crónicas da xávega (206)


da leitura

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tivesse eu lido
o homem
como o homem
lia o mar

soubera eu

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(torreira; 2016)

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crónicas da xávega (196)


tudo é nada

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quando tudo acaba
o que começa?

quando o ter sido
não voltará a ser
o que resta?

quando o barco
vencer o mar
nem sempre os homens
se vencem

no fim do fim
não serei nada

encontrei
uma concha na areia
no recuar da onda
peguei nela
senti-lhe a leveza
na palma da mão

tudo era eu
tudo é nada

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(torreira; 2016)

crónicas da xávega (189)


oração (2)

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aos homens que vencem o mar
vencendo-se a si próprios

eu que sou um deles sem o ser
só lhes peço
que sejam em terra os mesmos
de pé altivos destemidos

de joelhos só perante
o senhor dos céus
em oração

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(torreira; companha do marco; 2016)