crónicas da xávega (358)


2 de setembro de 2016

agostinho trabalhito (canhoto); torreira; 2 de setembro de 2016

como já escrevi na primeira publicação desta série, a minha era digital na xávega começou em 2005 e, na torreira, por motivos vários, terminou no dia 2 de setembro de 2016 – doze anos a registar fotográficamente, e não só, a xávega na torreira


a foto que publico hoje é a “última foto que fiz no mar da torreira”.


como não acredito em coincidências, entendo que o facto de nela aparecer o meu grande amigo agostinho trabalhito “canhoto” não é acaso, tinha de ser.

lembro uma história breve da nossa amizade e que diz tudo.

“um dia, disse-lhe que quando morresse as minhas cinzas iriam ser deitadas ao mar. ao ouvir isto o agostinho, com a maneira de falar que o caracteriza, exclamou:


ah! cravo. eu nesse dia não bou ao mar!

crónicas da xávega (355)


2020 ano a zero

torreira; 2005

em 2005 começou a minha aventura na fotografia digital.


não sou “de fotografar tudo”, tenho os meus temas, sempre os tive. de entre eles o retrato e a xávega começaram por se destacar na era digital, sem quaisquer pretensões.


desde 2005, ano após ano, fotografei a xávega em várias praias da nossa costa. andei por aí.


2020 é o primeiro ano em que não faço uma única foto de xávega, uma única. causas várias em que o covid também tem a sua importância.


neste registo de 2005, fica a memória de um barco: o s. pedro. era propriedade do arrais manuel dias da torreira (é ele que está na bica da ré). anos mais tarde foi comprado pelo arrais zé murta (falecido) que, depois de reparação foi rebaptizado com o nome de “olá s. pedro”.
viria depois a ser vendido para a praia de pedrógão.


a fotografia permite estas viagens.

a beleza do sal (101)


Recriação da safra à moda antiga” – foto 14

salina do corredor da cobra; armazéns de lavos; agosto 2020

giga cheia à cabeça, cinquenta quilos quase, elas caminham com o porte das grandes senhoras que ao vê-las as invejam

postais da ria (363)


chama-se dinis

(torreira; corrida de chinchorros; s paio; 2020)


para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)


este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.


a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.

na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.

para todos os meus parabéns e um abraço

a beleza do sal (99)


“Recriação da safra à moda antiga” – foto 12

(salina do corredor da cobra; armazéns de lavos; agosto; 2020)

com esta publicação termina a série de fotos em que pretendi mostrar a “Recriação da safra à moda antiga”, organizada em agosto de 2020 no ecomuseu do sal, nos armazéns de lavos.


esta série só foi possível graças a três factores – trabalho, amizade e sorte – e a três pessoas – santos silva, margarida perrolas e gilda saraiva.

esparsamente irão aparecendo outras fotos deste evento mas sem o carácter que a série revestiu.

o meu abraço a todos os que com a sua amizade me permitiram fazer estes “bonecos”.

na foto os marnotos (marronteiros) e os montes de sal

a beleza do sal (96)


“Recriação da safra à moda antiga” – foto 9

salina do corredor da cobra; armazéns de lavos; agosto; 2020

com a giga carregada à cabeça a tiradeira leva o sal para o armazém

os marnotos continuam a tirar sal dos montes e a encher outras gigas

a beleza do sal (88)


“Recriação da safra à moda antiga” – foto 1

marnoto com cunhos

no mês de agosto, na salina municipal do corredor da cobra, núcleo museológico do sal, nos armazéns de lavos, realiza-se a recriação da safra à moda antiga.


no passado dia 16 de agosto teve lugar a recriação de 2020.


os marronteiros com a ajuda de punhos, retiram o sal dos montes da última redura e carregam as gigas, que as salineiras (tiradeiras) levam à cabeça até ao armazém.


este ano, foram garantidas as medidas de segurança que o tempo exige e que podem ser vistas nas fotos que publicarei nos próximos dias.


nesta foto (primeira de uma série, que procurarei ser diária), feita antes da recriação, vê-se um marronteiro com os punhos


(salina do corredor da cobra; agosto; 2020)