postais da ria (242)


dos deuses

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como se da caverna
saído
ofusca-me tanta luz

vejo o bisturi cortar
preciso
os mais ínfimos
detalhes
matando os deuses

sombras caminham
sombras
que sombra fazem
nada mais

como se da caverna
saído
ofusca-me tanta luz

os deuses
também morrem

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(torreira; 2011)

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postais da ria (241)


dos homens e dos barcos

barcos sem homens
são fantasmas
poisados na ria

belos em horas felizes

tristes órfãos
porque lhes ignoraram
o terem pais

é urgente contar
dos homens
para que haja
barcos

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(torreira; safar redes; 2013)

postais da ria (238)


cipriano

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cipriano brandão e a esposa aurora (2012)

estás aqui
mesmo que não estejas
em mais nenhum lugar
estás aqui

olhar o rosto de um amigo
é lembrar estórias
é estarmos vivos
num mundo que é só nosso

o da memória comum

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cipriano brandão e a esposa aurora (2012)

(torreira; safar redes; 2012)

postais da ria (237)


dos amigos  e não só

cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo

para alguns
amanhã foi ontem
são eles

que fazem os dias
mais tristes

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a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas

(torreira; porto de abrigo; 2013)