crónicas da xávega (195)


até um dia

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tudo fica agora longe
próximas
as imagens as memórias
o sentir ainda

descrevo o que vejo
ou sinto quando olho
e escrevo porque

as palavras
crescem da imagem
como da terra a árvore

e eu
eu sou ainda
o que não vai haver

parado num tempo
em que fui demais
para não voltar a ser

espero-vos
onde a espuma
adormece na areia
e há sempre esperança
de haver mar

até um dia

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(torreira; 2011)

mãos de mar (16)


para o menino bonito

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o meu povo trabalha duro
não tem tempo para brilhantinas
ordenados milionários
viagens em classe executiva

o meu povo
os copos que bebe
saem-lhe do corpo e sabem a sal

o meu povo
tem direito a ser respeitado
por todos
em especial pelos gravatinhas
que não o conhecem
nem falam a sua língua

o meu povo
respeita todos os povos
porque todos os povos
são o meu povo

o meu povo
tem a sabedoria dos dias de parca paga
que reparte com as mulheres
e os filhos

o meu povo
está cansado de meninos bonitos
com muita escola e poucos princípios

o meu povo
convida o menino bonito
para um dia de trabalho

 

vitor pena viçoso e elisabete leite em ovar


tertúlia poesia e música – espaço entre arte –

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ovar, 17 junho 2016

  • apresentação do livro “ a máscara e o sonho” de vitor pena viçoso
  • telas de elisabeth leite

participantes

aurora gaia

libânia madureira

maria conceição magro

vitor pena viçoso

elizabeth leite

o vídeo

(notas biográficas

vitor pena viçoso

O Prof. Doutor Vítor Pena Viçoso é aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em Literatura Portuguesa (1989). Foi docente das disciplinas de Literatura Portuguesa e Cultura Portuguesa (séculos XIX e XX). Para além de ensaios sobre Raul Brandão, Carlos de Oliveira e José Saramago, publicou artigos em jornais e revistas, com particular incidência em temas e autores do Romantismo, do Simbolismo e do Neo-Realismo, movimentos privilegiados na sua investigação universitária. É actualmente director da revista Nova Síntese – Textos e Contextos do Neo-Realismo, da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo. 

http://alpiarca.pt/bma/index.php/atividades/2014/141-acao-de-formacao-o-neo-realismo-na-ficcao

elisabete leite

Elizabete Martins Leite, Nasceu na Venezuela a 21 de Janeiro de 1982, reside em Oliveira de Azeméis, desde 1989. Finalista de licenciatura em Pintura na Escola Universitária das Artes de Coimbra. ARCA EUAC.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

2004 “ …Aos 77” – Café com Arte (Coimbra)
2005 Galeria da ARCA EUAC (Coimbra)
2005 Art’ em Cadeia – Antiga cadeia dos Paços de concelho P. Bemposta.

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

2004 Pavilhão de Portugal (Coimbra) Wrist iwc replica watch are available in all ranges from branded to cheap one.These watches are also attractive and stylist.It is good for those want to change their watches according to their clothes. 
2004 Prémio Baviera – Centro Cívico Justino Portal Cesar
2005 Casa Museu Bissaya Barreto (Coimbra)
2005 Bienal de Vila Nova de Cerveira – Centro Cultural de S. Roque
2005 Convento de S. Francisco
2005 Galeria São Mamede – Colectiva de Verão

Eu não quero que um quadro seja um complemento, a história que conta, mas antes que seja fundamentalmente a plasticidade que tem, não obstante a história que conta seja um complemento com importância para a plasticidade.”

Elizabeth Leite actualmente pinta em telas de grandes dimensões, representando figuras próximas do tamanho natural, que ocupam grande parte do suporte. Estas, encontram-se envolvidas em ambientes que representam alegoricamente espaços interiores que ajudam a descrever a cena, o acto, pela sua constituição. Nestes ambientes encontramos objectos que geram o ambiente “casa”, “quarto”, “sala”, onde não há a preocupação de os arrumar, mas antes pelo contrário, testemunhar os actos apresentados como o prazer, a ousadia, o descanço, a felicidade de viver.

As figuras, tendem a extremar bastante as características físicas das personagens representadas, que normalmente aparecem em roupas intimas, roupas interiores. Há nelas um prazer assumido, do qual não importa os resultados inestéticos do acto cometido. É nesta relação entre figura humana (personagem) e objectos que se constrói a composição sobre o suporte (tela), mas o que importa não é só esta harmonia entre objectos e espaço, mas sim a forma como se põe a tinta. Por isso, a maneira como as figuras são apresentadas propõe ser a ligação do que representam com aquilo que são: tinta, matéria plástica sobre um suporte, feita principalmente de traços e de algumas manchas, aceitando escorridos que só aparentemente são acidentais, assim como zonas por cobrir de tinta.

Os elementos vão adquirindo forma e proporção com a justaposição e cruzamento de inúmeras pinceladas. O pincel exerce a função de uma coisa que risca, que constrói, resultado plástico do seu trabalho, que procura de forma agradável levar-nos para um mundo abstrato no meio de cenários com sentido figurativo e descritivo.

Procura que o resultado do seu trabalho crie empatia com o observador, esta ligação talvez resulte da proximidade, da relação que encontramos naquele acontecimento, naquela cena que nos parece familiar, não constituindo propriamente uma critica negativa da realidade mas antes o encarar de situações com boa disposição servindo de pretexto para pintar.

http://www.saomamede.com/artista.php?id_artista=180)

música para um filho da mãe no dia do pai


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hoje
filho da mãe
é dia do pai

espero que te lembres
os teus filhos lembrar-se-ão de ti
e tu por tabela do teu

quero-te dizer filho da mãe
palavras poucas
que muitas não conheces
sabendo da tua natural ignorância

conheces a palavra desprezo?
se tiveres de recorrer ao dicionário
vai antes à net é um hábito teu
é mais simples por vezes acerta
e não é um livro

o que não te explica
nem te explicará nunca
é o sentimento expresso pela palavra

o que sinto por ti
filho da mãe
não há computador que te diga
nem mesmo se levares com ele nos ditos

cuidado que para a outra vez
se a houver
pode o telemóvel estar desligado

com esta me despeço
adeus
e não há retrocesso