de véspera


de véspera

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de véspera
fazer as malas
as despedidas
pôr o bacalhau de molho

de véspera
fazer a preparação
para o exame do dia seguinte
matar o perú

de véspera
a ansiedade porque
tentar dormir para
dizem de mim que cedo chego

de véspera
ninguém morre
ninguém nasce

de véspera
nem estas palavras

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(praia de buarcos; 2016)

voa


 

voa

 

 

o céu não

é onde dizem

é onde

quiseres que seja

 

estende os braços

não há vazios

em torno de ti

apenas outros braços

ignorando também

que podem voar

 

é tempo de roda

e saltar à corda

escorregas e malha

e gargalhadas soltas

 

voa

 

(skim board; buarcos)

de passagem


agora é

o sábio

escuta o silêncio

lê na luz

estende as mãos à chuva

a verdade é-lhe estranha

aceita

a procura de

sempre

 

o sábio

sabe que não sabe

dorme por fora apenas

por dentro

no silêncio da sombra iluminada

tudo nasce e existe

 

o sábio

sabe ser agora

é essa a sua única sabedoria

se lhe perguntares

o que sabe

 

está de passagem

sempre

 

(buarcos)