postais da ria (272)


meditação com a ria em fundo

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o ti zé rebeço, homem da ria

quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe

vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme

crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes

o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos

se visíveis forem

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ti zé rebeço, a ria como casa

(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013

postais da ria (266)


para o josé antónio vieira (rito)

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a bateira “pedro” tripulada por pedro vieira e o pai, josé antónio vieira (rito), vence a regata

nunca é cedo demais
acontece
a fala uma perna morta
um braço sem

incapacidade para

reerguer-se voltar a
ser de novo
se bem que outro
sobre viver

chama-se josé antónio
teve um AVC
o braço direito pende
inerte morto

ao leme da bateira
ganhou a regata
ganhou a si mesmo

brava gente esta
a da nossa ria

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a bateira “pedro” tripulada por pedro vieira e o pai, josé antónio vieira (rito), vence a regata

(torreira; regata das bateiras; 2018)

 

postais da ria (258)


é tarde

enevoado tempo
o das memórias

acordo e recordo
não consigo
esquecer
o que me lembra
ao adormecer

sofro de memórias
de violentados dias
fracas palavras
pobres gestos

vem vazia a rede
vem vazia
vem

é tarde

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alar com salvador rilho (chalana)

(torreira; alar da solheira; 2010)