postais da ria (346)


essencial
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torreira; cirandar; 2011

 
como a água essencial
a palavra
filtrada joeirada lavrada
 
na depuração do sonho
acordar apenas
no exacto instante em
que te beijo
 
no ramo restam as flores
com o teu perfume
nos meus dedos ainda
 
torna límpidas as manhãs
mesmo se de nevoeiro
o poema que não escrevi
 
os teus olhos são sempre
o essencial
 
postais da ria (300)

postais da ria (300)


escrevo-me

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quim marçal

caminho frágil este
o dos dias de estar aqui
escrever na areia dizem
e que mais resta quando
de água a memória
escrevo para lembrar
para sentir para saber
sigo o caminho das letras
em busca das palavras
eu perdido por aí
escrevo-me escrevo-me
talvez me encontre
(torreira; reparar redenho;2018)
postais da ria (297)

postais da ria (297)


por hoje chega

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a carregar berbigão

não sei se o rio
se fez mar ou o inverso
 
não sei se é no infinito
que duas rectas paralelas
se encontram
nunca falei com o infinito
 
a fé não salva mas alivia
 
não sei se conheço
o homem ou a sua aproximação
 
o vento já não me despenteia
porque estou careca
 
apaixonei-me pelas tuas palavras
 
por hoje chega
 

(torreira; 2017)

postais da ria (240)


deixa-os descobrir

deixa que pensem
a higiene mental diária
só lhes faz bem

ignoram porém
que tu também

as pedras no caminho
há sempre pedras no caminho
não são exclusivo de ninguém

deixa que pensem
que só as há no teu

entre a ignorância
e a sabedoria
a fronteira é ténue

deixa-os descobrir

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(torreira; saco de berbigão de 20 kg; 2009)