crónicas da xávega (256)


a mais ninguém

cinzentos
os dias sucedem-se
monótonos diversos
suceder-se-ão

o tempo
esse assassino impune
a cada dia me leva amigos
levar-me-á

o que o tempo
me não roubou ainda
homens levaram

perdoo ao tempo
é da sua natureza
a mais ninguém

a mais ninguém

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(torreira; a escolha; 2009)

 

crónicas da xávega (251)


o meu amigo ti miguel bitaolra

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não ti miguel
não nos encontramos mais

você acreditava que ia
não sabia para onde
mas acreditava

eu quando for
vou para o mar onde você
já não estará

sei que que nos encontrámos
no melhor sítio do mundo
o nosso mundo

havia sempre o mar
ti miguel
o ti alfredo a companha

havia ti miguel
havia

os dias passam ti miguel
mas a cada dia
é mais de memória
a minha companhia

(torreira; 2009)

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falecido em 2017

crónicas da xávega (212)


destino de pescador

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à memória de cipriano brandão (gamelas)

não têm nome
são pescadores
só o mar a areia e o norte
os conhecem

quando por feitos
direito tiveram
a nome e o publicaram
a terra esqueceu-os

partem sempre um dia
humanos que são
perdem-se no nevoeiro
que sobre eles lançam

aqui estão todos
os que foram
os que ainda são
os de amanhã

não têm nome
não sei se o terão

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à memória de cipriano brandão (gamelas)

(torreira; 2016)