crónicas da xávega (358)


2 de setembro de 2016

agostinho trabalhito (canhoto); torreira; 2 de setembro de 2016

como já escrevi na primeira publicação desta série, a minha era digital na xávega começou em 2005 e, na torreira, por motivos vários, terminou no dia 2 de setembro de 2016 – doze anos a registar fotográficamente, e não só, a xávega na torreira


a foto que publico hoje é a “última foto que fiz no mar da torreira”.


como não acredito em coincidências, entendo que o facto de nela aparecer o meu grande amigo agostinho trabalhito “canhoto” não é acaso, tinha de ser.

lembro uma história breve da nossa amizade e que diz tudo.

“um dia, disse-lhe que quando morresse as minhas cinzas iriam ser deitadas ao mar. ao ouvir isto o agostinho, com a maneira de falar que o caracteriza, exclamou:


ah! cravo. eu nesse dia não bou ao mar!

crónicas da xávega (357)


2005, murtas a labuta continua

antónio murta na bica da ré; torreira; 2005

em 2005 continuava a trabalhar na praia da torreira a companha dos murtas, com o barco olá sam paio.


dos irmãos zé e antónio murta. o antónio era mais o homem de mar e o zé o de terra. creio que é em 2005 que falece o antónio em naufrágio à beira praia.

era, e é, opinião minha, uma companha familiar – da propriedade à própria composição da companha.

para além dos arrais e donos, não posso deixar de me lembrar da marlene, filha do zé, que era a responsável pela “contabilidade” da companha, e do redeiro, ti caetano da mata.

crónicas a xávega (356)


2005 ano um

torreira; 2005

em 2005 aparece na praia da torreira um barco “novo”. o m. fátima de marco silva, regressado do luxemburgo.


o barco pertencera ao arrais bolacha e chamava-se sra da aparecida.


faz-se ao mar com alfredo brandão (pirolito) como arrais de mar e o apoio em terra do experiente antónio trabalhito (barbeiro), entretanto falecido.


de costas, agarrado ao vertente, o estrela – que também já partiu para outro mares, mais distantes.

crónicas da xávega (355)


2020 ano a zero

torreira; 2005

em 2005 começou a minha aventura na fotografia digital.


não sou “de fotografar tudo”, tenho os meus temas, sempre os tive. de entre eles o retrato e a xávega começaram por se destacar na era digital, sem quaisquer pretensões.


desde 2005, ano após ano, fotografei a xávega em várias praias da nossa costa. andei por aí.


2020 é o primeiro ano em que não faço uma única foto de xávega, uma única. causas várias em que o covid também tem a sua importância.


neste registo de 2005, fica a memória de um barco: o s. pedro. era propriedade do arrais manuel dias da torreira (é ele que está na bica da ré). anos mais tarde foi comprado pelo arrais zé murta (falecido) que, depois de reparação foi rebaptizado com o nome de “olá s. pedro”.
viria depois a ser vendido para a praia de pedrógão.


a fotografia permite estas viagens.

crónicas da xávega (352)


o homem

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torreira; 2013

 
democráticos vos digo
de tão diversos
 
os que sombra projectam
e são a luz silenciosa
 
os que passam e nem se sabem
e existem porque sim
 
os tantos tão piquenos e reles
que nem pisá-los pois sujos
ficamos de ignorar são
 
bem pode quem vos fez
limpar as mãos à parede
como diz o povo
 
como drummond questiono
“que coisa é o homem?
existe o homem?”
 
na areia da praia um homem
tenta salvar a espécie