a beleza do sal (46)


eu abri as portas da gaiola

(….eles passarão
eu passarinho
“mário quintana”)

não sei de bancadas
nem de lugar à sombra

gosto de sol e mar
e da força da vagas

ficou vazia a cadeira
que me guardaram

recuso o caminho palavroso
onde não nasceram gestos

cantam de poleiro
aves de arribação

eu abri as portas da gaiola
para voar
é tarde para me cortarem
as asas

0 ahcravo_DSC_3490 s

o meu amigo paulo formiga

(armazéns de lavos; mexer; 2016)

 

a beleza do sal (17)


as minhas raízes

0 ahcravo_DSC_3802 licínio

o licínio a mexer

as minhas raízes
são os meus princípios
em qualquer geografia

o valor da palavra
raiz aprumada que me alimenta

a noção de justiça
a minha voz o meu gesto

a solidariedade
o meu estar aqui

as minhas raízes
herdei-as e fi-las
por vezes doem-me

(armazéns de lavos; mexer; 2017)