esboço do agostinho


a fotografia o esboço.
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torreira; agostinho canhoto; 2013

 
o tempo escrito no grito
 
os amigos estão para além
da imagem que deles fizemos
 
são muito mais que uma foto
nela apenas o que deles vemos
sentimos julgamos saber
 
o agostinho é o pescador
é todos os que têm casa no mar
que a terra é perigosa
 
o agostinho é o agostinho
a foto é apenas um pouco dele
ou melhor é ele dentro de mim
 
nada mais que um esboço
depois da obra

gente da torreira


0000000 ahcravo_DSC_8860_agostinho trabalhito

durante muitos anos, e mais alguns espero, fotografei as gentes da torreira: no mar, na ria, nas ruas
 
há um amigo que gosta de das fotos fazer filmes, com as minhas fotos, e de outros também, e … fez mais este.
 
fica mais uma memória, mais uma viagem no tempo, que muitos tempos aqui estão.
 
obrigado a todos os que me deixaram fotografá-los e que sabem que nunca o fiz com outra intenção se não deixar a memória de um tempo e levar até mais longe, aos familiares emigrados, as imagens da terra e da família que tiveram de deixar.
 
um grande abraço do vosso amigo
os moliceiros têm vela (405)

os moliceiros têm vela (405)


meditação sobre a palavra
KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

cais do bico; cipriano brandão; 2006

 
o homem inventa
a ferramenta
que reinventa o homem
e a palavra
 
a palavra para denominar
a ferramenta
 
a ferramenta exigirá novas
ferramentas novas palavras
 
o poeta inventa a palavra
pelo prazer da música das letras
pela sonoridade pelo ritmo
pelo prazer de
 
as palavras do poeta
não nomeiam nada excepto
a si mesmas e são
as mais puras criações
do homem
KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

cais do bico; cipriano brandão; 2006

 

retratos da minha terra


ahcravo_DSC_5939_agostinho 2013 bw
tenho amigos assim
tão virtuais que reais são
colhem as minhas fotos
fazem filmes
e enviam-mos
estou vivo
e com amigos assim
estou no mundo
a minha terra
são muitas terras
obrigado a ti
que não queres ser citado
mas que na sombra
deste outra luz
à luz que roubei por aí

as vascas


as vascas
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torreira; 2009

 
habitam um tempo
sem tempo
uma casa minúscula
para tanto
 
da areia ao betão
o peixe como modo de vida
 
quando jovens
andarilhas
levavam às aldeias
peixe do mar
 
em marcha acelerada
o pregão soava
pelas ruas
 
peixinho do mar
freguesa
 
são as vascas
e tanta torreira nelas