ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO [ Porto 1968 ]


POESIA Y OTRAS LETRAS

Créditos: http://www.vozdapovoa.com

Sabemos que o sofrimento social rompe os laços coletivos e intersubjetivos da experiência e debilita gravemente a subjetividade. Assim o diz António Pedro Ribeiro em seu poemario Dez Pés abaixo do mundo, Editora Exclamação, 2017. Os tipos de experiência social que ocorrem no contexto de espaços feridos não podem ser reduzidos a explicações médicas, previsões burocráticas ou padrões estatísticos de objetividade. É uma forma de estar num mundo traumático, difícil de comunicar, raramente verbalizado, com um enorme potencial para desestabilizar o universo simbólico, e cujo alcance epistemológico não é particularmente compatível com conceitos tão absolutistas como verdade ou mentira. Pedro Ribeiro dá voz a esta esfera em que vive. A sua è uma experiência implícita em detalhes fragmentários e descontínuos, sutis expressões verbais associadas à intensidade emocional, estados alterados de consciência com alguns incertos traços da memória que caracterizam a sociedade portuguesa. O processo de Pedro Ribeiro…

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Ângelo de Lima [ Porto 1872 – Lisboa 1921 ]


POESIA Y OTRAS LETRAS

A confusão da matéria e do espírito em que Ângelo de Lima se afundou, é mais do que uma confusão de palavras. No sentido de que a palavra, como legítima e lógica, não admite interferências no livre desenvolvimento do delírio de que o poder gostaria ver aprisionado. Na medida em que se podem apreciar os versos deste poeta, valida-se a legitimidade de uma concepção da realidade (alternada por luzes e trevas) e de todas as ações que derivam dela, como caminhos que se perdem na floresta da dor da qual o escritor nunca saiu e nunca sequer entrou.

Os poemas apresentados procedem de Orpheu, Revistra Trimestral de Literatura, directores Fernando Pessoa, Mario de Sá-Carneiro, n°2, 1915. O poema Pára-me de repente o Pensamento… foi publicado em várias revistas literárias, com ligeiras alteraões, de 1900 (O Portugal) a 1935 (Sudeste). Na transcrição dos textos…

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MATILDE CAMPILHO

MATILDE CAMPILHO


poesia sempre

POESIA Y OTRAS LETRAS

[ Lisboa 1982 ]

Créditos da imagem: https://recantodopoeta.com

A cadência, a variação rítmica e a musicalidade da linguagem são os elementos que caracterizam a poesia da jovem poetisa Matilde Campilho. As primeiras páginas do seu livro, Jóquei, abrem-se com letras de ritmo sincopado que exploram, através de imagens e narrações, uma interpretação pessoal da experiência vivida pela autora, ou seja, entre os dois lados do continente americano e europeu. Não é por acaso que em algumas composições, palavras e frases são lidas em inglês; assim como não é tão casual o uso de expressões pertencentes à cultura brasileira.

A relação semântica e estrutural entre microtexto e macrotexto, é subserviente ao diálogo que o ego lírico entretém com o homem amado, cuja imprudência sem abandono se torna o ritmo de uma improvisação de jazz que se refere a um certo surrealismo. Um ritmo, deve-se enfatizar, que não segue necessariamente os…

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MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA [Lisboa 1959]


poesia y otras letras

POESIA Y OTRAS LETRAS

Créditos:
https://arlindo-correia.com

Dentro do panorama atual, esta escritora pode ser considerada a herdeira de um romantismo que nunca deixou de influenciar as letras portuguesas. O espaço interior da casa encerra em seus versos o pouco que resta de um amor junto aos objetos, roupas e aromas que o recordam. Este espaço representa a introspecção da voz feminina perante a fragilidade dos momentos vividos. O amor e a morte são também elementos indivisíveis em sua poesia, porque formam um todo na solitária circularidade da nostalgia, onde só se pode escrever da angústia da perda.

Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos. Puseram-se a contar pelos dedos os barcos que faltariam para chegar o verão. Nenhum deles falava. Tinham passado juntos algumas noites, num quarto sem vista. E, embora julgassem o contrário, não conheciam um do outro muito mais do que isso. Estavam ali sentados para ver se acontecia alguma coisa. No…

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FERNANDO PESSOA


poesia y otras letras

POESIA Y OTRAS LETRAS

Sul fascismo, la dittatura militare e Salazar.

È appena uscito presso l’editrice Quodlibet di Macerata un volume a cura di Vincenzo Russo, nel quale si raccolgono una serie di testi inediti dello scrittore e poeta portoghese Fernando Pessoa . Gli scritti del poeta portoghese sono stati pubblicati e presentati per la prima volta dall’accademico José Barreto nel 2015: Sobre o Fascismo, a Ditadura militar e Salazar, Lisboa, Tinta-da-China. La traduzione dell’eccellente Introduzione scritta da Barreto è presente nell’edizione italiana.

Il lettore si troverà davanti a un corpus di scritti politici e poeticidel noto poeta portoghese che ricoprono un arco temporale di dodici anni (1923 – 1935). In quanto uomo di lettere e di cultura, Fernando Pessoa prese partito nei confronti del fascismo italiano, il nazismo tedesco e la dittatura militare di António de Oliveira Salazar e del suo Estado Novo. Ne viene fuori un quadro in cui si…

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António Osório


poesia y otras letras

POESIA Y OTRAS LETRAS

[ Setúbal 1933 – 2021 ]

Créditos da imagem: http://www.escritas.org

De A Raiz afectuosa até Décima Aurora, quatro livros lhe bastaram para demarcar um espaço poético partilhado entre o enraizamento da vida e o olhar mortal que corroi e a transforma em amor. Sua poesia tenta operar uma espécie de homeostasia entre o homem e o mundo natural, onde as pulsações deste parecem não ter peso, a ponto de adquirir repercussões poéticas inesperadas. Influenciado pela tradição italiana (a mãe do poeta era de origem italiana), a escrita de António Osório realça a dimensão ética dos sentimentos como a gratidão, para libertar o ego de qualquer maldade e torná-lo digno de uma sabedoria quase redentora.

do livro: A raiz afectuosa (1972)



Tempestade

Como no último dia do ódio de Deus,
chove fogo e argila.

Sob o rufar dos telhados, sós, à janela,
esperam as crianças no claustro de seus olhos.





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PEDRO TIERRA (Hamilton Pereira da Silva)


poesia y otras letras

POESIA Y OTRAS LETRAS

[ Tocantins, Brasil, 1948 ]

Créditos da imagem: pt.org.br

As armadilhas que atualmente infligem feridas às democracias ocidentais modernas são a continuação de um mecanismo heterodireto que já atingiu muitos países latino-americanos no passado. Entre eles o Brasil, que em 1976 sofreu uma série de atrocidades terríveis e monstruosas contra homens e mulheres protestando contra a ditadura. Durante esse período de opressão nas prisões houve o horror da tortura, que também cruelmente se estendeu às famílias dos presos políticos. Entre eles estava também Pedro Tierra, poeta e militante que passou pela escuridão da violência oficial na qual sangue e lágrimas se fundiram com sua criatividade poética na tentativa de salvar a ternura como uma conotação de verdade.

Embora muitos anos se tenham passado desde aqueles eventos traumáticos que afetaram fortemente o povo brasileiro, a liberdade recuperada ainda apresenta feridas; feridas que se espalharam para outros povos de diferentes continentes. De…

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CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]

CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]


POESIA Y OTRAS LETRAS

Créditos da imagem: https:⁄⁄revistacaliban.net

No Livro das Quedas. Ars Moriendi (Roma Editora, 2005), para Casimiro de Brito a morte é um acontecimento trágico e angustiante, porque vê nela a tremenda foice que corta inexoravelmente e cruelmente o fio da existência, afundando as pessoas no abismo do nada. Apesar da certeza que o autor coloca sobre o fato de que com a morte o ser do homem não está extinto, no entanto, isso marca o fim de uma prova irrepetível. Como situação decisiva da vida, a morte representa, em comparação com a vida, uma passagem para um outro lugar para o qual se pode ir como a própria fundação, como para aquilo em que se encontrará a realização, mesmo que incompreensível… (“a vida do mundo é um bem ilusório”, Alcorão, 3, 185) porque é e permanece excluído das possibilidades cognitivas do intelecto.

2 Um homem vai no seu corpo e subitamente…

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CARLO GUERRINI [ Perugia 1959 ]


e há um moliceiro que corre mundo

POESIA Y OTRAS LETRAS

Le somiglianze che possono intercorrere tra l’oceano e le profondità della mente sono tante e tali che si amalgamano nelle fluidità sotterranee e celesti che danno forma visibile e invisibile alla stessa realtà. I fossili viventi del mare e le energie arcaiche della psiche si manifestano con l’intento di arricchire gli uni le acque nella fredda oscurità, le altre nel continuo accumulo di esperienze, indipendentemente dal fatto di essere coscienti della loro esistenza. Da ciò si ricava che le correnti della marea amniotica che attraversano l’io più profondo sono simili alle leggi naturali che reggono il flusso ritmico del sole e della luna.

È quanto traspare nel volume di versi Sotto invariate stelle (aguaplano, 2014) di Carlo Guerrini, dove la massa acquatica dell’oceano cantata dall’autore si pone al centro delle sue riflessioni. Il richiamo chiaro e selvaggio che esercita il mare nella coscienza del poeta lo rendono contemplatore delle sue…

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MARIA GRACIETE BESSE


POESIA Y OTRAS LETRAS

[ Monte de Caparica, Almada, Portugal, 1951 ]

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No volume de Maria Graciete Besse, Na inclinação da luz, percebemos a presença da finitude e, portanto, a imperfeição da qual se vêem circunscritas as pessoas, as coisas e as memórias. Então, estamos diante de um ego que não é capaz de manifestar sua plenitude e, portanto, acaba sendo imperfeito. Adversidade, culpa, sofrimento e morte denotam a radical finitude da existência humana, que é um incessante esforço em direção ao ser, sem nunca ser capaz de alcançá-la; mas é também uma incessante sujeição à tensão da transcendência. Desta forma é definida uma escolha do tipo expressionista que permite à autora uma ampla capacidade de ação, onde a verdade biográfica tem poucas alegrias a expor e em seu lugar aparece o aspecto mais inquieto de seu ser, tão próximo da perturbação.

Para concluir, estes breves poemas não aprisionam…

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