crónicas da xávega (218)


c.p. 3870-155

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o mar não é falso
é da sua natureza imprevisível ser

falsos serão os que
quando deles se espera que homens

coisa de fraco valor se revelam
por tão pouco se venderem

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(torreira; 2016)

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postais da ria (230)


escrevo-me aqui

a certidão de nascimento
diz onde nasci nada mais

tenho um endereço
uma rua um número de porta
um andar um espaço
onde correio recebo e durmo

escrevo minha gente
e encontro-a em qualquer geografia
se de injustiça vítimas forem

a minha terra é uma aldeia
onde de centenárias raízes
bebo a água dos dias por haver

escrevo-me aqui

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(torreira; s. paio; 2017)

postais da ria (227)


iludi-me

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torreira, 2016_o arrumar das redes da solheira

da estrada larga
dos luminosos caminhos
infinitamente breves
o maior está feito

o sonho a ilusão
aquilo que me fez correr
hoje nada mais que memória

olho para tudo
com o cansaço de ter feito
sem saber se algo feito foi

tenho a sensação de deixar
tudo como era
faz bem perder as ilusões

sempre me senti barco
mas iludi-me com o porto

iludi-me