postais da ria (212)


poderia

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ciranda de dois ( ou será de casal?)

poderia escrever
os nomes dos barcos
dos homens das mulheres
dos ganhos das perdas
das artes das artimanhas
da compra da venda
dos contratos doutros tratos

poderia

mas deixo para ti
esse caminho doloroso
que já percorri

também tu
deves aprender
como se vive por aqui

(torreira; cirandar; 2016)

postais da ria (211)


mesmo se longe

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o salvador belo e a ciranda de um

mais que os barcos
mais que a ria
mais que a beleza
que em tudo respira

os homens as mulheres
os que vivem os dias
sem saber de horas
férias feriados

que só sabem
de encomendas
de interdições
de marés
do que por vezes
não sabem por quanto

falo dos meus amigos
e do respeito
que por eles tenho

mesmo se longe

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é duro, é muito duro

(torreira; cirandar)

postais da ria (210)


da ignorância e da sabedoria

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o carlos arato safa as redes da solheira

há os que não sabem
e não sabem que não sabem

e os que não sabem
porque não querem saber

respeito tanto os primeiros
como desprezo os segundos

indiferente a estas palavras
o homem cumpre a sua tarefa diária
de subsistir onde cada dia
é mais difícil

olho tudo como se estivesse
sabendo que nunca mais
estarei como estive

essa é a minha sabedoria

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o carlos arato safa as redes da solheira

(torreira; 2016)

postais da ria (209)


o real no virtual

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amanhã
quando falarem de mim
ou me esquecerem
como é normal

que fiquem estas imagens
de um tempo
de uma gente
de um modo de vida

a minha memória
será então
não um nome
mas o que ficou
espalhado
nas redes sociais

num mundo virtual
onde o real resiste
sem fronteiras

(torreira; 2016)