postais da ria (389)

postais da ria (389)


caminho andado

torreira; regata de bateiras à vela; s. paio; 2013
caminho descalço
pelos dias de estar aqui
olhos abertos como mãos
em tempo de fruta madura

caminho descalço
dorido de tantos cacos
pedras vidros pregos

recuso o conforto da cegueira
auto imposta felicidade
falsa de luas inventadas

doem-me os olhos de ser 
torreira; regata de bateiras à vela; s. paio; 2013

postais da ria (387)


eu ainda

o ti zé formigo ainda está aqui comigo – (regata do emigrante; cais do bico; 2018)
tenho o passado 
num disco externo

chego devagar
lento é o tempo de

revejo amigos
idos para sempre

fui por inteiro
não me resguardei

se traidores houve
só um é culpado
eu por ter acreditado

olhar as gentes do mar e da ria – uma parceria transatlântica (2)


pensa-te

a realidade não é o que
escreveste
fotografaste
pintaste

muito pouco seria
se só isso

registas
apenas parcelas do todo
crias um novo real
és por isso responsável
pelo teu mundo
é teu

oferta tua 
aos outros
cuida do teu
jardim

pensa-te

a escolha das fotos e do poema foi feita no estados unidos

os amigos da terra, da terra são porque dela gostam e, por vezes, oferecem-nos prendas assim

ficam na sombra porque sempre ficaram, são amigos muito especiais

abraço-os