crónicas da xávega (231)


vencer os dias

vencer os dias
como se degraus

caminhar contra
caminhar sempre

a dúvida por vezes
o cansaço
desistir é tão fácil

o caminho vai longo
duras são as pedras
que mordem os pés

vencer os dias

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(torreira; 2013)

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crónicas da xávega (229)


para os devidos efeitos

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quando eu morrer
não entreguem à terra
um corpo que sempre foi de mar

quando eu morrer
uma gaivota levantará voo
uma onda morrerá na praia

nada de anormal
são coisas que estão
sempre a acontecer

como
quando eu morrer

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(torreira; 2010)

crónicas da xávega (220)


então farão postais

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vêm de longe as vozes
conheci algumas
respeitei muitas
conheci-os um pouco

homens mulheres
gente desta terra
de onde sempre
para o mar se partiu
e onde nem sempre
se regressou

ficou o mar
na areia varados
o barco e a arte
a companha renovada

até um dia
em que na praia vazia
deles só a areia
se lembrará

então farão postais

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(torreira; 2016)