nesta nossa jovem
república
reina a monarquia
do eu
ah
e a poética do nós
pancada de mar
crónicas da xávega (632)
crónicas da xávega (629)
crónicas da xávega (628)
crónicas da xávega (625)
crónicas da xávega (623)
crónicas da xávega (616)
crónicas da xávega (601)
crónicas da xávega (589) – bota! 2025
mais um ou menos um
esquece o tempo dividido
nada é novo
tudo é continuação
sim é fácil desejar
difícil é fazer acontecer
por isso desejas
a guerra a fome a miséria
o sangue o terror
que ensopam a terra
são há muito desejo
de que acabem
e continuam continuam
faz da palavra acto
o pouco que vales
valerá mais
por isso não desejes
sê sujeito activo
nos dias a vir
não esqueças
a desumanidade não pára
(xávega; pancada de mar; torreira; 2016)
crónicas da xávega (588)
recuso o silêncio cúmplice
os acomodados dias
sofá lareira
livro música
recuso não ser aqui
no meu
tempo o grito a revolta
o nojo
recuso o jardim o quintal
mesmo se num qualquer andar
a cadeira de braços a sombra
o perfume das flores
recuso a clandestinidade
do que penso
sou e digo-me
não vou a chás das cinco
(xávega; ir ao mar; torreira; 2013)









