crónicas da xávega (365)


sentou-se

costa de lavos; 2017
 
gostava muito de se sentar
e ficar assim a olhar o mar
 
um livro
poisado nos braços
os olhos pendurados no horizonte
 
como era imensa a janela
incomensurável a casa 

(nota: reparem na “ferramenta” de aço inox, utilizada para suportar a manga, a conduzir e impedir que roce na areia. na praia da torreira e na de mira, conhecia a técnica do cruzamento dos bordões/estacadões que se fazia para produzir este efeito. inovação meus caros, na xávega inova-se, é bom que se inove porque é sinal de que continua. será que algum dia, alguém ao ver isto vai dizer que já não é xávega? sei lá?)

crónicas da xávega (335)


eu queria

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xávega; marga; costa de lavos; 2019

 
eu queria escrever
hoje
algo sobre o amor
 
eu que tanto amei
hoje
não consigo escrever
porque não
amo
 
hoje
não me basta a memória
de ter sido
apetecia-me ser
 
escrever-te a ti
o que não consigo
escrever hoje
 
porque hoje
hoje
nada sinto