crónicas da xávega (213)


o meu país

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o carregar do saco

o meu país é habitado
mora nas minhas fotos
nas minhas palavras

o meu país é de carne
osso e muito suor
mal pago

o meu país dói-me
e se luto faço
é porque luto
todos os dias

o meu país
é habitado
ainda

o meu país é de carne
osso e muito suor
mal pago

até quando?

(praia da leirosa; 2017)

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crónicas da xávega (212)


destino de pescador

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à memória de cipriano brandão (gamelas)

não têm nome
são pescadores
só o mar a areia e o norte
os conhecem

quando por feitos
direito tiveram
a nome e o publicaram
a terra esqueceu-os

partem sempre um dia
humanos que são
perdem-se no nevoeiro
que sobre eles lançam

aqui estão todos
os que foram
os que ainda são
os de amanhã

não têm nome
não sei se o terão

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à memória de cipriano brandão (gamelas)

(torreira; 2016)