postais da ria (237)


dos amigos  e não só

cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo

para alguns
amanhã foi ontem
são eles

que fazem os dias
mais tristes

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a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas

(torreira; porto de abrigo; 2013)

 

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postais da ria (235)


pode ser o fim de

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depois dos homens
muito depois
ficarão os destroços

memórias limpas
de ter havido gente
que fez barcos e filhos
pescou e disso viveu

procurarão então
rostos e histórias
mas será tarde

como sempre
quando ser de hoje
não é ser os seus

não estarás cá
para ouvir os lamentos
nem isso vales

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(algures na ria de aveiro; num tempo a haver)

postais da ria (233)


‘miga

hoje no mercado de buarcos
fui abraçado por uma palavra

‘miga

conheci-a em setúbal
no bairro das fontaínhas
onde murtoseiros pescadores

quando a ouço regresso
aos tempos de eu menino
às vozes que pela ladeira

‘miga

diziam antes de começar
qualquer conversa

tempo em que todos
eram amigos e camaradas
por isso entre pescadores

‘miga

mais que a ouvir senti-a
há palavras assim
que nos chegam como se

um abraço

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a bela e o jim cirandam berbigão

(torreira; cirandar)