a beleza do sal (85)


mexer
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ilha da morraceira; mexer; 2020

sábado 27 de junho de 2020
na morraceira já se mexia
e eu fiz a primeira foto do ano
há três anos
quando comecei a fotografar o salgado
de forma diversa foi com o mesmo marronteiro
esperemos que seja uma boa safra para todos
e que haja quem queira registar esta arte
(“agora o sal está a trabalhar para ele”, disse-me o zé quando acabou de mexer e eu me despedi)

a beleza do sal (81)


abril 25
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morraceira; rer; 2019

 
escrevo agora as portas
as janelas o início
o por fazer
 
a luz penetra na casa
ilumina-a ilumina-te
diz-te que podes
se quiseres
 
são teus os caminhos
por abrir
 
quando nasceste
que pediste a tua mãe?
 

a beleza do sal (71)


homens de palavra
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morraceira; achegar; enfeitar; 2019

 
serem de pedra
as palavras
salgadas cristalinas
de homens
 
homens de palavra
 
esculpi no tempo
a tua voz o teu nome
fizeste-me fiz-me
no tempo em que
 
continuo de pedra ainda
 
a vida por vezes
é que tem sal a mais
 

a beleza do sal (67)


acabou a safra de 2019
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ilha da morraceira; tirar; 12/10/2019

 
a safra de 2019 chegou ao fim, foi feita a última redura, tira-se o sal e arruma-se no armazém.
 
as alterações climáticas há dois anos que se fazem sentir com maior intensidade na produção do salgado da figueira da foz – falo do que conheço, não sei como correu nos restantes salgados do país -, não conhecendo números, nem é essa a minha intenção, mas pelo acompanhamento, mais contínuo e cuidado, que faço desde 2016 do trabalho dos marronteiros, tenho a sensação de que “a coisa não correu muito bem”.
 
este registo,sendo dos últimos do ano, é um convite aos amigos fotógrafos para um olhar diferente, que espero ter conseguido e de que gosto muito – o carlos santinho, pelo menos, gostou do que viu no lcd.