crónicas da xávega (322)


escrever com os olhos
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leirosa; carregar o saco; 2019

para mim, chegou ao fim mais uma época de fotografia daquilo de que efectivamente gosto. também eu tive a minha safra: o semear artesanal do arroz no baixo mondego, a ria de aveiro, com as bateiras e os moliceiros, a xávega em lavos e na leirosa, o sal na morraceira e nos armazéns de lavos.
ficam muitos registos guardados no armazém, em bruto e por trabalhar, que até à próxima época aqui estarão a dizer o como foi, a serem a memória dos dias dos homens, das mulheres e das fainas que registei.
mais que palavras é a escrita dos olhos que vou por aí deixando, sem pretensões de arte, nem de “bonitos”, mas procurando registar as fainas na sua forma mais pura: sem encenação
obrigado a todos os que registei e que, de forma efémera, oferto aos olhos de quem passa.

a beleza do sal (67)


acabou a safra de 2019
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ilha da morraceira; tirar; 12/10/2019

 
a safra de 2019 chegou ao fim, foi feita a última redura, tira-se o sal e arruma-se no armazém.
 
as alterações climáticas há dois anos que se fazem sentir com maior intensidade na produção do salgado da figueira da foz – falo do que conheço, não sei como correu nos restantes salgados do país -, não conhecendo números, nem é essa a minha intenção, mas pelo acompanhamento, mais contínuo e cuidado, que faço desde 2016 do trabalho dos marronteiros, tenho a sensação de que “a coisa não correu muito bem”.
 
este registo,sendo dos últimos do ano, é um convite aos amigos fotógrafos para um olhar diferente, que espero ter conseguido e de que gosto muito – o carlos santinho, pelo menos, gostou do que viu no lcd.
 
os moliceiros têm vela (368)

os moliceiros têm vela (368)


uma imagem vale mais que mil palavras ?
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aveiro; ti zé rebeço e abílio carteirista; julho; 2019

 
(porque gosto muito deste registo, não o queria perder, nem que fosse mal interpretado, por isso sobre ele umas palavras breves)
 
uma imagem é só isso, livre de a interpretar fica quem a lê; palavras fossem e o mesmo poderia escrever.
 
neste caso, a leitura mais imediata das expressões será a da existência de uma controvérsia acesa entre os intervenientes. nada mais errado.
 
o que a imagem retrata – porque não encenada – são as posturas mais usuais de cada um dos intervenientes: o indicador da mão direita esticado (típico no ti abílio) e as mãos abertas (tão comum no ti zé rebeço).
 
a conversa foi acesa, sim, mas a três – o homem da máquina, eu, também entrou nela – e o acordo foi constante, falámos de moliceiros e das regatas.
 
a expressão gestual das opiniões ficou registada na imagem, não o seu sentido. por isso estas palavras que, não sendo mil, resgatam, de qualquer interpretação quase óbvia e errónea, o que de facto se passava: tão só conversa de amigos.
 
os moliceiros têm vela (365)

os moliceiros têm vela (365)


josé rendeiro (rebeço) e abílio fonseca (carteirista)
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à esquerda ti zé e à direita o ti abílio ( aveiro; regata da ria; 2019)

 
os dois a rondar os 80 anos, o ti abílio com mais alguns e o ti zé quase por lá, são os resistentes de um tempo que hoje se revê nos moliceiros.
 
sem homens não há barcos, e estes homens estão quase a passar o testemunho, a idade é mais forte que a teimosia e o amor que os liga à ria e aos moliceiros.
 
há muitos anos que tenho por eles admiração, respeito e amizade.
 
queria deixar aqui o meu abraço a ambos e o desejo de que quem direito lhes reconheça o valor e o amor que sempre dedicaram ao emblema da terra: o moliceiro.
 
bem haja ti abílio, bem haja ti zé. se a ria tivesse ruas ou praças, certamente que duas teriam o vosso nome.

“Algarve” de artur pastor – a estória do meu exemplar


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em 1965 artur pastor publicou o livro “Algarve”, em edição bilingue, fotografia e monografia do autor.

o ano passado, depois de muito procurar e não encontrar, falei com o filho, artur costa pastor, meu amigo no face, que me disse ser possível encontrar algum exemplar no brasil, para onde tinham ido os exemplares não vendidos em portugal.

com esta informação, não tendo dinheiro suficiente para a viagem, nem passaporte, entro no site dos “sebos” brasileiros e descubro um exemplar em s. paulo. mas…. se o preço estava dentro das minhas possibilidades, os portes – o livro pesa cerca de 3 kg – eram outro tanto.

começa então a funcionar a rede de amigos das redes sociais – as malditas. lembrei-me de dois amigos : mauro mattos filho e eduardo mello. depois de falar com ambos cheguei à conclusão que o eduardo era o ideal. logo se prontificou a receber o livro e até se dava o caso de ter uma irmã que vinha periodicamente a portugal. em 2019 viria,

assim o livro que tinha ido de portugal para o brasil, foi de s. paulo para o rio de janeiro, para voltar a portugal.

entretanto bolsonaro é eleito, e uma amiga de eduardo mello resolve vir para portugal e trouxe o livro para o porto – mais uma amiga

sábado proporcionou-se uma ida ao porto e … recebi o livro das mãos do marido – outro amigo – talvez cerca de seis meses depois de ter chegado.

obrigado eduardo mello, obrigado amigos.

com ele debaixo do braço fui ter com o antero urbano à livraria alfarrabista “paraíso do livro” e pedi ao prof. eduardo – um dos proprietários – que abrisse o embrulho. perguntou-me porquê e eu respondi que logo veria.

o prof. eduardo é de famila algarvia, de olhão.

e o “Algarve” quando foi desembrulhado, de regresso a portugal, foi visto pela primeira vez por um algarvio. estava completo o ciclo.

agora está ao meu lado à espera de ser lido e relido, visto e revisto.

há estórias que apetece contar, mesmo se de repente, mesmo se mal amanhadas….

a beleza do sal (59)


boa safra

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o sr. joaquim a “achegar” na salina do romão

as alterações climáticas já se fizeram sentir na extracção do sal, o ano passado, no salgado da figueira da foz.

as chuvas tardias, atrasaram a preparação dos talhos e mais tarde a própria extracção.
salinas houve que nem produziram.
o tempo este ano também não anda famoso, chuva tardia/sol/chuva. a semana passada estive nos armazéns de lavos e já havia quem começasse a encher os talhos, no dia a seguir choveu.
tivemos um fim de semana de muito calor e …. vai chover de novo.
esperemos que este ano os produtores tenham melhor sorte e o salgado cresça e se mantenha.
aqui fica um registo de 2017, em que o marnoto está a “achegar” o sal, assim o tempo se “achegue” também.
boa safra

 

 

o carnaval é todos os dias


(a conversa transcrita não é um texto de ficção mas de fricção)
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ele
boa noite….. , ainda por aqui? anda tudo cego ou não aparece nada que a satisfaça? bom carnaval, na figueira tá bom tempo
(visita ao perfil dele que logo continua)
conhecendo Coimbra como conheci, olhando para as suas fotos, as suas qualificações e o seu curriculum, é deveras estranho que aqui venha e se mantenha. que diabo, fiz mestrado na praça, pós graduação em quase todas as faculdades – mais nas letras, naturalmente – doutorei-me no tropical e ganhei bolsa pós doc quando fiz o “noites longas”, fico espantado. na cidade dos doutores e de tanto macho latino de carteira bem fornida, educação e cultura acima da média – “à mão de semear”, como se soe dizer – e a ….. vem para o ……. ! o joaquim namorado talvez explicasse com o seu humor fino, mas eu só consigo dizer que você é um “case study” e coimbra um caso perdido. vá, saia, viaje e vai ver que mesmo ao lado de si está o man que lhe falta. inté
ela
Você não sabe o que diz!!
Com tanto cursos, certamente , não serei eu um “case study”…Um pouco de inteligência não seria mau…!
Além do mais, o facto de ter conta aqui , não significa que eu faça o mesmo que o senhor por aqui, nem sequer sabe se faço algo. Não me conhece, fez juízos…remeta-se à sua insignificância …
Acha que existem assim tantas pessoas com afinidades comigo, etc…?
Fique sabendo que não pretendo dinheiro e, se você é doutorado , eu também sou….grrrrrrrr
Quantas pessoas existem como eu? Nem 0,00001%….E, deixe-me em paz…farta de gente ignorante , estou eu!
Acha que pretendo engates, Gente imatura, destituída, bons vivants, barrigudos, bigodaças, carecas, feios, porcos , maus, casados, em relações, desonestos, mal educados,…gente vulgar,…a viver às custas alheias,…etc….. NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO
E agora, diga-me onde estão esses homens disponíveis….São assim tantos??
Você vive noutro planeta! Trate-se…
Prefiro estar só que mal acompanhada ou ter que fazer o frete de aguentar um qualquer…NÃO preciso….Nunca dependi de ninguém, nem dependeria…E tb não pretendo que alguém dependa de mim…Quem quiser viver muito bem, como eu vivo, que faça por isso…
Ah…Não preciso de conselhos do que fazer com a minha vida ..
Há cada um!- !!!! Só mesmo em redes sociais…a retrete da Internet!! Que abomino!
Esteja descansado que penso sair disto muito brevemente …
É triste, muito triste. …nem alguém que deveria ter alguma educação , algum carácter, o tem!!!
ele
ufa! consegui 😎
ela
Quero lá saber do Carnaval ..
Não é divertimento que aprecie….demasiado vulgar ..excepto Veneza…
Vou até às Maldivas….