de “O FARDO DO HOMEM BRANCO” de madalena de castro campos


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os poemas constantes deste vídeo fazem parte do livro “O FARDO DO HOMEM BRANCO”

 

(nota: este vídeo está classificado para “maiores de 18 anos”, pelo que só é visionável por quem tem canal no youtube [tem de iniciar sessão para o ver])

“HAVERÁ SEMPRE FLORES NAS ÁGUAS DESTE RIO”, leonora rosado


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biografia
leonora rosado (1971) nasceu perto de sintra.
segundo as suas próprias palavras ” procuro a nudez das palavras, o seu silêncio a sua mais alta e distante constelação”
bibliografia
Tem publicados dez livros de poesia: Dias Horizontais Noites Assim (2012, Nu Limbo Edições); O Ocaso e as Horas (2013, Nu Limbo Edições); Argila (2014, Nu Limbo Edições); A Voz Subcutânea (2015, Nu Limbo Edições); Impurezas (2016, Temas Originais); Ruptura (2016, Nu Limbo Edições); A Fenda no Sangue ( 2017, Editora Licorne); O Livro Do Sopro (2017, Editora Licorne); Trauma (2018, Editora Licorne) e Há Ténues Sinais De Cristal Nos Espelhos (2019, Edições Sem Nome).

o carnaval é todos os dias


(a conversa transcrita não é um texto de ficção mas de fricção)
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ele
boa noite….. , ainda por aqui? anda tudo cego ou não aparece nada que a satisfaça? bom carnaval, na figueira tá bom tempo
(visita ao perfil dele que logo continua)
conhecendo Coimbra como conheci, olhando para as suas fotos, as suas qualificações e o seu curriculum, é deveras estranho que aqui venha e se mantenha. que diabo, fiz mestrado na praça, pós graduação em quase todas as faculdades – mais nas letras, naturalmente – doutorei-me no tropical e ganhei bolsa pós doc quando fiz o “noites longas”, fico espantado. na cidade dos doutores e de tanto macho latino de carteira bem fornida, educação e cultura acima da média – “à mão de semear”, como se soe dizer – e a ….. vem para o ……. ! o joaquim namorado talvez explicasse com o seu humor fino, mas eu só consigo dizer que você é um “case study” e coimbra um caso perdido. vá, saia, viaje e vai ver que mesmo ao lado de si está o man que lhe falta. inté
ela
Você não sabe o que diz!!
Com tanto cursos, certamente , não serei eu um “case study”…Um pouco de inteligência não seria mau…!
Além do mais, o facto de ter conta aqui , não significa que eu faça o mesmo que o senhor por aqui, nem sequer sabe se faço algo. Não me conhece, fez juízos…remeta-se à sua insignificância …
Acha que existem assim tantas pessoas com afinidades comigo, etc…?
Fique sabendo que não pretendo dinheiro e, se você é doutorado , eu também sou….grrrrrrrr
Quantas pessoas existem como eu? Nem 0,00001%….E, deixe-me em paz…farta de gente ignorante , estou eu!
Acha que pretendo engates, Gente imatura, destituída, bons vivants, barrigudos, bigodaças, carecas, feios, porcos , maus, casados, em relações, desonestos, mal educados,…gente vulgar,…a viver às custas alheias,…etc….. NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO
E agora, diga-me onde estão esses homens disponíveis….São assim tantos??
Você vive noutro planeta! Trate-se…
Prefiro estar só que mal acompanhada ou ter que fazer o frete de aguentar um qualquer…NÃO preciso….Nunca dependi de ninguém, nem dependeria…E tb não pretendo que alguém dependa de mim…Quem quiser viver muito bem, como eu vivo, que faça por isso…
Ah…Não preciso de conselhos do que fazer com a minha vida ..
Há cada um!- !!!! Só mesmo em redes sociais…a retrete da Internet!! Que abomino!
Esteja descansado que penso sair disto muito brevemente …
É triste, muito triste. …nem alguém que deveria ter alguma educação , algum carácter, o tem!!!
ele
ufa! consegui 😎
ela
Quero lá saber do Carnaval ..
Não é divertimento que aprecie….demasiado vulgar ..excepto Veneza…
Vou até às Maldivas….

crónicas da xávega (283)


vou

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falo do incerto
do por vir

todo o início é

teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos

todo o caminho é

falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras

incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu

na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

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(torreira; 2010)

crónicas da xávega (281)


se houver deus

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como se um soldado
desconhecido
perdido nos areais da costa

estreita-se o horizonte
esfumam-se os tempos de fartura

caminha ainda
interrogo-me por quanto tempo

quando já não os houver
erguerão monumentos
escreverão histórias

venderão livros e obras bastas
quando bastava terem feito
tão pouco para que a história
fosse outra

não lhes perdoeis senhor
que quem manda
sempre perdoado é

(espinho; 2012)