crónicas da xávega (477)


para o meu amigo agostinho trabalhito

apanhei rente ao mar  
três seixos rolados
de cores diferentes
como diferente é tudo

entrechocando-se na mão
produzem um som áspero
um som de memória perdida

encostados ao ouvido
nada dizem
são simples pedras
não búzios

também eu
trago no corpo o mar
o mar que ninguém ouve

(torreira; 2016)

contributos para a história da xávega, noutros blogs


concorde ou não com o que neles se escreve aí se encontram fotos minhas

1 – almada – costa da caparica (foto da praia de mira) – 2015

2 – ovar ( foto da praia de mira) – 2016

https://www.ovarnews.pt/arte-xavega-de-ovar-a-patrimonio-cultural-imaterial/

3 – ovar (foto da torreira) – 2016

4 – caxinas (fotos da torreira) – 2008

https://caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt/59218.html

5 – blog DD ( fotos da torreira e da praia de mira)

(se mais houver… hão-de aparecer)

crónicas da xávega (490)


lembro os dias a luta
a indecisão de
o não saber como
a aceitação a revolta
as divisões a impotência

as armas e os barões
gordos e guardados
protegidos afilhados

um tempo gordo bolorento

lembro os dias da decisão
das armas roubadas aos barões
dos canhões à praça virados
da festa da liberdade

tempo de cravos na mão

foram-se as armas
ficaram os barões e os afilhados
livres as palavras e o engano
livre tu para recusar e seres

ainda não é pleno o nosso tempo
xávega; torreira; muleta; 2010

crónicas da xávega (489)


sê grato às portas que te abrem
e às que te fecham também

ser de todos é não ser de ninguém
de ti primeiro que todos quiseste ser

fizeste-te dizendo não calando
disseste presente ao mau tempo

sê grato às portas que se fecham
e às que te abrem és tu em todas

sê grato à diferença
como o vento despenteia as ondas
torreira; 2010; a escolha