mãos de mar (37)


olha as mãos

no princípio eram as mãos
ferramentas únicas
alfabeto de gestos e sinais

do dizer ao fazer
tudo por elas era

vê como falam as mãos
como quebram o silêncio
atenta nelas e ouve

encontrarás nas mãos as respostas
para as perguntas que não fizeste
nelas tudo é claro e transparente

olha as mãos
como se um outro corpo
e não o são

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(torreira; 2016)

 

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a beleza do sal (28)


o milagre do sal

vamos encaminhando
a água
até chegar aos talhos

em dias de sol
forma-se o sal que nós
com trabalho e suor
tiramos

como é que a água
se transforma em sal
isso é milagre

assim me explicaram
de forma clara e simples

não ganham que baste
para contratar consultores
que lhes expliquem

o milagre

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rer

(morraceira; 2016)

crónicas da xávega (220)


então farão postais

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vêm de longe as vozes
conheci algumas
respeitei muitas
conheci-os um pouco

homens mulheres
gente desta terra
de onde sempre
para o mar se partiu
e onde nem sempre
se regressou

ficou o mar
na areia varados
o barco e a arte
a companha renovada

até um dia
em que na praia vazia
deles só a areia
se lembrará

então farão postais

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(torreira; 2016)