postais da ria (224)


durmo mal

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safam-se as redes, limpa-se o lixo

sei demais
mesmo sabendo pouco

vivi muito
durmo mal

não me digas o que és
poderás iludir-me
com o dizeres-te-me

as ilusões são breves
por isso são

o tempo e tu mesmo
me dirão de ti
o que não me disseste

espero-te sentado
enquanto leio

não sei muito
mas vivi quanto baste
e durmo mal

não me embalas
com cantigas

(torreira; 2017)

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postais da ria (221)


o meu tempo

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o meu tempo
é todos os tempos
fazemo-nos

ontem que relembro
para me alimentar
hoje onde sou para ter sido
e ajo para que
amanhã seja eu ontem ainda

futuro a que acrescentei
o meu tempo
o tempo que fiz
o tempo que me fez

o tempo que não deixei
que se fizesse sem mim

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(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio; 2013)

postais da ria (210)


da ignorância e da sabedoria

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o carlos arato safa as redes da solheira

há os que não sabem
e não sabem que não sabem

e os que não sabem
porque não querem saber

respeito tanto os primeiros
como desprezo os segundos

indiferente a estas palavras
o homem cumpre a sua tarefa diária
de subsistir onde cada dia
é mais difícil

olho tudo como se estivesse
sabendo que nunca mais
estarei como estive

essa é a minha sabedoria

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o carlos arato safa as redes da solheira

(torreira; 2016)

postais da ria (209)


o real no virtual

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amanhã
quando falarem de mim
ou me esquecerem
como é normal

que fiquem estas imagens
de um tempo
de uma gente
de um modo de vida

a minha memória
será então
não um nome
mas o que ficou
espalhado
nas redes sociais

num mundo virtual
onde o real resiste
sem fronteiras

(torreira; 2016)