memória_14052011


mãos de pescador
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torreira; 2006

há quem olhe para os carros, outros para a marca da roupa, outros para os rostos …. outros devoram com os olhos o que não comem
 
todos buscam o mesmo: conhecer
 
eu olho para as mãos e sei que aqui, aqui, encontro tudo.
 
as mãos do pescadores são rudes, gretadas, feridas, mas extremamente limpas.
 
são mãos que o mar lava e areia esfrega.
 
são mãos de trabalho, mãos de homens e mulheres que trazem nelas a história de uma vida, de um amor, de uma guerra, de uma faina,….
 
de uma gana de ganhar a vida no mar

mãos de mar (58)


volto já
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falo-te de um tempo
onde os dias se enroscam
preguiçosos e friorentos
sequiosos de sol
 
vai longe o verão
vão longe todos os verões
 
abraço-me e aqueço-me
sou a lágrima sustida nas cordas
dos cílios teimosos
 
amanhã quando acordar
ainda estarei constipado
nada que adoce a amargura
 
vou ver se roubo umas frases
bonitas e com elas fazer de conta
que sou o que gostava de ser
 
volto já
 
(torreira; o arribar do reçoeiro; 2016)

mãos de mar (55)


quando o mar trabalha

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depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto

é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro

em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes

fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou

deu-se o porfio
fechou-se o saco

é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa

(torreira; 2011)