os moliceiros têm vela (330)


hoje

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda

o vento levou as memórias
onde habito

fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

(torreira; regata da ria; 2011)

 

reler joaquim namorado em 2018


(da memória)

bom dia dr. joaquim

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joaquim namorado retratado por jaime do couto ferreira

cheguei a coimbra em setembro de 1973 e, não me lembro já porquê, fiz do tropical o meu café. ali se juntava a tertúlia de que joaquim namorado e orlando de carvalho – este por vezes de forma ensurdecedora – eram as figuras centrais.

jovem estudante, amante da leitura, ali passava as manhãs ou tardes livres a ler e, à tarde, a ouvi-los.

é no entanto depois do 25 de abril que começam as minhas conversas, fora da tertúlia, com joaquim namorado. conversas matinais entre um esquerdelho e um comunista ortodoxo.

até ao final da vida do poeta mantive com ele conversas animadas em que muito aprendi, lembro-me de lhe mostrar uns originais para colher a sua opinião, de caneta na mão lá foi riscando, cortando ….. (perdi essas folhas, como tenho perdido muita coisa na vida)

fomos amigos e isso é o mais importante. com a morte de joaquim namorado, para mim, morreu a praça da república e já pouco fui ao tropical.

setembro de 2018

no âmbito da exposição de jaime do couto ferreira e na sequência da edição do seu livro “O Herói no “Neo-realismo mágico” a editora lápis de memórias promoveu na casa da escrita, em coimbra, duas sessões sobre o poeta joaquim namorado.

neste registo reproduz-se a totalidade da sessão de 22 de setembro de 2018, em que antónio pedro pita fez uma “releitura” da obra do poeta e uma “visita guiada” à sua vida.

rui damasceno e josé antónio franco disseram poesia