a dança das redes


quem safa as redes, safa a vida?

depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho

falo da solheira

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apanha de bivalves na ria de aveiro


quando as caixas de fruta se transformam em cirandas

quando as caixas de fruta se transformam em cirandas

como já escrevi sobre este assunto um breve texto:  “sobrevivência dos pescadores na ria de aveiro”, retomo apenas o já dito sobre a apanha de bivalves e parto daí.
(……)
– bivalves (berbigão e amêijoa – de várias qualidades, sendo a predominante a “invasora”, denominada “japónica”. a apanha só é interrompida caso sejam detectadas nas águas microorganismos perigosos para a a saúde humana e é feita recorrendo às seguintes arte legais: cabrita alta, cabrita baixa, à mão e em apneia com tubo.
(…..)
a vida dos pescadores, quaisquer que sejam eles, é uma vida dura de grande desgaste físico e emocional, a que acresce no caso pescadores da ria no concelho da murtosa uma exploração inconcebível por parte de alguns intermediários.
a incapacidade, há muito evidenciada, e sem resolução à vista, dos pescadores da murtosa se organizarem por forma a controlarem todo o processo da pesca – da apanha à venda -, faz com que sejam esburgados pelos 2 intermediários, dos quais um é dominante, e que lhes compram linguados, chocos e bivalves, para revenda.
para além de serem miseravelmente pagos, não podem sequer pôr em causa o peso de pescado calculado na balança do intermediário, e, imagine-se, muitas vezes nem sequer sabem, no acto da entrega, a quanto lhes vai ser pago o quilo !!!!!
praticamente todos os pescadores têm um “contrato de fidelização” com um dos revendedores, sendo que a cláusula relevante do mesmo é a penalização do pescador em 500 euros, caso seja “apanhado” a vender o que pescou a outro comprador.
no que diz respeito aos bivalves, que são maioritariamente revendidos para espanha (galiza), para consumo imediato ou povoamento de viveiros, é o revendedor que determina as quantidades, o preço, os dias e as horas a que os quer receber.
pode-se dizer que a única fonte de rendimento, quase permanente, dos pescadores/mariscadores do concelho da murtosa, e são muitos, é a apanha de bivalves, a qual gera não pouca riqueza nos bolsos dos intermediários.

Companha do Museu da Torreira_ era hoje a escritura


varrendo o tempo

COMPANHA DO MUSEU DA TORREIRA

Uma estória para a história

A ideia nasceu em Junho de 2011 em conversa com os pescadores da Torreira, depois de termos chegado à conclusão que muito do que existe na Sala da Ria, do Museu Marítimo de Ílhavo, ter partido da Torreira, onde não existia qualquer espaço onde recolher as memórias da pesca e dos barcos da terra.

De imediato tratei de pedir o registo da designação, o que veio a ser realidade com a emissão do Certificado de Admissibilidade, em anexo.

Durante o mês de Agosto sensibilizei os pescadores para a necessidade de se fazer uma escritura da legalização da Companha do Museu da Torreira – que a dotaria de estatuto legal e da força necessária para negociar com as mais diversas entidades – e que tal tinha como data limite o dia 14 de Outubro, hoje.

Tive o apoio expresso de alguns pescadores e do Reitor da Torreira, Padre Abílio, a quem muito agradeço a forma como divulgou a reunião onde se iria discutir o interesse da existência de um espaço museológico na Torreira e identificar quem seriam os sócios fundadores.

Na reunião pública que teve lugar, em Agosto, na Assembleia da Torreira, cedida pelo Presidente da Junta de Freguesia, a participação de pescadores, apesar dos anúncios em cartazes e na igreja, foi quase nula. Manifestou-se, porém, entre os presentes, o interesse que o “Museu” tinha para a Torreira e a disponibilidade para doarem espólios valiosos.

Na reunião, de cerca de 2 horas, que mantive com o Presidente da Câmara da Murtosa, foi por este desde logo manifestado o seu não apoio à ideia, uma vez que desde 2001 anda a lutar por um Ecomuseu da Ria, a localizar a sul da Bestida, e não fazia sentido um espaço na Torreira, porque já lá tinha sido feito um pequeno investimento – estaleiro para o mestre Zé Rito e uma pequena sala de exposições anexa.

Nunca fui dos que dizem mal por dizer, se falo é porque quero fazer melhor, sempre foi este o meu modo de estar na vida e não é agora que vou mudar.

Anteontem – dia 12 – fui informado de que só existiam documentos de 1 pescador para a realização da escritura, embora existissem pessoas singulares disponíveis para serem fundadores e assumir a sua realização.

Face a isto tomei a decisão, e assumo-a em pleno, da não realização da escritura e de que o projectoCOMPANHA DO MUSEU DA TORREIRA – ASSOCIAÇÃO PARA A MEMÓRIA VIVA DA TORREIRA”, não teria sido mais do isso: a expressão de através de um desejo de uma necessidade sentida por muitos.

Era para ser hoje, não será.

Não quero, no entanto, deixar de agradecer ao Sr. Padre Abílio, Reitor da Torreira, e à D. Carolina, técnica do Cartório Notarial de Estarreja, o empenhamento desinteressado com que se entregaram ao projecto.

A todos os que apostaram neste processo o meu abraço de agradecimento e a certeza de que um dia vai mesmo haver um Museu na Torreira.

Por mim, continuarei a fazer o que sei: coisas.

 António Cravo

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ANEXO

“Código de Certificado de Admissibilidade: 0145-7182-0032

Número do Certificado de Admissibilidade: 2011030439

Com o NIPC: 509949533

 Firma ou denominação aprovada para os elementos abaixo indicados:

COMPANHA DO MUSEU DA TORREIRA – ASSOCIAÇÃO PARA A MEMÓRIA VIVA DA TORREIRA

Certificado requerido por:

Nome: António José Cravo

Identificação: Bilhete de Identidade – 02043155

Para efeitos de constituição de: Associação de direito privado

Sede: Concelho de Murtosa, distrito de Aveiro

Objecto social:

      Promover, recolher e divulgar as artes da pesca e da agricultura tradicionais da vila da Torreira, seus usos e costumes, nomeadamente através da criação e manutenção de um museu onde se possam expor os objectos, as memórias recolhidas e realizar eventos, com a finalidade de revitalizar tradições e memórias, estimular, desenvolver e partilhar o gosto e o valor destas actividades da vida humana.

CAE Principal: 94991

CAEs Secundários:

Condições de validade: “.

Aprovado por: Eduarda Avelar Nobre, Conservador auxiliar

Emitido em: 19-07-2011 10:40:48 UTC

Válido até: 19-10-2011 (inclusive)

Utilização do certificado: Por utilizar”