crónicas da xávega (303)


 

alguns são meus amigos
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o carregar do saco 

 
não são capa de revista
não têm nome
são apenas um número
na estatística
 
sabe-se deles quando
à mesa peixe fresco
da costa fala do verão
 
são em fim de vida
o que no início alguns
voltam por ser pouca
a paga por tantos anos
parcas as reformas
 
deles só sei que
 
não são capa de revista
não têm nome
são apenas um número
na estatística
 
alguns são meus amigos
 
(praia de mira; 2009)

crónicas da xávega (254)


da casa e do mar

moro ao pé do mar
e não o vejo
das minhas janelas

ouço-o nas noites
de temporal
entra na casa como
se sua e eu

as vistas da casa
são outras casas
com outros eus

chamam a isto
cidade
porque muitos

saio de casa
em direcção ao mar
e é sozinho
que me reencontro

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(praia de mira; 2009)

crónicas da xávega (223)


“Os intérpretes de vidas

…. Até que ponto podemos fiar-nos nos nossos amigos e conhecidos e sócios, nos nossos amores, nos nossos pais e nos nossos filhos? Quais as suas tentações e debilidades, ou o seu grau de lealdade e a sua fortaleza? …. E mais ainda: podemos prever que amigos vão virar-nos as costas um dia e converter-se em nossos inimigos? …. Podemos fiar-nos em nós, em que não seremos nós que mudaremos e nos viraremos e atraiçoaremos, que invejaremos um dia quem hoje mais amamos e não poderemos suportar o seu contacto nem a sua presença, e decidiremos reger-nos só pelo nosso ressentimento? …… “

(in Javier Marias, “O teu rosto amanhã”, 3º volume, “ Veneno e sombra e adeus” )

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depois de muita luta o barco ganhou o mar e fez o lanço

(praia de mira; 2010)

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depois de muita luta o barco ganhou o mar e fez o lanço