fazer sal na figueira da foz


ahcravo_DSC7229 s.jpg

em 2016 e 2017 fotografei o salgado da figueira – morraceira e armazéns de lavos.
aprendi os termos”chave da faina e conheci quase todos os marnotos, ou marronteiros.
das diferentes fases do trabalho de fazer sal. mão amiga recolheu neste registo o essencial, dotou-o de música e fez este foto filme.
palavras chave: talho, ugalho, rer, achegar, mexer, cumbeirar, enfeitar.

os moliceiros têm vela (367)

os moliceiros têm vela (367)


da regata da ria 2019
0 ahcravo_DSC_7886bw.jpg

regata da ria; fazer bordos; 2019

 
da beleza da dança
todos enchemos os olhos
 
poucos conhecem
da bailarina o sacrifício
 
dançassem os mandantes
estariam cheias as cadeiras
vazio o palco
 
falo dos moliceiros
da regata da ria
dos camaradas
do sangue da dor
do esforço
falo dos homens
 
falo dos senhores sentados
à mesa do calendário
e dos banquetes
0 ahcravo_DSC_7886

regata da ria; fazer bordos; 2019

 
os moliceiros têm vela (366)

os moliceiros têm vela (366)


bota abaixo de “O Conquistador”

_DSC8846.jpg

a 30 de junho de 2019 a ria recebeu mais um moliceiro tradicional: “O Conquistador”.
 
mandado fazer por márcio nunes e domingos mole, sem quaisquer apoios financeiros que não os dinheiros próprios, foi construído por marco silva e pintado por josé manuel oliveira.
 
neste registo fica a memória do bota abaixo

 

os moliceiros têm vela (365)

os moliceiros têm vela (365)


josé rendeiro (rebeço) e abílio fonseca (carteirista)
0 ahcravo_DSC9679

à esquerda ti zé e à direita o ti abílio ( aveiro; regata da ria; 2019)

 
os dois a rondar os 80 anos, o ti abílio com mais alguns e o ti zé quase por lá, são os resistentes de um tempo que hoje se revê nos moliceiros.
 
sem homens não há barcos, e estes homens estão quase a passar o testemunho, a idade é mais forte que a teimosia e o amor que os liga à ria e aos moliceiros.
 
há muitos anos que tenho por eles admiração, respeito e amizade.
 
queria deixar aqui o meu abraço a ambos e o desejo de que quem direito lhes reconheça o valor e o amor que sempre dedicaram ao emblema da terra: o moliceiro.
 
bem haja ti abílio, bem haja ti zé. se a ria tivesse ruas ou praças, certamente que duas teriam o vosso nome.
os moliceiros têm vela (364)

os moliceiros têm vela (364)


… E houve Regata
0 ahcravo_ DSC_7880.jpg

quando os moliceiros dançam ((regata da ria; 2019)

Apesar de ser contra a maré, até S. Jacinto, e sem vento de norte, ao fim de cerca de 3 horas o primeiro moliceiro chegou a Aveiro. Contra tudo o que era previsível, sem a espectacularidade a que nos habituaram as regatas marcadas em datas que tiveram em conta, pelo menos as marés, a regata realizou-se.
Participaram na Regata da Ria 11 moliceiros da classe A – moliceiros com mais de 12 metros – e dois da classe B – moliceiros com mais de 6,90m e menos de 12 m.
Com muitos bordos depois da Pousada, até “agarrarem vento”, os moliceiros dançaram mais que correram. O espectáculo não foi o do dar tudo por tudo – quando os barcos mostram o fundo e parece que vão virar – mas o de um bailado.
A classificação final da regata foi a seguinte:
1º Marco Silva
2º José Rito
3º S. Salvador
4º Um Sonho
5º O Conquistador
Não queria deixar de reforçar o já escrito por Diamantino Dias – as condições adversas, à partida, para a realização da regata – e alertar os responsáveis pela sua marcação, para a necessidade de ter em conta as marés, que tão importantes são para o espectáculo, o grandioso espectáculo, da Regata da Ria de Aveiro. Se a data for fixa, ter em atenção a hora da partida que terá de ser variável, se a hora for fixa terá de ser variável a data.
Quem conhece a ria ou nela fez, ou faz, vida, sabe que quem manda são as marés, contrariá-las é esforço vão, a menos que se fique numa secretária.