memória_14042011


à memória do ti manel trabalhito

(fica sempre uma marca do pescador
nas águas onde pescou
este brilho
é o teu manel
é o de todos
os que já não)
hoje só me saem 
das mãos
seixos rolados

apanhei-os no mar
e quero lançá-los 
à ria

ali
onde a tua bateira
manel

ficar assim
a olhar os círculos
onde o teu rosto

boa noite manel
postais da ria (401)

postais da ria (401)


por que não quero escrever

nada mais resta que uma varanda
sobre o tempo
uma corda tensa a prender os dias

nada mais que uma visão
coberta de silêncios e vozes idas

nada mais que palavras inventadas
onde já não as há

caminhos feitos muitos
por fazer 

uma corda esticada sobre os dias
procura uma guitarra
que certo é o fado

postais da ria (398)


mais que o nome a alcunha
conta uma história

assim os pescadores

a do henrique nunca a soube
nem é aqui lugar para

homem rico o henrique
de duas alcunhas penso
ser dono

haverás mais ricos 
de alcunhas claro

mas de voz
mais nenhum 

safa as redes como todos
não safa a vida

torreira; porto de abrigo; 2013