a beleza do sal (81)


abril 25
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morraceira; rer; 2019

 
escrevo agora as portas
as janelas o início
o por fazer
 
a luz penetra na casa
ilumina-a ilumina-te
diz-te que podes
se quiseres
 
são teus os caminhos
por abrir
 
quando nasceste
que pediste a tua mãe?
 

a beleza do sal (78)


palavras salgadas

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guardas em arcas as palavras
em sal
à moda antiga de antes de ti
mas o sal não conserva as palavras
digo-te eu que de outro tempo
um dia lembrar-te-ás das palavras
guardadas
das que não disseste
do silêncio
irás à arca em sua busca
pensando usá-las
mas não terás o destinatário
para quem as guardaste
se as guardaste
o tempo corrói tudo
até o presente
que não usaste
e então
talvez seja sal o que
pelo rosto te escorre
sal nada mais
sem palavras
a temperar o silêncio
o não dito
(armazéns de lavos; mexer; 2019)