a beleza do sal (129)


no sal a memória do sol e do mar

armazéns de lavos
estalam-me na cabeça
os tufões medonhos do atlântico sul
rebentam-me nos olhos
as calemas de março
o simoun enche-me a boca
de areia e raiva

lambem-me o sexo
as chamas que no verão
devoram pinhais e searas
tremem-me as mãos
sinto nos dedos os abalos de agadir

mergulham ante meus olhos horrorizados
todos os passageiros do titanic
o amazonas corre-me nas veias
ribombam-me no coração
as cataratas do niagara
os ouvidos rebentam-me
com a pressão dos grandes rios
a entrarem no mar

o corpo arde na fogueira
possesso de um demónio
inventado pela inquisição

todo eu tremo ante tanto desvario
e tudo se conjuga
no rodopiar do carrossel louco
desta cabeça
que não sei se é minha
mas que pesa
como se fosse o mundo 
armazéns de lavos

a beleza do sal (101)


Recriação da safra à moda antiga” – foto 14

salina do corredor da cobra; armazéns de lavos; agosto 2020

giga cheia à cabeça, cinquenta quilos quase, elas caminham com o porte das grandes senhoras que ao vê-las as invejam

a beleza do sal (99)


“Recriação da safra à moda antiga” – foto 12

(salina do corredor da cobra; armazéns de lavos; agosto; 2020)

com esta publicação termina a série de fotos em que pretendi mostrar a “Recriação da safra à moda antiga”, organizada em agosto de 2020 no ecomuseu do sal, nos armazéns de lavos.


esta série só foi possível graças a três factores – trabalho, amizade e sorte – e a três pessoas – santos silva, margarida perrolas e gilda saraiva.

esparsamente irão aparecendo outras fotos deste evento mas sem o carácter que a série revestiu.

o meu abraço a todos os que com a sua amizade me permitiram fazer estes “bonecos”.

na foto os marnotos (marronteiros) e os montes de sal

a beleza do sal (86)


a flor não

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ilha da morraceira; mexer; 21/07/2020

 
em cima da cilha
os montes de sal
enfeitados
 
sobre o monte mor
a chuva tomba
 
espera o homem
que de pouca dura
a água doce
 
em cima da cilha
sol mar suor
resistirão
 
no talho a flor
não