os moliceiros têm vela (322)


abílio fonseca (carteirista)

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o ti abílio já passou os 80 e ainda cá anda a velejar e a ser o exemplo acabado daquilo a que alguns chamam a “brejeirice da beira-ria” – e que tanto tem sido representada nos painéis dos moliceiros.

passem umas horas com o ti abílio e verão como todos os painéis brejeiros podem ser de carne e osso.

nascido e criado na gafanha baixa, na murtosa, cresceu no moliço, foi para a marinha, emigrou, regressou e continua.

é dono do moliceiro “Dos Netos”, o único que não foi construído na zona norte da ria, mas pelo mestre gadelhas, de seixo de mira.

a boa disposição toma-a ao pequeno almoço e adormece com ela.

tratamo-nos por tu e eu tenho por ele amizade e respeito.

guardo, emolduradas, as medalhas que me ofereceu nas regatas da ria e do s. paio, em 2016.

amanhã, dia 5 de agosto, se tudo correr como planeado, lá estaremos na provocação brejeira, tão nossa, tão da beira-ria.

(torreira; regata da ria; 2013)

os moliceiros têm vela (321)


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zé rebeço

o ti zé rebeço, com quase 80 primaveras, é o exemplo vivo do murtoseiro: ama a ria, lavra a terra e soube o que foi ter emigrar para vingar na vida.

antes de emigrar foi moliceiro e mercantel desde miúdo.

é dono do moliceiro “A. Rendeiro” e vai estar na regata do bico, domingo dia 5.

orgulho-me de o ter como amigo

(torreira; regata da ria; 2013)

ti luísa, descanse em paz


0000 ahcravo_DSCN0572 - ti luisa

 

a ti luísa da calada faleceu hoje, dia 13 de julho

amanhã pelas 20 horas é o rezar na casa mortuária da torreira

era uma boa amiga e uma grande contadora de histórias da torreira.

com ela a torreira perde muitas das suas memórias e uma mulher que sempre conheci “virada para o mar”.

a todos os familiares o meu abraço amigo.

postais da ria (259)


vêm devagar

vêm devagar os amigos
chegam pela mão da memória
por vezes tarde demais

partem depressa os amigos
olho-os como se ainda
mas é tarde muito tarde

sei que partiram alguns
cada dia mais
enquanto eu vou resistindo

enquanto passear pelos dias
levo-os pela mão
e deixo-os convosco à conversa

nada mais posso fazer

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

o falecido manuel vieira (valas)

(murtosa; regata do bico; 2007)

 

crónicas da xávega (260)


cacilda

quantos instantes tem o ano
cacilda
quantos anos um momento

perdi a noção do tempo
cacilda
voou como as gaivotas
em torno de ti e são muitas

o tempo tem muitos tempos
cacilda
é enorme o tempo dos amigos
o teu tempo

há quanto tempo te conheço
não sei

no esvoaçar dos dias salgados
perdi a noção do tempo
é infinito todo o instante
se ao pé do mar dos amigos

cacilda
neste instante cabem muitos anos

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cacilda brandão (gamelas), mulher de mar e da maior família da torreira, os gamelas

(torreira; 2011)