quando o mar trabalha


talvez

5dia_35_DSC9614_aescolhidos e fixados estão os textos (51)

as fotos:

  • ainda se editam, na busca do melhor (87)
  • os retratos vão precisar de autorização de descendentes ou sobreviventes (maioria dos casos) ou dos próprios (não muitas) – será em em junho e julho que as conseguirei (ou não)

o livro está pois preso por pontas.

espero que venham a gostar de o ver/ter/ler tanto como eu, e os que comigo estiveram, gostámos de o fazer.

esperemos pelo sol e o mar.

talvez chegue a tempo de ir a banhos.

 

mãos de mar (12)


utensílios primordiais

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utensílios primordiais
a navalha e o bordão
no repartir do trabalho
e do seu fruto

as mãos são
as mãos de tantos quantos
para além delas
habitam o tempo
gravado no bordão

escrita sábia esta
sem palavras
escultura elementar
em louvor dos dias

parto e já não sou tão pouco
sou mais um
vejo para além do que vejo
cresci

ganhei o mar que pressinto
para ser barco homem memória

(torreira)

crónicas da xávega (189)


oração (2)

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aos homens que vencem o mar
vencendo-se a si próprios

eu que sou um deles sem o ser
só lhes peço
que sejam em terra os mesmos
de pé altivos destemidos

de joelhos só perante
o senhor dos céus
em oração

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(torreira; companha do marco; 2016)

crónicas da xávega (143)


crescer com a xávega

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não são ontem nem amanhã
são agora
começam quando querem

trazem o sal no sangue
e são de mar os seus dias
desde que se lembram

o que para uns é trabalho
para eles brincadeira
sentem-se mais um entre
pai mãe amigos

não há trabalho infantil
na xávega
há prazer desde pequeno

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(torreira; companha do marco; 2013)

crónicas da xávega (141)


resistir

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o ti américo na manga do reçoeiro, no alador

a manga no alador
corre
o fim do lanço quase

os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade

a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar

um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste

está vivo muito

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conhaque é conhaque, serviço é serviço

(torreira; companha do marco; 2015)

 

crónicas da xávega (128)


são pescadores

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o chegar do saco

há quem deixe nome
obra e fama
herança quanto baste

há quem nada deixe
porque nada foi
no tanto de ter sido

oferecem o corpo
ao mar
vestem-se de vento
e areia

perdem-se à noite
por onde mais
ninguém senão eles

são ninguém
são gente
são pescadores

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há os que partiram, os que resistem e os que já não voltam

(torreira; companha do marco; 2009)