crónicas da xávega (272)


santa ignorância

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o sacudir do saco

espanta-me a ignorância
dos que sábios se dizem

predicando asneiras
como se verdades porque
por si proclamadas

assusta-me a velocidade
com que o erro se propaga
pela mão desta gente

o que foi já não é
santa a ignorância
que constrói os dias

(torreira; 2011)

 

crónicas da xávega (249)


vejo sinto sou

talvez não fosse uma maçã
pode até nem ter havido paraíso
nem adão nem eva nem deus
cada um acredita no que quer

mas há a moeda
o fmi o bce o dólar o euro
o bitcoin pasme-se

há o homem e o fascínio
das moedas todas
lhe poderem dar tudo

talvez não exista céu nem anjos
nem inferno nem diabo
mas existe a ganância a cegueira
a lágrima a mágoa a alegria
a revolta a aceitação a ignorância
a fome o desperdício o luxo

existe ainda a propriedade
e os homens impróprios
isto não é crença é facto

e sei que existo eu
a questionar tudo isto
porque vejo sinto sou

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carregar o saco na zorra

(torreira; 2012)