os moliceiros têm vela (368)

os moliceiros têm vela (368)


uma imagem vale mais que mil palavras ?
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aveiro; ti zé rebeço e abílio carteirista; julho; 2019

 
(porque gosto muito deste registo, não o queria perder, nem que fosse mal interpretado, por isso sobre ele umas palavras breves)
 
uma imagem é só isso, livre de a interpretar fica quem a lê; palavras fossem e o mesmo poderia escrever.
 
neste caso, a leitura mais imediata das expressões será a da existência de uma controvérsia acesa entre os intervenientes. nada mais errado.
 
o que a imagem retrata – porque não encenada – são as posturas mais usuais de cada um dos intervenientes: o indicador da mão direita esticado (típico no ti abílio) e as mãos abertas (tão comum no ti zé rebeço).
 
a conversa foi acesa, sim, mas a três – o homem da máquina, eu, também entrou nela – e o acordo foi constante, falámos de moliceiros e das regatas.
 
a expressão gestual das opiniões ficou registada na imagem, não o seu sentido. por isso estas palavras que, não sendo mil, resgatam, de qualquer interpretação quase óbvia e errónea, o que de facto se passava: tão só conversa de amigos.
 
os moliceiros têm vela (365)

os moliceiros têm vela (365)


josé rendeiro (rebeço) e abílio fonseca (carteirista)
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à esquerda ti zé e à direita o ti abílio ( aveiro; regata da ria; 2019)

 
os dois a rondar os 80 anos, o ti abílio com mais alguns e o ti zé quase por lá, são os resistentes de um tempo que hoje se revê nos moliceiros.
 
sem homens não há barcos, e estes homens estão quase a passar o testemunho, a idade é mais forte que a teimosia e o amor que os liga à ria e aos moliceiros.
 
há muitos anos que tenho por eles admiração, respeito e amizade.
 
queria deixar aqui o meu abraço a ambos e o desejo de que quem direito lhes reconheça o valor e o amor que sempre dedicaram ao emblema da terra: o moliceiro.
 
bem haja ti abílio, bem haja ti zé. se a ria tivesse ruas ou praças, certamente que duas teriam o vosso nome.

“Algarve” de artur pastor – a estória do meu exemplar


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em 1965 artur pastor publicou o livro “Algarve”, em edição bilingue, fotografia e monografia do autor.

o ano passado, depois de muito procurar e não encontrar, falei com o filho, artur costa pastor, meu amigo no face, que me disse ser possível encontrar algum exemplar no brasil, para onde tinham ido os exemplares não vendidos em portugal.

com esta informação, não tendo dinheiro suficiente para a viagem, nem passaporte, entro no site dos “sebos” brasileiros e descubro um exemplar em s. paulo. mas…. se o preço estava dentro das minhas possibilidades, os portes – o livro pesa cerca de 3 kg – eram outro tanto.

começa então a funcionar a rede de amigos das redes sociais – as malditas. lembrei-me de dois amigos : mauro mattos filho e eduardo mello. depois de falar com ambos cheguei à conclusão que o eduardo era o ideal. logo se prontificou a receber o livro e até se dava o caso de ter uma irmã que vinha periodicamente a portugal. em 2019 viria,

assim o livro que tinha ido de portugal para o brasil, foi de s. paulo para o rio de janeiro, para voltar a portugal.

entretanto bolsonaro é eleito, e uma amiga de eduardo mello resolve vir para portugal e trouxe o livro para o porto – mais uma amiga

sábado proporcionou-se uma ida ao porto e … recebi o livro das mãos do marido – outro amigo – talvez cerca de seis meses depois de ter chegado.

obrigado eduardo mello, obrigado amigos.

com ele debaixo do braço fui ter com o antero urbano à livraria alfarrabista “paraíso do livro” e pedi ao prof. eduardo – um dos proprietários – que abrisse o embrulho. perguntou-me porquê e eu respondi que logo veria.

o prof. eduardo é de famila algarvia, de olhão.

e o “Algarve” quando foi desembrulhado, de regresso a portugal, foi visto pela primeira vez por um algarvio. estava completo o ciclo.

agora está ao meu lado à espera de ser lido e relido, visto e revisto.

há estórias que apetece contar, mesmo se de repente, mesmo se mal amanhadas….

a beleza do sal (59)


boa safra

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o sr. joaquim a “achegar” na salina do romão

as alterações climáticas já se fizeram sentir na extracção do sal, o ano passado, no salgado da figueira da foz.

as chuvas tardias, atrasaram a preparação dos talhos e mais tarde a própria extracção.
salinas houve que nem produziram.
o tempo este ano também não anda famoso, chuva tardia/sol/chuva. a semana passada estive nos armazéns de lavos e já havia quem começasse a encher os talhos, no dia a seguir choveu.
tivemos um fim de semana de muito calor e …. vai chover de novo.
esperemos que este ano os produtores tenham melhor sorte e o salgado cresça e se mantenha.
aqui fica um registo de 2017, em que o marnoto está a “achegar” o sal, assim o tempo se “achegue” também.
boa safra

 

 

o carnaval é todos os dias


(a conversa transcrita não é um texto de ficção mas de fricção)
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ele
boa noite….. , ainda por aqui? anda tudo cego ou não aparece nada que a satisfaça? bom carnaval, na figueira tá bom tempo
(visita ao perfil dele que logo continua)
conhecendo Coimbra como conheci, olhando para as suas fotos, as suas qualificações e o seu curriculum, é deveras estranho que aqui venha e se mantenha. que diabo, fiz mestrado na praça, pós graduação em quase todas as faculdades – mais nas letras, naturalmente – doutorei-me no tropical e ganhei bolsa pós doc quando fiz o “noites longas”, fico espantado. na cidade dos doutores e de tanto macho latino de carteira bem fornida, educação e cultura acima da média – “à mão de semear”, como se soe dizer – e a ….. vem para o ……. ! o joaquim namorado talvez explicasse com o seu humor fino, mas eu só consigo dizer que você é um “case study” e coimbra um caso perdido. vá, saia, viaje e vai ver que mesmo ao lado de si está o man que lhe falta. inté
ela
Você não sabe o que diz!!
Com tanto cursos, certamente , não serei eu um “case study”…Um pouco de inteligência não seria mau…!
Além do mais, o facto de ter conta aqui , não significa que eu faça o mesmo que o senhor por aqui, nem sequer sabe se faço algo. Não me conhece, fez juízos…remeta-se à sua insignificância …
Acha que existem assim tantas pessoas com afinidades comigo, etc…?
Fique sabendo que não pretendo dinheiro e, se você é doutorado , eu também sou….grrrrrrrr
Quantas pessoas existem como eu? Nem 0,00001%….E, deixe-me em paz…farta de gente ignorante , estou eu!
Acha que pretendo engates, Gente imatura, destituída, bons vivants, barrigudos, bigodaças, carecas, feios, porcos , maus, casados, em relações, desonestos, mal educados,…gente vulgar,…a viver às custas alheias,…etc….. NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO
E agora, diga-me onde estão esses homens disponíveis….São assim tantos??
Você vive noutro planeta! Trate-se…
Prefiro estar só que mal acompanhada ou ter que fazer o frete de aguentar um qualquer…NÃO preciso….Nunca dependi de ninguém, nem dependeria…E tb não pretendo que alguém dependa de mim…Quem quiser viver muito bem, como eu vivo, que faça por isso…
Ah…Não preciso de conselhos do que fazer com a minha vida ..
Há cada um!- !!!! Só mesmo em redes sociais…a retrete da Internet!! Que abomino!
Esteja descansado que penso sair disto muito brevemente …
É triste, muito triste. …nem alguém que deveria ter alguma educação , algum carácter, o tem!!!
ele
ufa! consegui 😎
ela
Quero lá saber do Carnaval ..
Não é divertimento que aprecie….demasiado vulgar ..excepto Veneza…
Vou até às Maldivas….

crónica de novembro no “Notícias de Aveiro”


As mesas dos cafés, a globalização e a crise das utopias

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No tempo em que vivemos, a que já alguém chamou “era da técnica”, a mesa do café saiu pela porta, pela janela, por onde pôde e estendeu-se pelo mundo. Globalizou-se. As conversas alargaram-se aos cinco continentes, passeiam pelas ruas de todos os países, a distância morreu nos braços do WWW e tudo pode ser aqui e agora.

As redes sociais não são mais que a mesa do café globalizada. Quem o não entender hoje, terá dificuldade em estar no amanhã.

Veja-se a recente eleição de Bolsonaro como Presidente do Brasil e de Trump nos Estados Unidos, e as polémicas que geraram. No entanto, Obama foi dos primeiros a utilizar as redes sociais numa campanha eleitoral, que venceu, embora sem quaisquer polémicas.

Assim sendo o que é que as separa? Se o meio é o mesmo, a polémica só pode ser gerada pelos conteúdos, não na exposição das opções políticas, essas claramente diversas, mas por um qualquer outro motivo. Em relação à eleição de Bolsonaro soubemos pelas televisões, e pelas redes sociais também, que tinha difundido a notícias falsas sobre os seus adversários – note-se que na moderna linguagem da comunicação, mentira e falsidade são “inverdades”.

Será que isso só acontece nas redes sociais? E nos meios de comunicação tradicionais? Argumentarão os defensores destes que sendo os seus profissionais jornalistas, obedecem a regras deontológicas e de credibilidade que as redes sociais não contemplam. Seria verdade se não estivéssemos atentos às “notícias” que nos são servidas a toda a hora. “Notícias” que constroem redes sociais nas velhas mesas de café, gerando conversas que se debruçam sobre o “estado a que isto chegou !”.

As redes sociais são o inimigo número um da verdade na informação? Claro que não.Tal como não se pode dizer que os automóveis são o maior inimigo do homem, apesar dos últimos dados sobre os mortos causados por acidentes com automóveis.

A internet veio pôr à disposição do homem novas formas de comunicação, não criou um homem novo. Vivemos num tempo em que a crise das utopias se faz sentir ao nível dos valores e da ética: vale tudo desde que eu ganhe! O “nós” é um eu sem vergonha.

“Caro leitor” , sejamos claros e directos, vivemos numa sociedade onde o dinheiro comanda a vida – “… hoje tudo é mercado” escreveu Rosa Montero. António Gedeão neste momento, onde quer que esteja, só tem pesadelos.

Sei que escrevo esta crónica num jornal local digital, e o que escrevo aqui também o faço nas redes sociais, não é criado no silêncio dos corredores, numa fábrica das inverdades ou à mesa onde come a alta finança e tudo se planeia. Escrevo-o aqui e …. se já piquei de algum modo a sua curiosidade ou lhe abri uma janela para espreitar de outra forma a realidade que lhe servem em directo, já foi bom.

Até breve, aqui ou numa qualquer rede social perto de si.

(nota esta crónica surge na continuação da anterior e encerra-a)

link para a notícia

https://www.noticiasdeaveiro.pt/as-mesas-dos-cafes-a-globalizacao-e-a-crise-das-utopias/

 

de espanto em espanto


desde que publiquei no meu blog o artigo sobre a notícia dada pelo jornal “Concelho da Murtosa”, no passado dia 23, a propósito do meu livro, têm-se sucedido, no blog, comentários estranhos, primeiro por “maria murtosa”, depois por “augusto vinheirão”, ambos feitos a partir do mesmo computador ou do mesmo local. agora chegou a vez do vice-presidente da câmara municipal da murtosa, na publicação de dia 5 de outubro que, por mera curiosidade, é ilustrada com uma foto da praia de mira.

transcrevo o comentário feito no blog, não porque me cause qualquer mossa, mas porque mostra bem o nível de quem o produz, ao mesmo tempo que demonstra ignorar, tal como o jornal já citado, a minha forma de estar.

O meu gosto pela fotografia, leva-me a tê-lo na maior conta. Para que possa ter aceitação no meio Murtoseiro, devia deixar de ser o Vasco Pulido Valente do ramo da fotografia e da poesia; ou seja, no seu íntimo, só o Senhor é que sabe fotografar e mais ninguém na terra marinhôa devia fazer fotografia.

De resto, as portas da Galeria Municipal, estão abertas e no aniversário da freguesia da Torreira e do Concelho da Murtosa, está convidado a expor o seu trabalho.

assinado : Januário Cunha, email : januario.cunha@cm-murtosa.pt 

januário

ao utilizar o endereço de email da câmara municipal, deixou de comentar como particular, para o passar a fazer a nível oficial – lembram-se do tempo das cartas? uma carta particular era enviada em envelope normal, uma carta oficial em envelope timbrado da instituição. no email é o mesmo. por outro lado o último parágrafo do comentário só pode ser escrito por alguém com lugar no executivo.

em tudo o que escreve o senhor vice-presidente da câmara municipal da murtosa, a única coisa que ressalta como pura falsidade para quem me conhece é “…. no seu íntimo, só o Senhor é que sabe fotografar e mais ninguém na terra marinhôa devia fazer fotografia.”. não fora esta afirmação e nem resposta lhe daria. mas há limites para o silêncio.

e jorge bacelar, campeão do mundo de fotografia, e tantos dos sócios da associação de fotografia e artes visuais da murtosa (afavm) de que o sr. vice-presidente é sócio, e os não associados? fotógrafos de méritos reconhecidos e cujo trabalho respeito, porque conheço, e não me parece que possam estar de acordo com esta afirmação.

e os fotógrafos que tenho trazido à murtosa e torreira, para fotografarem a ria e a xávega, e aos quais tenho mostrado locais e explicado os métodos que utilizei durante anos para registar as belezas da nossa terra? acaso o sr. vice-presidente participou no workshop com o título “ fotografar a arte-xávega” promovido pela afavm e por mim orientado, onde comecei por dizer que não ia falar de fotografia, já que havia na assistência bem melhores fotógrafos do que eu, mas sim falar de xávega?

os que conhecem o meu trabalho, portugueses e estrangeiros, e me conhecem pessoalmente, sabem que o seu comentário não faz sentido, do princípio ao fim, mas isso não é problema meu.

lamento, meu caro, mas não lhe reconheço artes que lhe permitam ver o que vai no meu íntimo e por isso o deixo divagar devagar.