crónicas da xávega (322)


escrever com os olhos
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leirosa; carregar o saco; 2019

para mim, chegou ao fim mais uma época de fotografia daquilo de que efectivamente gosto. também eu tive a minha safra: o semear artesanal do arroz no baixo mondego, a ria de aveiro, com as bateiras e os moliceiros, a xávega em lavos e na leirosa, o sal na morraceira e nos armazéns de lavos.
ficam muitos registos guardados no armazém, em bruto e por trabalhar, que até à próxima época aqui estarão a dizer o como foi, a serem a memória dos dias dos homens, das mulheres e das fainas que registei.
mais que palavras é a escrita dos olhos que vou por aí deixando, sem pretensões de arte, nem de “bonitos”, mas procurando registar as fainas na sua forma mais pura: sem encenação
obrigado a todos os que registei e que, de forma efémera, oferto aos olhos de quem passa.

crónicas da xávega (315)


matola
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(praia da leirosa; alar do reçoeiro; 2019)

porque fotografar não é tirar fotografias
na praia da leirosa quem não é da terra é chamado de “matola”. nada de especial aqui haveria se o “moliceiro de mira” não tivesse esse nome.
será que este termo vai buscar as suas origens ao povoamento da leirosa e desta costa por parte dos povos da ria de aveiro, entre ílhavo e ovar?
assim “matola” tornar-se-ia identificador de uma zona a que já não pertenciam: a gândara, com a praia de mira no seu extremo norte.
para pensar e aprofundar, por quem se dedica a esta coisa da linguagem dos pescadores e ao estudo das palavras.