os moliceiros têm vela (270)


regata do bico 2017

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o moliceiro MARCO SILVA, vencedor da regata

lista de participantes

CLASSE A

MARCO SILVA
A. RENDEIRO
UM SONHO
ZÉ RITO
S. SALVADOR
O AMADOR
BULHAS
DOS NETOS
C.M. MURTOSA

CLASSE B

ECOMOLICEIRO
SERMAR

classificação da CLASSE A

1º MARCO SILVA

2º A. RENDEIRO

3º UM SONHO

4º ZÉ RITO

5º S. SALVADOR

(nota não consegui saber as posições à chegada a partir do 5º lugar)

neste registo o moliceiro MARCO SILVA no último cambanço, já isolado.

repare-se como ao dar bombordo à bóia, a rasa num precioso ganho de tempo e distância, evidenciando a perícia da tripulação.

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(cais do bico; 6 de agosto de 2017)

como caem as árvores


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1. ouvi o barulho da serra. levantei-me. vesti-me. peguei na máquina. aproximei-me e comecei a fotografar. que não podia. que tinha de sair. que me tiravam a máquina. semblantes carregados. rostos fechados. cercas encerradas de imediato.

afinal, só estavam a abater 3 árvores. só isso. porquê o medo? porquê? o que é que estava a fazer?

2. voltei mais tarde. de longe. equipado. fica o registo

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3.

a ordem

o homem
a mão
a serra

a ferida
o esticão
a morte

as árvores
dormem nas nuvens
os homens
quando acordarão?

marcadas para abater


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junto à esquina norte, antes dos semáforos

“vamos alargar a rua e, não vê, estão velhas”

e foi assim, hoje de manhã, que um funcionário respondeu, quando lhe foi perguntado se as árvores que estavam a marcar eram para abater.

sim, são para abater!

sim estão marcadas!

sim são árvores, árvores em plena cidade, certamente mais velhas que o funcionário de velho pensar.

proteger as árvores, com certeza! agora as nossas, no meio da cidade…. são para arrancar.

já arrancaram as mais jovens, chegou a vez das “mais velhas”.

assim vamos por cá

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(figueira da foz, 20 de julho, 2017)

todas as quatro árvores estão marcadas com uma cruz pintada a branco, para que quem venha saiba que ….. são para abater

regata da ria 2017, resultados, prémios e algumas contas de espantar


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o A. Rendeiro já claramente em 1º lugar

Participantes

Barcos moliceiros classe A – tamanho tradicional

A. Rendeiro
Marco Silva
Um Sonho
Zé Rito
O Amador
Bulhas
S. Salvador
Dos Netos
Câmara Municipal da Murtosa

Barcos moliceiros classe B – mais pequenos

Ecomoliceiro
Sermar

(ao todo 11 barcos)

Classificação e prémios de regata

Classe A

1º – A. Rendeiro – 150 euros
2º – Marco Silva – 100 euros
3º- Um Sonho – 50 euros

Classe B

1º – Ecomoliceiro – 150 euros
2º – Sermar – 100 euros

Classificação e prémios de painéis ( só classe A)

1º – A. Rendeiro – 300 euros
2º – Marco Silva – 250 euros
3º- Bulhas – 200 euros
4º – Zé Rito – 150 euros
5º – O Amador – 100 euros

Algumas contas

Prémio de participação : 700 euros ( 9 classe A). Total 6.300 euros
Prémio de participação : 600 euros (2 classe B). Total 1.200 euros
Prémios de classificação: 300 euros ( classe A) ; 250 euros (classe B)
Prémio de painéis : 1.000 euros

Total do valor entregue aos moliceiros: 6.300+1.200+300+250+1.000 = 9.050 euros

E, agora, pensemos um pouco

Nos últimos anos a transferência da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – para a comissão organizadora da regata da ria – tem sido de cerca de 17.000 euros, e este ano terá sido, pelo menos, o mesmo.

A questão em que eu gostava que meditassem é:

11 MOLICEIROS PARTICIPARAM NA REGATA E RECEBERAM 9.050 EUROS.

PARA ONDE FOI O RESTANTE??????????????

A BRINCAR, A BRINCAR PODEMOS ESTAR A FALAR DE CERCA DE 8.000 EUROS

Assim sendo, apetece perguntar

QUEM GANHA COM A REGATA DA RIA?

OS MOLICEIROS NÃO, DE CERTEZA!

SERÁ QUE NINGUÉM MOSTRA AS CONTAS?

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os 3 primeiros na recta final da regata

“olhar a xávega” no Monte Branco Caffé


não vou esquecer o dia 3 de junho

não vou esquecer a afavm

não vou esquecer os amigos que lá estiveram e os que por motivos de ausência do continente não puderam estar presentes e mo comunicaram

não me vou esquecer dos que não tendo sido convidados estavam na sala e só saíram depois de terminar

foram 2h30m de emoção e alguma fotografia

esta tem 45 anos, foi produzida por mim do negativo ao papel, na murtosa

abraço os que me abraçaram

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o carregar da rede

os moliceiros têm vela (262)


há eleições? repara-se o moliceiro!

“notícia é quando um homem morde num cão, e não o contrário”

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o moliceiro da câmara da murtosa com duas velas

haverá alguns dias aparecia na página do facebook do município da murtosa, uma publicação com o seguinte título “BARCO MOLICEIRO DA CÂMARA DA MURTOSA EM MANUTENÇÃO NO ESTALEIRO DA PRAIA DO MONTE BRANCO” -https://www.facebook.com/municipiodamurtosa/posts/1349085255169813:0. amigos houve que partilharam esta publicação como se de algo extraordinário fosse …

e não é que é mesmo! é que não se percebe porque é que aquilo que todos os moliceiros resistentes fazem nesta época do ano, reparação e manutenção – aproximam-se as regatas –, há-de ser notícia? será por ser o moliceiro da câmara municipal? só se for.

no entanto é capaz de ser mesmo notícia relevante, será que não houve reparações desde 2013? se houve, desculpem mas não dei por ela, nem foi objecto de qualquer publicação na mesma página….

(um amigo segreda-me: você fala porque não vive cá…..)

recordo agora que em 2013 fiz no meu blog, e no facebook, uma publicação sobre uma situação análoga, então com publicação em jornal – ainda não havia página no facebook. vejam o que se passava, leiam:
https://ahcravo.com/2013/08/16/murtosa-moliceiro-da-autarquia-alvo-de-manutencao/

coincidências! 2013 e 2017 são anos de eleições autárquicas. não é que na murtosa esteja em causa a mudança de executivo, mas sempre são eleições e eu, neste caso e a bem do moliceiro municipal, começo a pensar que devia de haver eleições todos os anos.

lembro-me de em 2012 não ter havido regata da ria por falta de fundos, de se ter feito uma manifestação, da torreira a aveiro, com alguns moliceiros, de caras tapadas com plástico preto, bandeira preta e um cartaz a dizer “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”.

em 2013 fez-se a regata e o candidato à câmara de aveiro, ribau esteves, até veio à torreira dar a partida. coincidência?

(o amigo insiste: você fala porque não vive cá…..)

quanto a outros parágrafos da publicação, que davam pano para mangas, quero só tocar no que mais me interessa, o apoio aos donos dos moliceiros resistentes. escreve-se, e transcrevo, “ No último ano, os prémios atribuídos pela autarquia ascenderam, na globalidade, a mais de 10.000 euros”. tanto dinheiro! quanto é que dá por barco? chega para garantir os custos de reparação e pintura, sem falar já nos de manutenção? (nunca menos de 1.500 euros, pelo que me dizem) mas o valor desta reparação e pintura do moliceiro municipal deve servir de indicador e ajudar a ver quanto custa.

(algures em pardelhas há um homem que deixa a porta e, no sossego do escritório, começa escrever: este turista que vem de coimbra tirar umas fotos a correr pela praia …)

encontramo-nos na primeira regata, a da ria.

(nota: no que diz respeito ao museu estaleiro do monte branco – é assim que é designado na página da autarquia – já me pronunciei em tempo sobre ele https://ahcravo.com/2015/01/31/cada-cavadela-cada-minhoca/)

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e terminará em quarto lugar

(regata da ria; 2014)

postais da ria (201)


não há futuro na ria

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maria josé moreirinhas, na sua tese de mestrado “SOLIDARIEDADE E SOBREVIVÊNCIA NA RIA DE AVEIRO” – editada em 1998, com patrocínio da câmara municipal da murtosa – escreve na página 167 “ Em 1994, na Torreira, apenas apareceu um intermediário (para a compra de ameijoa e berbigão; o resto do pescado é vendido em Pardelhas) que, como único comprador estabeleceu o preço que lhe convinha” ……

estamos em 2017

a praça de pardelhas já não existe, os intermediários agora são 2 e compram tudo: berbigão, ameijoa, choco, linguado, lampreia …. são eles que estabelecem os preços e, no caso do berbigão, definem ainda as quantidades e os dias da compra.

acabou-se a capacidade de os pescadores venderem num mercado concorrencial, com todas as consequências que dai resultam para os seus rendimentos. mais ainda, existem contratos “de fidelização” com os intermediários, com aplicação de “multa” em caso de venda a terceiros.

de todos os pescadores da torreira, dos dedos de uma mão sobram muitos depois de contarmos os que não têm contrato com um intermediário.

não escrevo, nem digo mais nada. quem lê que tire as suas conclusões.

a ria, o rio, a laguna, como lhe queiram chamar, tem uma saída para o mar, os pescadores da torreira também. aos mais novos resta-lhes ainda emigrar ou, com alguma sorte, arranjar emprego na pouca indústria que na zona existe.

não há futuro na ria

nota: para quem se interessar pela vida dos pescadores da torreira aconselho a leitura do livro com que abro esta crónica