postais da ria (295)


como na anedota
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(torreira; porto de abrigo; 2018)

 
sei que existem
pelo ruído
não pela voz
que a não têm
 
não sabem o que são
sendo o que não sabem
papagaios nocturnos
enganados nas horas
 
voam baixo como
as galinhas
na ilusão de águias
pescadoras
 
deixo-os poisar
como na anedota
(torreira; porto de abrigo; 2018)

postais da ria (291)


tremo muito
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safam-se as redes para que se não safem os chocos

 
vêm devagar as palavras
cansadas de tanto
 
carregadas de memória
vergam-se
 
está frio cada dia mais
cubro-me com 
letras nomes sons
 
tremo
tremo muito
 
vão depressa as palavras
urge guardá-las
 
(torreira; 2018)

postais da ria (289)


gente da ria
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conheço-lhes os gestos
por vezes os nomes
 
são muitos anos
ou
foram muitos anos
 
conheço-lhes os gestos
por vezes os nomes
adivinho famílias
 
artes de pesca
artistas alguns
no engano de
 
nas malhas dos dias
muitos ficaram aqui
não presos guardados
 
(torreira; safar redes; 2016)