longa foi a jornada
estendidos os dias
no areal do tempo
ao longe o mar chama
as ondas esperam
a espuma a areia
no talho o sol seca
o suor do mar
o sal nasce cristalino
(sal do mar; achegar; morraceira; figueira da foz; 2016)
a exposição fotográfica SAL=SOL continua aberta ao público, de quarta-feira a domingo, no Núcleo Museológico do Sal da Figueira da Foz (Ecomuseu do Sal) nos Armazéns de Lavos (40° 6’42.5627”N, 8°49’59.7034”W)
está ainda disponível para aquisição o livro/catálogo com todas as fotografias expostas e uma introdução explicativa dos procedimentos documentados, da autoria da coordenadora do museu, Gilda Saraiva
(nota: a foto desta publicação não faz parte da exposição, mas o marnoto nela constante sim)
(mexer; salina do corredor do sol; morraceira; figueira da foz; 2019)
amanhã cá em casa
é dia da mulher
à hora mais ou menos
esperada
toca à campaínha
e entra
no fim da sessão laboral
a casa cheira bem
a roupa passada a ferro
a cama feita de lavado
e tudo tudo tão limpo
amanhã cá em casa
é dia da mulher
um dia à tarde
todas as semanas
a toca do lobo
fica um lugar habitável
(sal do mar; rer; morraceira; 2016)
espírito criativo
nunca tive
não sei o que é
por isso escrevi os dias
como foram quando foram
de sol mar e vivos corpos
fui tudo o que escrevi
sou tudo o que escrevo
no tempo que me resta
sou espectador atento
deste mundo cada vez
mais merdoso e escrevo
meto as mãos na merda
agito-a mexo-a bem
depois
atiro com ela à cara
de quem posso
e é pouco
(sal do mar; rer; morraceira; 2016)
plantei uma flor
no mar
o genocídio continua em gaza
o genocídio continua em gaza
na areia a meu lado
os teus olhos
procuraram a flor
sorriram ao vê-la
a guerra continua na ucrânia
a guerra continua na ucrânia
por entre as ondas
deste-me um beijo
a fome e a guerra em áfrica
a fome e a guerra em áfrica
depois acordei
e só me lembro
deste sonho
mediterrâneo é nome de cemitério
mediterrâneo é nome de cemitério
(sal do mar; rer; morraceira; 2016)