crónicas da xávega (327)


no dia a seguir
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leirosa; carregar o saco; 2019

 
não bastava ser inverno
fizeste que o fosse
também dentro de mim
 
o amor por vezes desacontece
devia sabê-lo
 
não sou cínico
não te agradeço a lição
 
invento o sol
vou ver o mar
 
entro em mim
fabrico um verão
 

crónicas da xávega (326)


(porque o zé mário foi ter com o maia gomes)
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era o tempo de
 
era o tempo de
sentavas-te ao piano
e dizias
 
vamos fazer uma canção
para o zé mário branco
 
era o tempo de
tu estares vivo
o zé mário também
e todos sonharmos
 
como se chovesse
ao contrário
os amigos vão-se
 
foi o tempo de
 
(torreira; 2016)

crónicas da xávega (322)


escrever com os olhos
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leirosa; carregar o saco; 2019

para mim, chegou ao fim mais uma época de fotografia daquilo de que efectivamente gosto. também eu tive a minha safra: o semear artesanal do arroz no baixo mondego, a ria de aveiro, com as bateiras e os moliceiros, a xávega em lavos e na leirosa, o sal na morraceira e nos armazéns de lavos.
ficam muitos registos guardados no armazém, em bruto e por trabalhar, que até à próxima época aqui estarão a dizer o como foi, a serem a memória dos dias dos homens, das mulheres e das fainas que registei.
mais que palavras é a escrita dos olhos que vou por aí deixando, sem pretensões de arte, nem de “bonitos”, mas procurando registar as fainas na sua forma mais pura: sem encenação
obrigado a todos os que registei e que, de forma efémera, oferto aos olhos de quem passa.