crónicas da xávega (343)


o poema
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(torreira; 2010)

colhe de madrugada
as mais límpidas palavras
orvalhadas de sonho
no côncavo das mãos
sente-as crescer
sente-as
depois ergue os braços
entrega-as
à brisa da manhã
não importa se as conheces
sequer se as amas
liberta-as
serão elas o poema
que nunca escreveste

crónicas da xávega (326)


(porque o zé mário foi ter com o maia gomes)
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era o tempo de
 
era o tempo de
sentavas-te ao piano
e dizias
 
vamos fazer uma canção
para o zé mário branco
 
era o tempo de
tu estares vivo
o zé mário também
e todos sonharmos
 
como se chovesse
ao contrário
os amigos vão-se
 
foi o tempo de
 
(torreira; 2016)

crónicas da xávega (283)


vou

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falo do incerto
do por vir

todo o início é

teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos

todo o caminho é

falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras

incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu

na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

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(torreira; 2010)