os moliceiros têm vela (278)


porque vou estar ausente por uns dias, deixo-vos esta pérola de um murtoseiro, no grupo “Murtosa”, no facebook, no dia 20 de setembro, a propósito dos moliceiros amputados que enchem os canais de aveiro.
00 joao cirne
 
que um murtoseiro pense nestes termos é preocupante, que o o diga e escreva num grupo como o “Murtosa”, espanta-me.
 
infelizmente aprendi muito mais sobre alguns murtoseiros nos últimos anos, do que nos mais de 60 em que bebi princípios e valores que nessa terra me foram transmitidos.
 
desculpar-me-á o Joao Cirne, mas assim “batatas”
 
voltarei, certamente com mais calma, mas espero que não sejam muitos os que pensam deste modo e que os que o pensam tenham a coragem de o dizer. é aí que admiro Joao Cirne, diz o que talvez alguns pensem mas calam-se.
 
ou será que sou eu que estou errado e comigo aqueles que defendem os moliceiros tradicionais?
 
até breve.
 
abraço
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postais da ria (222)


a vida de quem vive da ria não está fácil

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quando todos são um e muito mais que cada um

este ano, contrariamente ao habitual, a corrida de chinchorros foi na quinta-feira, dia 7, e não no sábado juntamente com a regata das bateiras à vela.

para mim, e muitos dos que seguem as regatas do s. paio, esta é a mais emocionante. por isso mesmo, o ser ao sábado garantia a assistência que merece. manifestei-me contra a data escolhida este ano numa publicação a que dei o título “manda quem pode”.

quando cheguei à torreira falei com um pescador membro da organização e disse-lhe o que pensava. a resposta calou-me e foi muito simples:

“- fui eu quem decidiu, porque amanhã, dia 8, é dia de s. paio e há pescadores a quem fazem muito jeito os 50 euros de prémio de participação, que recebem hoje, para festejarem o s. paio.”

a explicação é mais que suficiente, pelo menos para mim.

retiro assim o que disse na publicação referida. é muito mais importante, para os pescadores, poderem brincar o s. paio com alguns trocos a mais na algibeira, do que terem muito mais gente a assistir à corrida de chinchorros.

a vida de quem vive da ria não está fácil.

(corrida de chinchorros; s. paio; 2017)

os moliceiros têm vela (276)


regata do s. paio 2017

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a última regata do ano, na ria de aveiro foi a mais participada de todas, com 11 moliceiros da classe A e 2 da classe B.

classe A

Zé Rito
A. Rendeiro
Marco Silva
Dos Netos
Inobador
Bulhas
Um Sonho
C. M. Murtosa
S. Salvador
O Amador
Manuel Vieira

classe B

Ecomoliceiro
Sermar

posição à chegada

1º Marco Silva
2º A. Rendeiro
3º Zé Rito

4º Bulhas
5º Um Sonho

 

foi uma bela regata e mais bela ficou a ria onde decorreu. mais um ano que os moliceiros tradicionais levaram de vencida.

mais um ano em que os donos dos barcos deram tudo para que eles continuassem. de compensação pelo seu esforço financeiro só os prémios das regatas…..E NÃO CHEGAM.

PARA QUANDO O RECONHECIMENTO DO MOLICEIRO COMO PATRIMÓNIO MURTOSEIRO, NACIONAL E MUNDIAL, MERECEDOR DOS DEVIDOS APOIOS E INCENTIVOS?

mas…..

foi um ano de festa, mais um moliceiro da classe A na regata e mais outro em construção no chegado.

foi um s. paio de azar para o zé rito que viu a verga, ou invergue, partir perto da meta e assim perdeu o primeiro lugar.

foi pena não ver o meu amigo, figura típica e castiça da ria, ti zé formigo na tripulação do moliceiro da C. M. da Murtosa.

foi bom a AFAVM, no seu primeiro ano de vida ainda por completar, ter feito a divulgação da regata pelos seus associados e criado condições para que pudessem acompanhar a regata a bordo de barcos de pescadores da torreira.

todos, pelo empenho, pela dedicação e pela iniciativa são merecedores do nosso respeito e admiração.

até para o ano amigos, na regata ria espero voltar a ver-vos

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(torreira; regata do s. paio; 2017)

 

 

os moliceiros têm vela (274)


correr por gosto também cansa e eu estou velho

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(extracto de uma troca de comentários a uma foto minha de moliceiros, no facebook, no grupo “moliceiros com história” , criado por mim )

“- Que ELEGÂNCIA!!! Que IMPONÊNCIA!!! Não hajam dúvidas: somos um povo privilegiado, com estas BELEZAS…

– não basta tê-los, é preciso mantê-los. é esse o desafio que se nos coloca todos os anos. por isso este grupo: para alertar mostrando a sua beleza

– ISSO é outra “loiça”, António… compreendo…”

e assim termina a conversa com um murtoseiro.

moliceiros sim, gosto muito, mas …. passo a outro a luta.

por mim tá passada.

agora vou curtir os moliceiros, dizer que os amo muito, mas não quero ter problemas.

murtosa é isto

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(regata do bico; murtosa; 2017)

os moliceiros têm vela (270)


regata do bico 2017

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o moliceiro MARCO SILVA, vencedor da regata

lista de participantes

CLASSE A

MARCO SILVA
A. RENDEIRO
UM SONHO
ZÉ RITO
S. SALVADOR
O AMADOR
BULHAS
DOS NETOS
C.M. MURTOSA

CLASSE B

ECOMOLICEIRO
SERMAR

classificação da CLASSE A

1º MARCO SILVA

2º A. RENDEIRO

3º UM SONHO

4º ZÉ RITO

5º S. SALVADOR

(nota não consegui saber as posições à chegada a partir do 5º lugar)

neste registo o moliceiro MARCO SILVA no último cambanço, já isolado.

repare-se como ao dar bombordo à bóia, a rasa num precioso ganho de tempo e distância, evidenciando a perícia da tripulação.

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(cais do bico; 6 de agosto de 2017)

como caem as árvores


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1. ouvi o barulho da serra. levantei-me. vesti-me. peguei na máquina. aproximei-me e comecei a fotografar. que não podia. que tinha de sair. que me tiravam a máquina. semblantes carregados. rostos fechados. cercas encerradas de imediato.

afinal, só estavam a abater 3 árvores. só isso. porquê o medo? porquê? o que é que estava a fazer?

2. voltei mais tarde. de longe. equipado. fica o registo

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3.

a ordem

o homem
a mão
a serra

a ferida
o esticão
a morte

as árvores
dormem nas nuvens
os homens
quando acordarão?

marcadas para abater


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junto à esquina norte, antes dos semáforos

“vamos alargar a rua e, não vê, estão velhas”

e foi assim, hoje de manhã, que um funcionário respondeu, quando lhe foi perguntado se as árvores que estavam a marcar eram para abater.

sim, são para abater!

sim estão marcadas!

sim são árvores, árvores em plena cidade, certamente mais velhas que o funcionário de velho pensar.

proteger as árvores, com certeza! agora as nossas, no meio da cidade…. são para arrancar.

já arrancaram as mais jovens, chegou a vez das “mais velhas”.

assim vamos por cá

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(figueira da foz, 20 de julho, 2017)

todas as quatro árvores estão marcadas com uma cruz pintada a branco, para que quem venha saiba que ….. são para abater