alfredo cunha expõe no museu martímo de ílhavo


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Alfredo Cunha expõe no Museu Marítimo de Ílhavo “UMA NOITE NO MAR”

Este trabalho de Alfredo Cunha, fotógrafo de muitos talentos, humaniza os tripulantes das traineiras, exalta os seus gestos e restabelece a harmonia das máquinas de navegar com os caçadores de peixes. Num registo de grande fotojornalista, intuitivo e experimentado em múltiplos lugares de fotografia e de vida, Alfredo Cunha registou à sua maneira “Uma Noite no Mar”. Numa noite de vésperas de S. João, embarcou na traineira “Henrique Cambola” e saiu de Matosinhos em busca de bons mares. Habituado a ambientes hostis, por horas fez-se pescador e tripulante e fotografou as águas de estanho da noite que se despedia. Registou os gestos do mestre e dos pescadores, praguejando entre si, içando as redes e sacudindo o peixe miúdo, que resultou nesta inédita exposição de 40 de fotografias organizada pelo Museu Marítimo de Ílhavo e num extraordinário catálogo.

http://www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt/frontoffice/pages/99?event_id=473

BIOGRAFIA do autor

Alfredo de Almeida Coelho da Cunha nasceu em Celorico da Beira em 1953.
Começou a carreira profissional ligado à publicidade e fotografia comercial em 1970. Tornou-se colaborador do J
ornal Notícias da Amadora em 1971.

Ingressou nos quadros do jornal O Século e O Século Ilustrado (1972), na Agência Noticiosa Portuguesa — ANOP (1977) e nas agências Notícias de Portugal (1982) e Lusa (1987). Foi fotógrafo oficial do Presidente da República António Ramalho Eanes, entre 1976 e 1978. Em 1985 foi designado fotógrafo oficial do Presidente da República Mário Soares, cargo que exerceu até 1996.

Foi editor de fotografia no jornal Público entre 1989 e 1997, altura em que integrou o Grupo Edipresse como editor fotográfico. Em 2000, tornou-se fotógrafo da revista Focus.
Em 2002, colaborou com Ana Sousa Dias no programa
Por Outro Lado, da RTP2. Entre 2003 e 2012, foi editor fotográfico do Jornal de Notícias e diretor de fotografia da agência Global Imagens. Atualmente, trabalha como freelancere desenvolve vários projetos editoriais. A sua primeira grande reportagem foi sobre os acontecimentos do dia 25 de abril de 1974.

Alfredo Cunha recebeu diversas distinções e homenagens, destacando-se a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1995) e as menções honrosas atribuídas no Euro Press Photo 1994 e no Prémio Fotojornalismo Visão|BES 2007 e 2008. Realizou várias exposições individuais e coletivas de fotografia, como Da Descolonização à Cooperação (1983) e Portugal Livre (1974). Das dezenas de livros de fotografia que já publicou destacam-se Raízes da Nossa Força (1972), Vidas Alheias (1975), Disparos (1976), Naquele Tempo (1995), O Melhor Café (1996), Porto de Mar (1998), 77 Fotografias e um Retrato (1999), Cidade das Pontes (2001),Cuidado com as Crianças (2003), A Cortina dos Dias (2012), Os Rapazes dos Tanques (2014), Toda a Esperança do Mundo (2015), Felicidade (2016) e Fátima — Enquanto HouverPortugueses (2017).

Alfredo Cunha fotografa com máquinas Fujifilm X e é um dos X Photographers da Fujifilm Global.

https://www.portoeditora.pt/autor/alfredo-cunha

(Da exposição “Uma noite no mar” inaugurada no dia 19 de Maio de 2018, fica o registo possível)

postais da ria (178)


boas fotos

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chegaste agora
não sabes os nomes
não conheces as histórias
trazes contigo uma máquina de fotografar
olhas e encontras o motivo

disparas repetidas vezes
gostas do que viste e registaste
ignoras tudo o que para além do registo
desfrutas do olhar e sorris
quando lês o exif

e se
a perspectiva real for inversa da registada ?
e se
aquele homem ao fundo tiver nome ?
e se
o que ele traz no braço for parco para tantas horas
de esforço quase insuportável ?

e se
em vez de olhares e fazeres (digo eu)
um registo interessante de perspectiva
procurasses respostas para o que registas ?

então
não estarias aqui de férias em busca de imagens
serias mais um na comunidade e isso
meu amigo aqui pode ser perigoso

boas fotos

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(torreira; junho; 2016)

os moliceiros têm vela (223)


a fotografia, a tradição, a memória e os interesses

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a limpidez da memória no registo do momento

não há nada pior que um povo sem história, não é povo sequer. e o que é a história senão o somatório das memórias preservadas?

a fotografia é, desde que surgiu, mais um instrumento de construção da história, porque produtora de memória, com a relevância de ser um registo visual e de impacto.

desdenhar da fotografia é desdenhar da história e da memória. é desdenhar do povo e da sua cultura.

sujar o campo visual da reconstrução da memória é sujar a memória do registo intemporal, quem dera, do momento.

entendam agora porque sou contra o acompanhamento da “regata da ria” por praticantes de kite surf: sujam a memória, impedem o registo limpo de um tempo recuperado.

virá o tempo em que perguntarão porque se estragaram momentos tão belos. mas será tarde para impedir a ganância de alguns, a ignorância de outros, a falta de cultura de muitos e a indiferença da maioria.

poderíamos cantar aqui, assim: assim se desfaz portugal!

0 ahcravo_DSC_1442_regata bico 2012, a partida

é tão frágil esta beleza perante a ignorância

(murtosa; regata do bico; 2012)

crónicas da xávega (154)


dar voz a quem

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saco seco, sacudido, para cima da zorra

a fotografia aos fotógrafos
a poesia aos poetas
nada mais vos quero deixar
que a memória das gentes
as palavras do que sinto
sou ou tento ser

tenho a noção
do quão pouco valho
mas não seja por isso
que nada faça

como esta gente carrega
as redes que ao mar se hão-de fazer
também eu dou o que tenho
sabendo que mesmo pouco
falta fará que seja feito

leio vejo escuto
com nada fico
se tenho dou reparto
migalhas sejam
como estas

pão à mesa de quem
não tem voz

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a companha são todos

(torreira; companha do marco; 2015)