crónicas da xávega (199)


haver mar

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arribar

sê em cada dia
amigo do amigo

deixa que seja o tempo
esse outro amigo mais íntimo
a dizer-te quando acabou
o que parecia ter sido

não cuides do que poderia ser
lembra o que foi

procura outros rumos
noutras praias
há outra gente
com o mesmo destino

ser homem
e
haver mar

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é tudo muito rápido e perigoso

(arribar; torreira; 2013)

crónicas da xávega (197)


arribarei

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stalone e aurora caravela

virão os dias de mar
perguntarão por mim
as gaivotas os amigos
os que se habituaram a

não há mar que caiba
numa praia
nem memória que se esgote
num areal

tenho o tamanho que me deram
os que ao mar foram
vem deles este destino de onda
em busca de praia

arribarei onde

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(torreira; 2013)

crónicas da xávega (196)


tudo é nada

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quando tudo acaba
o que começa?

quando o ter sido
não voltará a ser
o que resta?

quando o barco
vencer o mar
nem sempre os homens
se vencem

no fim do fim
não serei nada

encontrei
uma concha na areia
no recuar da onda
peguei nela
senti-lhe a leveza
na palma da mão

tudo era eu
tudo é nada

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(torreira; 2016)