crónicas da xávega (278)


auto-retrato (3)

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em cima do barco o ti augusto arruma as mangas

do entretecer dos fios
se faz a corda

aparelha-se o barco

na vida só sei do reçoeiro
a mão de barca
crêem alguns que um dia

aparelha-se o homem

do entretecer dos dias
se faz o tempo

(torreira; 2014)

…………………

notas

reçoeiro – a corda que fica em terra

mão de barca – a corda que o barco trará e fechará o lanço

crónicas da xávega (230)


para o joaquim rodrigues
(massa)

queria dizer-te
que te admiro
massa

não porque cantes
melhor que o zé cabra
pior é difícil
tu nasceste para cantar

não porque a trabalhar
o faças como poucos
és energia pura

não pela tua alegria
os teus malabarismos
com o bordão na praia
és um artista nato

admiro-te
pela tua força interior
pelo modo como venceste
onde tantos sucumbem

tu és enorme massa
da tua fibra muitos
houvessem

massa assim é outra massa

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(torreira; arribar da mão de barca; 2012)

crónicas da xávega (131)


aparelhar da mão de barca

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e não são de cânhamo estas cordas

o massa e o bruno colocam um rolo de corda da mão de barca dentro do barco.

a cala da mão de barca fica debaixo do paneiro da proa até ao traste da proa

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encontram-se as mãos no esforço, a companha é isso mesmo

(torreira; companha do marco; 2009)

crónicas da xávega (130)


muleta, mão de barca, regeira

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anda areia no ar junto com poalha de água

recordando

quando os barcos eram “empurrados” por uma  muleta como a que se vê nesta foto, o barco era mantido na perpendicular à praia, com a ajuda de duas cordas:

– a mão de barca, cala do aparelho que ficava em terra, que o arrais amarrava à bica da ré e ia largando conforme as possibilidades e as necessidades

– a regeira, corda presa ao golfião de bombordo da proa e que estava preso a um bordão enterrado na praia e da responsabilidade de um camarada da companha (enquanto foi vivo e lá trabalhou, era o ti antónio neto que o fazia)

a terceira corda que se vê na foto é a que está amarrada à muleta, para quando o arrais a soltar poder ser recuperada para terra.

vê-se areia por todo o lado porque o motor está a trabalhar e quando a onda recuou deixou-o em seco e o barco não largou como era de esperar.

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a cores as cordas são bem visíveis

(torreira; companha do marco; 2009)