crónicas da xávega (223)


“Os intérpretes de vidas

…. Até que ponto podemos fiar-nos nos nossos amigos e conhecidos e sócios, nos nossos amores, nos nossos pais e nos nossos filhos? Quais as suas tentações e debilidades, ou o seu grau de lealdade e a sua fortaleza? …. E mais ainda: podemos prever que amigos vão virar-nos as costas um dia e converter-se em nossos inimigos? …. Podemos fiar-nos em nós, em que não seremos nós que mudaremos e nos viraremos e atraiçoaremos, que invejaremos um dia quem hoje mais amamos e não poderemos suportar o seu contacto nem a sua presença, e decidiremos reger-nos só pelo nosso ressentimento? …… “

(in Javier Marias, “O teu rosto amanhã”, 3º volume, “ Veneno e sombra e adeus” )

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depois de muita luta o barco ganhou o mar e fez o lanço

(praia de mira; 2010)

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depois de muita luta o barco ganhou o mar e fez o lanço

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crónicas da xávega (153)


HOMENS

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a pancada é dura

sei que antes de entrarem
no barco olham o mar

sei que se benzem
sei que têm fé

sei que precisam de
ir ao marpara ganhar a vida

porque gostam
porque é um desafio

porque são HOMENS

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HOMENS

(praia de mira; companha do zé monteiro; 2010)

crónicas da xávega (29)


e o s. josé galga a onda

e o s. josé galga a onda

perde-se no longe do tempo
o haver mar

tarde chegou o homem
a estas praias
trazido por caminhos
perdidos por aí

cedo venceu o medo
não fora homem
cedo ganhou o mar
não fora gente
cedo comeu o estranho pão
não tivera fome

resistem ainda alguns
em praias quase desertas
abandonados à sua sorte
pelos donos da terra

eles que vencem o mar
que não temem o medo
morrem nas secretarias
assassinados por burocratas

perdem-se no tempo
sobrevivem

heróis do mar

heróis do mar

(praia de mira; companha do zé monteiro)