os moliceiros têm vela (268)


frema

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palavra da terra
das gentes
do serem dela
cheios alguns

deixo a frema
para que falem dela
e vejam
no homem a frema
de ser
e só assim continuar

o que é a frema
pergunto-vos

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(torreira; regata do s. paio; 2016)

o filme continua com

“o tempo do moliço”

 

parabéns ti abílio carteirista


parabéns ti abílio

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eis o homem da beira-ria, chama-se abílio carteirista

será que este ano são mesmo os 80? ou foi o ano passado?

quem conhece o ti abílio (carteirista) sabe bem que com ele tudo é possível.

eu acredito que este ano são mesmo 80 anos.

fala-se muito da “brejeirice da beira-ria” quando se analisam alguns painéis de moliceiros, mas só se sabe o que é a “brejeirice da beira-ria” depois de alguns momentos de convívio com o ti abílio.

fala-se do “duplo sentido” que algumas legendas de painéis de moliceiros utilizam, veja-se a alcunha “carteirista” e pensa-se logo numa interpretação, mas …… (vejam o vídeo)

o ti abílio tem também da tradição dos homens da beira-ria, no saber o valor da palavra e no reconhecer os amigos – é o que somos.

o ti abílio é a beira-ria

parabéns ti abílio, seja qual for a idade que você comemora hoje, nunca parecerá a que é.

abraço do amigo cravo

(os clips de vídeo, que registei em conversa com o ti abílio, mostram um ti abílio sério, de boa memória, muita experiência de vida e capaz de encarar o futuro com um discernimento que incomodará muitos de menos idade.
hoje o primeiro da série)

à conversa com mestre firmino tavares


dos mestres
na precisão do gesto
a mão o instrumento
o mestre

saberes herdados
na escrita dos dias
trabalhados

vai-se o mestre
fica a obra
diziam

já pouca obra
enquanto nenhuma
digo

é este o meu tempo

(torreira; 2015)

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mestre firmino tavares a trabalhar com o formão na construção do moliceiro marco silva

 

ser mestre, não é só o que hoje se diz dos que obtiveram numa universidade esse grau, é coisa muito mais antiga. de saberes de artes e ofícios, de aprendizagens de anos, de carreiras feitas sob a orientação de um “mestre”, até se atingir a qualidade e a perfeição de execução que aos mestres são exigíveis.

não é tradição dos países do sul da europa este tipo de formação e aquisição de saberes e títulos, que remontam à idade média, mas que se continuam a utilizar em muitos países europeus, começando na frança, o país mais a sul. as antigas escolas industriais preenchiam, entre nós, esta função e nelas se formavam operários especializados que recebiam ensinamentos práticos dos “mestres de oficina”.

enfim, toda uma conversa que haveria/haverá que fazer sobre este tema, mas o que agora e aqui importa é ouver “mestre” firmino tavares, último de uma família de mestres construtores navais de pardilhó, e aprender com ele o como foi, o prazer de ter sido e de ensinar a fazer, fazendo.

falar com o mestre são lições de vida que não me canso de receber. espero que depois de ouvir este breve apontamento, sem pretensões, fiquem mais ricos, como eu fiquei