crónicas da xávega (306)

crónicas da xávega (306)


 

abraço

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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto) no alador

 
quantos amigos
na memória de um só
nunca o saberei
 
no encadear
dos nomes e dos rostos
todos são um
 
amigos dão a mão
a amigos trazem-se
 
como num jogo de roda
meninos todos
rimos e cantamos os dias
juntos de novo
 
no abraço
 
(torreira; a manga no alador; 2013)

crónicas da xávega (303)


 

alguns são meus amigos
0 ahcravo_Imagem 249 mira companha sra dos aflitos s

o carregar do saco 

 
não são capa de revista
não têm nome
são apenas um número
na estatística
 
sabe-se deles quando
à mesa peixe fresco
da costa fala do verão
 
são em fim de vida
o que no início alguns
voltam por ser pouca
a paga por tantos anos
parcas as reformas
 
deles só sei que
 
não são capa de revista
não têm nome
são apenas um número
na estatística
 
alguns são meus amigos
 
(praia de mira; 2009)
crónicas da xávega (301)

crónicas da xávega (301)


o silêncio
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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto) a soltar o arinque do calão

o silêncio
é um lugar habitado
 
música dos amigos
ruídos de memórias agrestes
balbuciar de crianças
 
o silêncio
é um lugar habitado
 
conheço-o bem demais
a insónia povoa-o
de nomes gestos imagens
 
o silêncio
é um lugar habitado
 
onde te encontro
sem te ver
 
(torreira; 2013)