os moliceiros têm vela (477)


era uma vez no oeste

falarei ainda do
silêncio
da memória de 
ter sido
do sopro no teu
ouvido

de dois corpos 
nus 
de duas sedes
de duas fomes
de um só desejo
no mesmo beijo

falarei ainda do 
silêncio

até que não me
oiçam

até que dentro de ti
me sintas

e  seja o nosso
o grito

(murtosa; regata do bico; 2010)

os moliceiros têm vela (470)


o meu próximo livro

torreira; regata da ria; 2009
vou escrever um livro 
de poesia
inovador

a topo de página
o título do poema

duas linhas abaixo
uma citação pouco conhecida
de um autor consagrado

há que divulgar o que li
a minha ilustrada ilustração

o resto da página em branco

o que eu pretendo
não é que saibam que escrevo 
mas que leio muito

que diabo
sou um doutor das letras

“Moliceiros” do Adriano Nazareth


Amigo Cravo:

Não sei se conhece este filme “Moliceiros” do Adriano Nazareth. É pena o casal de namorados que desfeia um bom trabalho etnográfico.

Agarrado, vai o meu filme “Moliceiros, Tempo para morrer”, do qual já não subscrevo tudo o que disse.

Abraço.

Diamantino Dias

(muito interessante este documentário e a citação de raul brandão, quando afirma ser o moliceiro barco de pesca. quando atravessou a ria de norte a sul, a bordo de um moliceiro, o escritor deve de ter visto as enguias que vinham misturadas com o moliço arrancado ao fundo da ria e pensou “este barco também pesca” – pensou e escreveu. era o tempo da fartura de enguias, mas isso não faz do barco moliceiro um barco de pesca. que sirva de nota a quem descreve o que vê sem saber cuidar do porquê.

não pretendo com isto criticar raul brandão, mas aproveitar para chamar a atenção dos “olheiros” dos nossos dias para quando legendam as suas imagens

agora deliciem-se com a memória)