a beleza do sal (22)


o trilho estreita-se

0 ahcravo_DSC_3483 buíça

diz-se “mexer” (buíça)

o trilho estreita-se
desce entre precipício
e rocha a pique

a espaços um recanto
acolhe o corpo cansado

inesperadas pedras
tombam de onde nunca
ferem mais por isso

mas
não foi sempre assim?

(armazéns de lavos; 2017; mexer)

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a beleza do sal (20)


não há ciências exactas

0 ahcravo_DSC_3403 joaquim

rer

exacto o que vejo
exacto o que sinto
exactos estes dias
por onde arrasto o corpo

não há ciências exactas

exacto o momento
em que escrevo a dor
exacto o sorriso
no rosto da criança
exacto estar aqui ainda
exacta a lágrima

exactas estas palavras
toma-as e faz com elas
o exacto instante
em que tudo é possível

eu vou por aí
em busca de outro final

(armazéns de lavos; rer; 2017)

a beleza do sal (17)


as minhas raízes

0 ahcravo_DSC_3802 licínio

o licínio a mexer

as minhas raízes
são os meus princípios
em qualquer geografia

o valor da palavra
raiz aprumada que me alimenta

a noção de justiça
a minha voz o meu gesto

a solidariedade
o meu estar aqui

as minhas raízes
herdei-as e fi-las
por vezes doem-me

(armazéns de lavos; mexer; 2017)

a beleza do sal (16)


é verão

0 ahcravo_DSC_3781 buíça

buíça, marnoto, 81 anos de idade

salgados são os dias
cansado o corpo
vergado ao peso do sol
à pureza do sal

é verão
pelas praias a banhos
muitos são

salgados vão os dias
salgado é o pão

o sol que te queima
o mar em que te banhas
à tua mesa sal serão

salgados são os dias
salgado é o pão

é verão
às praias a banhos
nem todos vão

(armazéns de lavos; salina do buíça; mexer)