“quando o mar trabalha” no programa “pinceladas” da foz do mondego rádio


 

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na foz do mondego rádio, na figueira da foz, conceição ruivo é autora do programa “pinceladas”, espaço áudio onde conversa sobre arte

nos dias 1 e 2 de dezembro de 2018, a conversa decorreu em torno do livro “quando o mar trabalha”

obrigado conceição ruivo por esta oportunidade, obrigado sansão coelho pela coordenação e obrigado foz do mondego rádio pela eficiência e qualidade da produção do registo áudio, de que aproveitei parte para a produção deste vídeo, com algumas das fotos que integram o livro

a conversa pode ser ouvista no vídeo

 

 

crónicas da xávega (278)


auto-retrato (3)

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em cima do barco o ti augusto arruma as mangas

do entretecer dos fios
se faz a corda

aparelha-se o barco

na vida só sei do reçoeiro
a mão de barca
crêem alguns que um dia

aparelha-se o homem

do entretecer dos dias
se faz o tempo

(torreira; 2014)

…………………

notas

reçoeiro – a corda que fica em terra

mão de barca – a corda que o barco trará e fechará o lanço

memória da fala do mar em esmoriz


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o ti américo, numa ida ao mar em 2011, o primeiro ano em que trabalhou na torreira

a 23 de outubro de 2009, participei no museu de ílhavo, num colóquio que tinha por título “Falas do mar/Falas da ria”, aí se questionou o porquê de serem conhecidas tantas falas dos trabalhadores da terra e não serem muito conhecidas falas de pescadores..

no dia 18 de novembro, num espectáculo intitulado “Quando o homem lavrava o mar”, realizado na sala dos “caras direitas”, na figueira da foz, passou um registo fílmico sobre o alar manual das redes das traineiras, e era perfeitamente audível a fala/canto com que os pescadores marcavam o ritmo da alagem.

em 2016, pedi ao ti américo, pescador de esmoriz mas a trabalhar na torreira, na altura com 78 anos como refere no video, que cantasse como o fazia no tempo em que, “puto” ainda”, ia ao mar.

não fica letra completa, mas fica o que a memória preservou

disseram-me alguns pescadores que era hábito, quando iam ao mar, entoar o padre nosso cantado de acordo com o ritmo dos remos, não consegui porém, na torreira, recolher qualquer registo.

este é o único que consegui até hoje. e vale muito.

obrigado ti américo

(torreira, 18 de agosto de 2016)