crónicas da xávega (283)


vou

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falo do incerto
do por vir

todo o início é

teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos

todo o caminho é

falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras

incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu

na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

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(torreira; 2010)

crónicas da xávega (281)


se houver deus

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como se um soldado
desconhecido
perdido nos areais da costa

estreita-se o horizonte
esfumam-se os tempos de fartura

caminha ainda
interrogo-me por quanto tempo

quando já não os houver
erguerão monumentos
escreverão histórias

venderão livros e obras bastas
quando bastava terem feito
tão pouco para que a história
fosse outra

não lhes perdoeis senhor
que quem manda
sempre perdoado é

(espinho; 2012)