MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA [Lisboa 1959]


poesia y otras letras

POESIA Y OTRAS LETRAS

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https://arlindo-correia.com

Dentro do panorama atual, esta escritora pode ser considerada a herdeira de um romantismo que nunca deixou de influenciar as letras portuguesas. O espaço interior da casa encerra em seus versos o pouco que resta de um amor junto aos objetos, roupas e aromas que o recordam. Este espaço representa a introspecção da voz feminina perante a fragilidade dos momentos vividos. O amor e a morte são também elementos indivisíveis em sua poesia, porque formam um todo na solitária circularidade da nostalgia, onde só se pode escrever da angústia da perda.

Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos. Puseram-se a contar pelos dedos os barcos que faltariam para chegar o verão. Nenhum deles falava. Tinham passado juntos algumas noites, num quarto sem vista. E, embora julgassem o contrário, não conheciam um do outro muito mais do que isso. Estavam ali sentados para ver se acontecia alguma coisa. No…

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FERNANDO PESSOA


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POESIA Y OTRAS LETRAS

Sul fascismo, la dittatura militare e Salazar.

È appena uscito presso l’editrice Quodlibet di Macerata un volume a cura di Vincenzo Russo, nel quale si raccolgono una serie di testi inediti dello scrittore e poeta portoghese Fernando Pessoa . Gli scritti del poeta portoghese sono stati pubblicati e presentati per la prima volta dall’accademico José Barreto nel 2015: Sobre o Fascismo, a Ditadura militar e Salazar, Lisboa, Tinta-da-China. La traduzione dell’eccellente Introduzione scritta da Barreto è presente nell’edizione italiana.

Il lettore si troverà davanti a un corpus di scritti politici e poeticidel noto poeta portoghese che ricoprono un arco temporale di dodici anni (1923 – 1935). In quanto uomo di lettere e di cultura, Fernando Pessoa prese partito nei confronti del fascismo italiano, il nazismo tedesco e la dittatura militare di António de Oliveira Salazar e del suo Estado Novo. Ne viene fuori un quadro in cui si…

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António Osório


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POESIA Y OTRAS LETRAS

[ Setúbal 1933 – 2021 ]

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De A Raiz afectuosa até Décima Aurora, quatro livros lhe bastaram para demarcar um espaço poético partilhado entre o enraizamento da vida e o olhar mortal que corroi e a transforma em amor. Sua poesia tenta operar uma espécie de homeostasia entre o homem e o mundo natural, onde as pulsações deste parecem não ter peso, a ponto de adquirir repercussões poéticas inesperadas. Influenciado pela tradição italiana (a mãe do poeta era de origem italiana), a escrita de António Osório realça a dimensão ética dos sentimentos como a gratidão, para libertar o ego de qualquer maldade e torná-lo digno de uma sabedoria quase redentora.

do livro: A raiz afectuosa (1972)



Tempestade

Como no último dia do ódio de Deus,
chove fogo e argila.

Sob o rufar dos telhados, sós, à janela,
esperam as crianças no claustro de seus olhos.





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PEDRO TIERRA (Hamilton Pereira da Silva)


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POESIA Y OTRAS LETRAS

[ Tocantins, Brasil, 1948 ]

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As armadilhas que atualmente infligem feridas às democracias ocidentais modernas são a continuação de um mecanismo heterodireto que já atingiu muitos países latino-americanos no passado. Entre eles o Brasil, que em 1976 sofreu uma série de atrocidades terríveis e monstruosas contra homens e mulheres protestando contra a ditadura. Durante esse período de opressão nas prisões houve o horror da tortura, que também cruelmente se estendeu às famílias dos presos políticos. Entre eles estava também Pedro Tierra, poeta e militante que passou pela escuridão da violência oficial na qual sangue e lágrimas se fundiram com sua criatividade poética na tentativa de salvar a ternura como uma conotação de verdade.

Embora muitos anos se tenham passado desde aqueles eventos traumáticos que afetaram fortemente o povo brasileiro, a liberdade recuperada ainda apresenta feridas; feridas que se espalharam para outros povos de diferentes continentes. De…

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CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]

CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]


POESIA Y OTRAS LETRAS

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No Livro das Quedas. Ars Moriendi (Roma Editora, 2005), para Casimiro de Brito a morte é um acontecimento trágico e angustiante, porque vê nela a tremenda foice que corta inexoravelmente e cruelmente o fio da existência, afundando as pessoas no abismo do nada. Apesar da certeza que o autor coloca sobre o fato de que com a morte o ser do homem não está extinto, no entanto, isso marca o fim de uma prova irrepetível. Como situação decisiva da vida, a morte representa, em comparação com a vida, uma passagem para um outro lugar para o qual se pode ir como a própria fundação, como para aquilo em que se encontrará a realização, mesmo que incompreensível… (“a vida do mundo é um bem ilusório”, Alcorão, 3, 185) porque é e permanece excluído das possibilidades cognitivas do intelecto.

2 Um homem vai no seu corpo e subitamente…

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CARLO GUERRINI [ Perugia 1959 ]


e há um moliceiro que corre mundo

POESIA Y OTRAS LETRAS

Le somiglianze che possono intercorrere tra l’oceano e le profondità della mente sono tante e tali che si amalgamano nelle fluidità sotterranee e celesti che danno forma visibile e invisibile alla stessa realtà. I fossili viventi del mare e le energie arcaiche della psiche si manifestano con l’intento di arricchire gli uni le acque nella fredda oscurità, le altre nel continuo accumulo di esperienze, indipendentemente dal fatto di essere coscienti della loro esistenza. Da ciò si ricava che le correnti della marea amniotica che attraversano l’io più profondo sono simili alle leggi naturali che reggono il flusso ritmico del sole e della luna.

È quanto traspare nel volume di versi Sotto invariate stelle (aguaplano, 2014) di Carlo Guerrini, dove la massa acquatica dell’oceano cantata dall’autore si pone al centro delle sue riflessioni. Il richiamo chiaro e selvaggio che esercita il mare nella coscienza del poeta lo rendono contemplatore delle sue…

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MARIA GRACIETE BESSE


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[ Monte de Caparica, Almada, Portugal, 1951 ]

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No volume de Maria Graciete Besse, Na inclinação da luz, percebemos a presença da finitude e, portanto, a imperfeição da qual se vêem circunscritas as pessoas, as coisas e as memórias. Então, estamos diante de um ego que não é capaz de manifestar sua plenitude e, portanto, acaba sendo imperfeito. Adversidade, culpa, sofrimento e morte denotam a radical finitude da existência humana, que é um incessante esforço em direção ao ser, sem nunca ser capaz de alcançá-la; mas é também uma incessante sujeição à tensão da transcendência. Desta forma é definida uma escolha do tipo expressionista que permite à autora uma ampla capacidade de ação, onde a verdade biográfica tem poucas alegrias a expor e em seu lugar aparece o aspecto mais inquieto de seu ser, tão próximo da perturbação.

Para concluir, estes breves poemas não aprisionam…

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MARIA BEATRIZ SEABRA [Lisboa 1992]

MARIA BEATRIZ SEABRA [Lisboa 1992]


POESIA Y OTRAS LETRAS

"Poética do momento", com esta expressão pode-se definir o volume de Maria Beatriz Seabra, «Caminhar em terra mole». A razão desta afirmação deriva do fato de que o instante não se apresenta como um segmento de duração, mas com o indivisível do tempo, ao contrário do ponto que é o indivisível da linha. No entanto, a comparação precisa uma diferença de conceitos entre o ponto e o instante, que de facto pode-se dizer que o instante pertence ao tempo, enquanto o ponto pertence ao espaço. 
Conceitualmente, podemos considerar o instante como uma parte do tempo: ele é necessariamente indivisível por ser o presente do tempo. No instante o ser temporal é salvo do esgotamento do tempo, possui sua unidade, a identidade que o tempo dispersa.




[nove] são importantes os acasos: infinitas sucessões de instantes que convergem no mesmo mundo e que são [propriamente falando] forças brutas com método próprio a…

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RUY BELO [ São João da Ribeira, 1933 – Queluz, 1978 ]

RUY BELO [ São João da Ribeira, 1933 – Queluz, 1978 ]


poesia sempre: ruy belo

POESIA Y OTRAS LETRAS

Sua obra é hoje considerada fundamental no marco dos anos ’60 e ’70, por por seu amplo espectro de sensações e sentimentos transmitidos com um estilo rigoroso e atento ao som dos versos. Passando da obsessão religiosa para os aspectos relacionados com a vida cotidiana e a passagem do tempo, a poesia de Ruy Belo excita por sua melancolia às vezes ingênua e outras, ao invés, mais perta do vazio que emerge do real. Soube explorar as contradições de uma educação sentimental, cuja maior lição é uma lenta aprendizagem do amor, da solidão e da morte.

PARA A DEDICAÇÃO DE UM HOMEM Terrível é o homem em que o senhor desmaiou o olhar furtivo de searas ou reclinou a cabeça ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina Não há conspiração de folhas que recolha a sua despedida. Nem ombro para seu ombro quando caminha pela tarde acima A morte…

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Jozefina Dautbegović [1948 – 2008]


a poesia sempre

POESIA Y OTRAS LETRAS

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Questa poetessa che più di settant’anni fa era nata in Bosnia-Erzegovina, a un certo punto della sua esistenza ha scelto di ancorarsi al verso per demarcare il confine che separa la vita dalla morte. Vita e morte che un altro uomo di lettere, Carlo Michelstaedter, decantava nei versi de Il canto delle crisalidi:

Vita, morte,
la vita nella morte;
morte, vita,
la morte nella vita.

il poeta e filosofo goriziano voleva rivelare con il suo pensiero le stigmate che contraddistinguevano il Novecento, secolo delle grandi infatuazioni ideologiche. Per Jozefina, il conflitto armato che ha coinvolto l’ex repubblica socialista jugoslava, ha significato un vivere in continuo stato di non appartenenza, dopo la dissoluzione del socialismo nel 1991, costringendola alla fuga. La sua è una lirica in cui i piccoli e i grandi eventi del quotidiano si manifestano per ricordarle di sottostare ad altre logiche e regole più…

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