crónicas da xávega (306)

crónicas da xávega (306)


 

abraço

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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto) no alador

 
quantos amigos
na memória de um só
nunca o saberei
 
no encadear
dos nomes e dos rostos
todos são um
 
amigos dão a mão
a amigos trazem-se
 
como num jogo de roda
meninos todos
rimos e cantamos os dias
juntos de novo
 
no abraço
 
(torreira; a manga no alador; 2013)

crónicas da xávega (294)


pedras
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a manga do reçoeiro a passar no alador

 
a meio do caminho
surgem muitas pedras
no meio do caminho
 
difícil saltar por cima
das pedras
mudar de caminho
não será fácil
 
mas
a meio do caminho
ainda falta outro meio
 
mude-se de caminho
as pedras são o que são
pedras e nada mais
 
(torreira; 2016)
 

crónicas da xávega (141)


resistir

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o ti américo na manga do reçoeiro, no alador

a manga no alador
corre
o fim do lanço quase

os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade

a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar

um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste

está vivo muito

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conhaque é conhaque, serviço é serviço

(torreira; companha do marco; 2015)