crónicas da xávega (376)


obrigado eugénio

praia da costa de lavos; 2019
dizer
o teu nome

dizer
tantas vezes a mesma palavra
até ela perder o sentido
a sua ligação com o nomeado

dizer
como é doloroso o parto
das palavras
que ainda não disse
ou se disse como as escrevi

dizer
tanto em tão pouco
ser imenso e ínfimo
límpido e complexo

escrever 
“com palavras amo”
e escutá-las
na boca do outro

a beleza do sal (118)


aqui agora

armazéns de lavos; achegar; rer; 2019
não desenho palavras
nem sei de outra música
que a das imagens
roubadas à vida

a máquina fotográfica
não gosto de câmera
os meus dedos
incapazes de desenho

nada de novo
trago aos dias

apenas isto
este estar aqui agora
a inventar

crónicas da xávega (367)


rente ao mar

praia da costa de lavos; 2019
 vêm os homens do mar  
 não deixa o mar o homem
  
 onde antes de corpo todo
 só olhos navegam agora  
  
 conheço-os pelo olhar
 pela saudade salgada  
  
 nasceram em terra e à terra
 o corpo um dia darão
 
 rente ao mar o cemitério
 assim não estranharão