os moliceiros têm vela (262)


há eleições? repara-se o moliceiro!

“notícia é quando um homem morde num cão, e não o contrário”

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o moliceiro da câmara da murtosa com duas velas

haverá alguns dias aparecia na página do facebook do município da murtosa, uma publicação com o seguinte título “BARCO MOLICEIRO DA CÂMARA DA MURTOSA EM MANUTENÇÃO NO ESTALEIRO DA PRAIA DO MONTE BRANCO” -https://www.facebook.com/municipiodamurtosa/posts/1349085255169813:0. amigos houve que partilharam esta publicação como se de algo extraordinário fosse …

e não é que é mesmo! é que não se percebe porque é que aquilo que todos os moliceiros resistentes fazem nesta época do ano, reparação e manutenção – aproximam-se as regatas –, há-de ser notícia? será por ser o moliceiro da câmara municipal? só se for.

no entanto é capaz de ser mesmo notícia relevante, será que não houve reparações desde 2013? se houve, desculpem mas não dei por ela, nem foi objecto de qualquer publicação na mesma página….

(um amigo segreda-me: você fala porque não vive cá…..)

recordo agora que em 2013 fiz no meu blog, e no facebook, uma publicação sobre uma situação análoga, então com publicação em jornal – ainda não havia página no facebook. vejam o que se passava, leiam:
https://ahcravo.com/2013/08/16/murtosa-moliceiro-da-autarquia-alvo-de-manutencao/

coincidências! 2013 e 2017 são anos de eleições autárquicas. não é que na murtosa esteja em causa a mudança de executivo, mas sempre são eleições e eu, neste caso e a bem do moliceiro municipal, começo a pensar que devia de haver eleições todos os anos.

lembro-me de em 2012 não ter havido regata da ria por falta de fundos, de se ter feito uma manifestação, da torreira a aveiro, com alguns moliceiros, de caras tapadas com plástico preto, bandeira preta e um cartaz a dizer “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”.

em 2013 fez-se a regata e o candidato à câmara de aveiro, ribau esteves, até veio à torreira dar a partida. coincidência?

(o amigo insiste: você fala porque não vive cá…..)

quanto a outros parágrafos da publicação, que davam pano para mangas, quero só tocar no que mais me interessa, o apoio aos donos dos moliceiros resistentes. escreve-se, e transcrevo, “ No último ano, os prémios atribuídos pela autarquia ascenderam, na globalidade, a mais de 10.000 euros”. tanto dinheiro! quanto é que dá por barco? chega para garantir os custos de reparação e pintura, sem falar já nos de manutenção? (nunca menos de 1.500 euros, pelo que me dizem) mas o valor desta reparação e pintura do moliceiro municipal deve servir de indicador e ajudar a ver quanto custa.

(algures em pardelhas há um homem que deixa a porta e, no sossego do escritório, começa escrever: este turista que vem de coimbra tirar umas fotos a correr pela praia …)

encontramo-nos na primeira regata, a da ria.

(nota: no que diz respeito ao museu estaleiro do monte branco – é assim que é designado na página da autarquia – já me pronunciei em tempo sobre ele https://ahcravo.com/2015/01/31/cada-cavadela-cada-minhoca/)

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e terminará em quarto lugar

(regata da ria; 2014)

os moliceiros têm vela (250)


o meu amigo ti zé rebeço

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o ti zé sempre

que idade tem um homem
quando é um homem de todas as idades?

o que pesa aos ombros de um homem
quando o que carrega é a própria vida?

um mastro de moliceiro
foi tronco de árvore
é hoje a raiz de uma gente
onde a bandeira de um povo
ergue a voz de ser ainda

amanhã ti zé
amanhã iremos sempre à ria
seremos todos os que já foram
todos os que hão-de ser
sabendo que aqui
o moliço foi rei
e os homens quando falavam
empenhavam a palavra

ainda os há ti zé
ainda os há
os de palavra aqui

(regata do bico; 2016)

o vídeo da regata

(todos os anos no primeiro fim de semana de agosto realiza-se na murtosa, no cais do bico, a festa do emigrante.

o ponto alto é no domingo, depois de almoço, a regata de moliceiros. sempre a festa maior da ria.

este vídeo, mais um registo para memória futura, foi feito com a câmara colocada na bica da proa do moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço, moliceiro dos velhos tempos e que bebe na ria a vida de cada dia, aos 76 anos idade. é seu camarada, nos últimos anos, manuel antão.

procurei neste registo não fazer corte de tempos que “parecem” mortos, fica à responsabilidade de quem o vir, segundo a sua sensibilidade e ligação à ria, fazer os cortes que achar por bem – acelerando, por exemplo, durante alguns momentos a passagem do vídeo e voltando ao normal quando o entender.

que corte quem vê e não quem faz é o meu critério neste tipo de registos.)

 

nasceu uma associação de fotografia na murtosa


fazia falta, faz sempre falta

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joão cruz, celestino silva e horácio graça

hoje dia 11 de fevereiro de 2017, pelas 16h30m, nas instalações do museu municipal COMUR, na murtosa, realizou-se a assembleia constitutiva da AFAVM – Associação de Fotografia e Artes Visuais da Murtosa.
foram 51 os sócios fundadores, somos 51 os sócios fundadores, somos já muitos, mas nunca somos bastantes. faltas tu.
fica o registo do preenchimento dos termos de aceitação pelo vogal da direcção, celestino silva, e do vice-presidente da assembleia geral, horácio graça, sob o olhar atento do presidente da direcção, joão cruz.
como é tradicional desejo – desejamos todos – à nova associação “longa vida” e grandes realizações.
fazia falta, faz sempre falta

postais da ria (195)


notas de um retirante

enguias, onde?

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a receita “caldeirada de enguias à murtoseira”, tem imagem de marca e é única.

a receita, entenda-se.

agora fica a pergunta: ainda há enguias na ria? ainda há quem possa fazer vida da apanha de enguias? as enguais ainda são uma riqueza da ria?

em tempos de haver moliço e a ria ser a de eu me lembrar, apanhava-se enguia à certela, à fisga, ao candeio, à chincha, com galrichos ……

apanhava-se porque havia. e agora?

a companha do manel trabalhito, pai, apanhava-as à chincha de pareja, o filho continuou, não sei se ainda continua. o henrique “orelhas” continua com a chincha de pareja. na torreira são os que conheço.

haverá talvez 2 pescadores, poucos mais, que apanham algumas enguias com galrichos, mas com bateiras atracadas no lado da serra: bestida, murtosa, bunheiro ……

as enguias que se comem no concelho e nos festivais gastronómicos; as que a comur conserva e vende; as que a maior parte dos restaurantes serve…. todas essas, de onde vêm?

há enguias na ria? há, sim senhor. mas há quantos anos não chegam para as encomendas?

neste galricho vão 2, nos galrichos todos foram para aí 3 ou 4 – em 2012, com o armando bastos (piço) e o emanuel (rico).

não adianta esconder o sol com a peneira. fazem-se boas caldeiradas nos restaurantes do concelho da murtosa, mas em quantos se comem enguias da ria e quantas vezes?

vale a pena procurar e perguntar e só depois escrever.

(2012)

os moliceiros têm vela (243)


notas de um retirante

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para que conste

em 1999 o mestre zé rito, que tinha o estaleiro ao lado de casa, construiu, a céu aberto num terreno em frente ao estaleiro, o moliceiro “zé rito”.

em 2016, o mestre zé rito construiu, a céu aberto num terreno ao lado do “museu estaleiro do monte branco”, o moliceiro “um sonho”.

evolução? continuidade? o que mudou para que tudo continuasse na mesma.

aqui fica o convite para visitarem o museu estaleiro e aprenderem vendo.

(construção do moliceiro “um sonho”; 2016)