entrevista a fotogénicos _ 26/03/2012


Entrevista com António Cravo (ahcravo)

foto de etelvina almeida – o próprio, no exercício do hobby; cais do guedes; torreira; 2012

Nasci a 4 de Dezembro de 1951, em Setúbal, descendente de murtoseiros e ílhavos. Baptizaram-me com o nome de António José Cravo, que mantenho. À beira de me reformar – poucos meses, espero – sou um homem sempre em busca. No meu cartão de visita pode ler-se: mestre de artes e ofícios/construtor de memória, diz tudo, e tudo o que diz é pouco para o muito que fiz e tenho para fazer.

Como surgiu a paixão pela fotografia? 

Da forma mas natural, com uma máquina. Em Angola, quando fiquei sozinho o meu pai deixou-me a sua voïglander, depois foi começar a tirar fotos. Daí à revelação e às horas passadas na câmara escura da associação de estudantes, com uma sandes para ir comendo, foi um passo.

Faz da fotografia uma profissão ou um hobby?

A fotografia é um hobby e uma forma de proactiva de interagir com as pessoas e o meio, ou, como escreveu Mário Lúcio Sousa: “estou a morrer não estou?, então, cumpra-se a minha última vontade, quero um fotógrafo, pois o médico adia a morte e o fotógrafo perpetua a vida”. Para mim é isso a fotografia

Defino-me como mestre de artes e ofícios/construtor de memória

Possui formação especifica ou é considera-se um auto-didacta? 

Auto-didacta do mais básico

Que equipamentos e softwares usa?

Uma Nikon d80 e uma Sony s200. O software é o paintshop pro X portable

Qual é o seu equipamento de sonho/eleição? 

Não tenho. Compro sempre equipamento em fim de vida e a bom preço, por isso mesmo. O que importa é estar lá quando as coisas acontecem, ter as objectivas adequadas e saber registá-las.

Analógico ou Digital?

Agora digital, a definição depende da próxima máquina, quando necessidade e disponibilidade houver. Mantenho-me fiel à Sony porque tenho muitas objectivas herdadas da minolta 7xi

Qual a sua preferência quanto aos estilos de fotografia?

Não tenho, embora seja um ferrenho do fotojornalismo, quando se trata de xávega e da ria de Aveiro,  aí estou eu.

Quando fotografa tem um propósito em mente ou deixa-se levar pelas oportunidades que surgem?

Ambas, mas vou muitas vezes atrás do que me interessa, neste momento está-me a dar gozo fotografar skim board. Mas dentro em breve começa a xávega e a ria de Aveiro (pesca, regatas, histórias).

Que acontecimento recente mais o levou a desejar lá ter estado como fotografo e porquê?

A xávega e as regatas de bateiras e moliceiros da ria de Aveiro sempre, são o “Acontecimento” e eu estou lá sempre que posso.

Dos trabalhos fotográficos realizados, qual foi para si o mais marcante e com qual mais se identifica?

Todos os que dizem respeito à xávega, nomeadamente a contribuição para o enriquecimento do site da Junta de Freguesia da Torreira, na homenagem aos pescadores e a elaboração de cerca de 100 fotopoemas sobre os pescadores da xávega da Torreira, de que foram impressos alguns exemplares e entregues à escola local, à Junta e ao Turismo.

Que projectos na área da fotografia tem para o futuro?

Xávega, muita, e continuar o levantamento documental das artes de pesca da ria de Aveiro

Quais as perspectivas actuais e futuras, que tem, da fotografia em Portugal? 

Não tenho. As coisas acontecem independentemente de nós: acontecem. Sou um marginal activo.

Quais são os teus fotógrafos de referência?

Eugénio de Andrade e António Lobo Antunes

Qual a sua opinião acerca do nosso site e na sua óptica que melhorias poderiam ser feitas?

Gosto das alterações feitas, embora continue a pensar que o lettering lateral tem pouca visibilidade.

Deixe o link do seu site ou blog.

https://ahcravo.wordpress.com/

a entrevista: https://fotogenicos-net.blogspot.com/2012/03/entrevista-com-antonio-cravo-hacravo.html?fbclid=IwAR0uykKIlkVBVZEbPkFu_Ows3ekT3h2gqCEfBA3EOEkNEqV28pYldM_5pTI

(nota: na entrevista aparece “hacravo”, quando de facto deveria aparecer “ahcravo”, por isso corrigi mas, continua a haver cravo (hacravo), pelo menos até ver 😉

40 anos


40 anos
(princípio anos 80; café piolho; coimbra) – foto de um amigo norueguês
quarenta anos quantos
quilómetros são

os nomes somam-se
e desaparecem como os amores
os poemas os livros as paixões

as febres de todas as noites
menos às segundas
o porquê sabe quem lá andou

os cafés os cinemas o teatro
a música e um amigo 
ao ouvir as palmas no fim do concerto
a perguntar 
a quem bate esta gente palmas
ao autor ou ao intérprete

quarenta anos 
quantos quilómetros são

manel ari pedro bustorff elisa nicolau
mila saldanha vasquinho virgilio luís miranda
ml e o boi negro do júlio fortemente
aurelino paulo archer bandeirinha
os galifões pinto vitor gordo calado
todos os que não lembro 
e os que são para esquecer

o dr joaquim namorado 
o professor doutor orlando de carvalho
porque não se a voz ainda a oiço
o soveral a centelha

a rua das matemáticas
o 40 a fenda os folhetos os livrinhos
as sessões ao vivo e ao que viesse

tropical piolho moçambique pigalle
praça da república sempre
etc barmácia pinto douro
faculdade de ciências de letras
de dia de noite a qualquer hora

as letras meu deus e as ciências
que não eram exactas mas eram

coimbra até às tantas 
tantas que nem sei quantas

quarenta anos
quantos quilómetros foram
digam-me minhas santas

(escrito às 02h de 16/03/2021, na figueira da foz)

sou tudo o que aqui encontras: vídeo do lançamento


a4 copy

 

no dia 3 de setembro de 2015, foi o lançamento do livro “sou tudo o que aqui encontras” no monte branco café, na torreira.

apresentado pelo dr. diamantino moreira de matos e por mim, aqui fica o registo possível, mas integral, do acontecimento.

 

 

aviso


perigoso fugitivo da cadeia

aviso da polícia distrital a todos os elementos do sexo feminino:

hoje dia 4 de dezembro

acaba de fugir da cadeia regional dos 50
mais um sexygenário
cuidem-se

balanço 60


eu ao colo da minha avó benedita

 

há quem nasça continente

eu nasci arquipélago

 

artes e ofícios muitos

de tudo um pouco

em tudo quase nada

o mesmo

agarrar pontas e atá-las

depois mais um nó

novas pontas sempre

em busca de outro nó

a desfazer também

 

sol e mar

inquietações de barco ancorado

angústias de infinito

e um infinito de angústias

 

uma praia

onde conchas ouvem peixes

murmúrios de ondas

troncos naufragados

cordas redes fios

vómitos de mar

 

palavras

em busca de um sentido

sentindo que só a busca é

caminho

 

falei-me